Em todas as plataformas de redes sociais, é fácil formar um terreno fértil para racistas, homofóbicos, sexistas, predadores sexuais, misóginos, islamofóbicos, xenófobos e agressores. Surge uma questão lógica: quem são essas pessoas na vida real?
Influência da cultura online
Os usuários das redes sociais podem experimentar frustração, raiva, confusão e irritação. No contexto da cultura online, onde algoritmos e anonimato se combinam com toxicidade que destrói os debates racionais, observa-se uma tendência clara ao aumento do ódio feroz nos comentários de publicações por vezes inofensivas.
É apresentado o exemplo de uma mãe que sofre uma enxurrada de acusações e ódio após a morte de seus filhos pelas mãos do pai, bem como de uma jovem cujas fotos de biquíni provocam zombaria e comentários depreciativos sobre sua aparência.
Segurança da tela e efeito
Na vasta rodovia da internet, pessoas comuns se transformam em animais agressivos. A segurança que a tela oferece atua como uma espécie de barreira protetora. Qualquer menção ao mundo, à humanidade, à compaixão, à inclusão, ao antirracismo, à antixenofobia ou à violência de gênero provoca uma reação negativa. Os abusos online, desde linguagem chula até ataques pessoais, visam um único objetivo: silenciar e humilhar a pessoa.
Psicólogos chamam esse fenômeno de 'efeito de desinibição online', que surge devido à distância física e à ilusão de ausência de consequências. As pessoas dizem coisas que nunca ousariam dizer face a face. Talvez, nesse bullying, exista um sentimento de bravata que não obtêm na vida cotidiana.
Natureza do comportamento dos haters
O autor observa que tentar compreender a psicologia desse comportamento perigoso pode levar mais à decepção do que ao esclarecimento. No entanto, pode-se tirar uma conclusão objetiva de que, na ausência de bom senso e com um colapso moral e intelectual, os agressores e haters online não são capazes de debates lógicos. Seu método padrão de comunicação torna-se a sarcasmo, ao qual os leitores estão acostumados nos comentários de notícias e páginas pessoais.
O autor, que próprio enfrentou o ódio online, chega à compreensão de que a verdade frequentemente provoca uma forte reação emocional. Ir além do permitido e apelos à unidade e compaixão têm seu preço. Ao mesmo tempo, o autor vê algo maior que transcende o ódio e o bullying.
Algoritmos e realidade social
O autor testemunha pessoas de diferentes partes da comunidade e do país que se opuseram ao ódio online quando necessário. Vozes altas não refletem a opinião da maioria nem na comunidade nem no país. Os algoritmos das redes sociais são alimentados pela indignação, intensificando a divisão e criando a aparência de que o país está afogando em xenofobia, racismo, sexismo, islamofobia e outras formas de preconceito.
Algumas pessoas lucram com essa situação. A realidade é que a cultura online distorce habilmente, em vez de refletir a sociedade. Quando os criadores de plataformas e outras estruturas monetizam perfis, a moral e a humanidade tornam-se financeiramente desvantajosas, enquanto o ódio traz grandes benefícios.
Contraste com a realidade da África do Sul
O autor enfatiza que os habitantes da África do Sul continuam a viver diariamente em harmonia multiconfessional e multirracial com grande tato e dignidade, mais do que sugerem os comentários nas redes sociais. Não é uma tentativa de simplificar o problema, mas uma forma de entender a origem da loucura.
Pessoas propensas a humilhar os outros e a suprimir conversas construtivas geralmente são inseguras, discretas ou sofrem de dor, buscando fama e prazer passageiros. Isso demonstra os piores impulsos de uma pequena parte dos usuários, e não a alma de toda a comunidade ou país.
Consequências do ódio e apelo à ação
No entanto, as distorções têm consequências reais: o ódio e a perseguição online minam a saúde mental, especialmente entre os jovens. Na comunidade local, isso agrava o racismo externo com mecanismos internos como colorismo, intolerância religiosa e marginalização de pessoas. Grupos conservadores rapidamente se tornam condenatórios em relação àqueles que expressam suas opiniões, especialmente mulheres que desafiam o status quo. Esses desacordos não permanecem locais; eles enfraquecem a solidariedade e penetram na paisagem nacional, aprofundando a desconfiança em um momento crítico.
Existe um fato óbvio: por trás de cada comentário de ódio há uma pessoa real na qual esse ódio é direcionado. Casos de suicídio devido ao bullying nas redes sociais foram documentados, o que por si só deveria despertar a consciência. Portanto, é crucial que pessoas dignas recusem ficar em silêncio ou ter medo, defendendo a justiça.
Mudar a frequência ou os algoritmos pode não garantir popularidade nas redes sociais, mas pode ser decisivo na busca por restaurar a humanidade. Esta é uma batalha moral do nosso tempo: guerreiros de teclado contra a unidade da comunidade e do país. A neutralidade não é uma opção aqui.