A Fiat celebra 50 anos no Brasil em 2026. O autor da matéria expressa grande apreço pela marca italiana, citando seus primeiros carros, como o Mille ELX 1995 e o Mille Way 2008, defendendo a capacidade da Fiat de produzir veículos compactos, acessíveis e agradáveis de conduzir.
Modelos esquecidos da Fiat
Além dos populares, o texto menciona carros conceituados da Fiat lançados no Brasil que não alcançaram o reconhecimento merecido. São citados o Tipo, que enfrentou problemas de incêndio; o Marea, cuja mecânica era considerada complexa demais para o mercado nacional; e o Bravo, que, apesar de bonito e competente, chegou tardiamente em uma categoria em declínio.
Embora haja quem argumente que os modelos Fiat atuais perderam o charme anterior em prol do sucesso comercial, o foco da matéria reside no vasto universo de carros notáveis produzidos pela Fiat internacionalmente. Em alusão ao cinquentenário da marca no país, destaca-se um exemplar classificado como 'Achado meio Perdido': um Fiat 124 Sport Coupé de terceira geração, fabricado entre 1972 e 1975, que representa o ápice do design e da engenharia italiana antes da chegada da marca a Betim.
História e evolução do Fiat 124
O Fiat 124 foi introduzido em 1966 para suceder a linha Fiat 1300/1500, que, embora confiável, envelhecia rapidamente. O objetivo do 124 era redefinir o segmento de sedãs familiares italianos, superando a concorrência em termos de peso, eficiência e dinâmica.
Uma das maiores inovações ocorreu no chassi. Diferentemente do antecessor, que utilizava feixes de molas semielípticas no eixo traseiro — uma configuração robusta, mas mais voltada para uso utilitário e com menor controle de rolagem —, o 124 implementou uma suspensão traseira com molas helicoidais, ancorada por braços longitudinais e barra Panhard. Essa traseira mais responsiva, combinada com uma estrutura leve, carroceria rígida e quatro freios a disco de série (algo incomum para um veículo de grande volume na metade dos anos 60), resultou em um sedã compacto seguro, neutro e prazeroso de dirigir.
Plataforma e variações do 124
A excelência arquitetônica do 124 permitiu que ele evoluísse para uma família modular de modelos. Desse mesmo chassi surgiram a perua Familiare, o desejado conversível 124 Sport Spider, desenhado pela Pininfarina (que se tornou lendário no WRC com a Abarth), e o 124 Sport Coupé, que oferecia a praticidade de um cupê de quatro lugares com alta qualidade de engenharia.
Globalmente, o projeto do sedã foi licenciado para a União Soviética no início dos anos 70, originando o VAZ-2101/Zhiguli, precursor do Lada Laika, que foi amplamente utilizado no Brasil nos anos 90. Assim, a base do 124 tornou-se uma das plataformas mais duradouras da história automotiva, visto que o Laika permaneceu em circulação na Rússia até 2010 e no Egito até 2015.
Detalhes do Fiat 124 Sport Coupé
Focando no cupê, o 124 Sport Coupé aprimorou a base do sedã tanto no design quanto no desempenho. Enquanto o Spider teve seu desenho encomendado externamente, o Sport Coupé foi concebido no Centro Stile Fiat por Felice Mario Boano, o mesmo designer responsável pela icônica Ferrari 250 GT Boano. Boano manteve o entre-eixos original do sedã (2,42 m), assegurando espaço adequado para quatro adultos sem comprometer as linhas esguias e esportivas do cupê notchback.
O modelo foi lançado em 1967, na série AC, apresentando faróis simples, painel com acabamento em imitação de madeira e um motor 1.4 de 90 cv. Este motor foi histórico por ser o primeiro motor DOHC (duplo comando no cabeçote) de grande produção mundial a utilizar correia dentada de borracha em vez de corrente. Suas lanternas traseiras eram idênticas às usadas em esportivos caros da época, como o Lamborghini Espada e o Iso Rivolta.
Em 1969, com a fase BC, houve uma reformulação frontal com faróis duplos e lanternas traseiras novamente inspiradas em um Lamborghini (neste caso, o Jarama). O painel tornou-se mais escuro e esportivo, incluindo um conta-giros que atingia 9.000 rpm. Mecanicamente, o carro recebeu o motor 1.6 de 110 cv, alimentado por dois carburadores de corpo duplo, caracterizado por suas dimensões quadradas (80×80 mm) e forte propensão a altas rotações.
Terceira geração e o motor Lampredi
A maturidade do projeto foi alcançada em 1972, com a terceira e última geração, a CC. Nesta fase, a Fiat modernizou a parte dianteira com novos detalhes cromados, instalou lanternas traseiras verticais e aumentou a profundidade do porta-malas para maior capacidade de carga. Internamente, os revestimentos de madeira foram substituídos por alumínio escovado e novos materiais.
O destaque mecânico era o cobiçado motor 1.8 (1.756 cm³) da família Lampredi, desenvolvido por Aurelio Lampredi. Este motor de quatro cilindros com duplo comando, carburador de corpo duplo e bomba elétrica gerava aproximadamente 122 cv, proporcionando um torque substancial em rotações médias que alterou drasticamente o comportamento do veículo. Quando acoplado ao câmbio manual de cinco marchas e à tração traseira, o conjunto replicava a fórmula de sucesso de ícones como as Alfa Romeo Giulia GT e GTV daquele período: leveza, som potente e grande presença.
O achado específico e condições de venda
O exemplar em questão é um modelo de 1975, correspondendo ao último ano de produção do 124 Sport Coupé, e pertence à desejada versão 1800 Climatizzata. Isso significa que ele saiu de fábrica equipado com ar-condicionado, que, segundo o anúncio, está em perfeito funcionamento. Encontrar um clássico esportivo italiano dos anos 70 com ar-condicionado operante no Brasil é considerado uma ocorrência extremamente rara.
Internamente, o cupê mantém sua funcionalidade de quatro lugares. A cabine foi restaurada cuidadosamente nos bancos e forros de porta, mas preservou o revestimento original de fábrica nos encostos dianteiros, que se encontram em ótimo estado. Componentes como volante, instrumentos do painel, botões e chave de seta são originais, mantendo a atmosfera e a pátina da época.
Atualmente sob a posse de Adriano Griecco, o carro está anunciado por R$ 105.000. Este preço é visto como bastante vantajoso no mercado atual para quem procura um clássico europeu com tração traseira e pedigree mecânico puro, sendo comparado favoravelmente a uma Alfa GTV em condição similar. Além disso, a documentação do veículo está impecável, estando no nome do proprietário, sem pendências e já possuindo placa Mercosul, eliminando preocupações burocráticas para o futuro comprador.