O Professor Thole Mokoena, Ombudsman da Saúde, estabeleceu a ausência de ligação direta entre as mortes de profissionais de saúde em KwaZulu-Natal e as condições de trabalho, incluindo assédio ou condições de trabalho desfavoráveis. No entanto, ele alertou para sérios problemas sistêmicos que continuam a afetar os profissionais de saúde em toda a província.
Resultados da investigação de seis mortes
Mokoena divulgou suas conclusões durante uma coletiva de imprensa na quarta-feira, apresentando um relatório sobre a investigação conjunta de seis casos de falecimento de profissionais de saúde em hospitais públicos de KwaZulu-Natal. A investigação foi conduzida com o apoio da Comissão de Serviço Público após reclamações feitas pelo Ministro da Saúde, Dr. Aaron Motsoaledi, e pelo ex-presidente do Comité de Portfólio Parlamentar de Saúde, Dr. Sibongiseni Dhlomo, em meio à preocupação pública e ampla cobertura da mídia.
Mokoena informou que o objetivo da verificação era determinar se as condições de trabalho, as práticas de gestão de recursos humanos ou problemas sistêmicos mais amplos contribuíram para as mortes. Ele declarou: «As conclusões gerais são estas. A investigação não encontrou evidências que indiquem uma relação de causa e efeito direta entre as mortes sob investigação e assédio no local de trabalho, perseguição ou condições de trabalho desfavoráveis em nenhuma das instituições afetadas.»
Problemas sistêmicos no sistema de saúde
Apesar desta conclusão, Mokoena enfatizou que o sistema de saúde não está isento de sérios problemas. A investigação revelou preocupações sistémicas significativas que afetam os profissionais de saúde em várias instituições de saúde. Entre os problemas identificados estão a escassez constante de pessoal, cargos vagos congelados, sobrecarga, escassez de equipamentos médicos e consumíveis, problemas de infraestrutura, suporte insuficiente ao bem-estar dos funcionários e questões de segurança.
Estas questões exigem atenção imediata, pois afetam tanto os próprios profissionais de saúde quanto indiretamente a qualidade dos serviços prestados à população. Durante a verificação, foram analisados registos hospitalares, práticas de gestão de pessoal, programas de bem-estar dos funcionários e processos disciplinares. Foram também realizadas entrevistas com a direção dos hospitais, profissionais de saúde, internos, representantes sindicais e pessoal de apoio.
Detalhes dos casos individuais de óbito
No caso da morte do Dr. Tumelo Kgaladi, médico de 31 anos, falecido em sua residência, fora de serviço no Hospital Addington, Mokoena estabeleceu a ausência de nexo causal entre sua morte e as condições de trabalho. Foram encontradas evidências indiretas que apontavam para possível intoxicação por monóxido de carbono, mas a determinação final da causa da morte permanece sob investigação da Polícia Sul-Africana e processo judicial.
No caso do Dr. Kgaladi, a investigação mostrou que ele tinha um histórico de problemas psiquiátricos sobre os quais não havia informado o hospital. A verificação também identificou falta de pessoal, alta carga de trabalho, lacunas no apoio ao bem-estar dos funcionários e nos processos de monitorização médica no hospital.
Também não foi estabelecida ligação entre a morte do radiógrafo Mvelo Sele no Hospital Port Shepstone, que faleceu de ataque cardíaco durante o trabalho, e as condições de trabalho. No entanto, o hospital enfrentou problemas de falta de pessoal, incluindo perda de especialistas e dificuldades em preencher vagas devido a restrições orçamentárias.
Quanto ao Dr. Sibongis Zulu, do Hospital Ngvelezane, que morreu num acidente de carro fora do serviço, Mokoena não encontrou provas que ligassem sua morte às condições de trabalho ou aos problemas sistémicos do hospital. No entanto, foram identificadas dificuldades como falta de pessoal, problemas de segurança e capacidade insuficiente de apoio ao bem-estar dos funcionários.
Análise das acusações contra o Dr. Idika
Mokoena também analisou as acusações relacionadas com a morte do Dr. Francis Idika, do Hospital Wrightshead, onde alegou-se que sua morte foi resultado de assédio no local de trabalho, perseguição e medidas disciplinares. A investigação não confirmou essas alegações, determinando que o Dr. Idika faleceu por causas naturais após uma ruptura aórtica. Contudo, a verificação revelou falhas na gestão de reclamações, questões disciplinares e conflitos no local de trabalho no hospital.
No caso do Dr. Aluluto Mazwi, interno médico no Prince Mshiyeni Memorial Hospital, os rumores nas redes sociais de que ele foi ordenado a trabalhar estando doente foram refutados. Mokoena observou que ele adoeceu gravemente durante a noite no bloco de alojamento dos médicos do hospital e foi levado para o departamento de emergência, onde foi declarado morto à chegada. A causa mais provável da morte do Dr. Mazwi foi uma embolia pulmonar secundária a trombose venosa profunda.
Problemas entre o pessoal médico júnior
A investigação revelou problemas nos sistemas de apoio disponíveis para os internos e identificou uma cultura entre alguns jovens médicos que temiam tirar folgas por receio de prolongar as rotações de internato ou aumentar a carga de trabalho dos colegas.
O Ombudsman da Saúde também abordou a morte do Dr. S.I. Ngidi, médico de cuidados comunitários no Hospital Benedictine, informando que ele cometeu suicídio ingerindo veneno de rato fora do serviço. Mokoena estabeleceu que o Dr. Ngidi não estava diretamente envolvido no caso de fraude de registo de nascimentos que envolvia seu nome. Foram identificadas falhas nos processos de controlo de documentos no hospital, incluindo formulários de registo de nascimentos em branco pré-assinados, e esta questão foi encaminhada às autoridades policiais.
Os profissionais de saúde expressaram constantemente preocupações sobre esgotamento, aumento da carga de trabalho, apoio limitado à saúde mental, problemas de segurança no local de trabalho e dificuldades de infraestrutura. Muitos programas de bem-estar dos funcionários estavam subfinanciados e não conseguiam satisfazer adequadamente as necessidades dos profissionais de saúde. Mokoena salientou: «O sistema não conseguirá cuidar eficazmente dos pacientes se não conseguir apoiar adequadamente aqueles que prestam cuidados de saúde.»
Recomendações e próximos passos
Mokoena também levantou a questão de que os diretores executivos em alguns hospitais não possuem formação médica, o que cria um conflito de competências nessas instituições. O Ombudsman da Saúde apresentou recomendações destinadas a fortalecer os programas de bem-estar dos funcionários, melhorar os sistemas de apoio ao pessoal, resolver problemas de segurança, reforçar a supervisão e a responsabilização, bem como garantir o cumprimento das normas e padrões estabelecidos para as instituições médicas.
Ele concluiu que a publicação deste e de muitos outros relatórios não marca o fim do processo, mas sim parte do caminho para criar e manter um sistema de prestação de cuidados de saúde seguro, responsivo e de qualidade no país. As conclusões e recomendações serão transmitidas à Autoridade de Conformidade de Saúde para monitorização e implementação, enquanto o Ombudsman da Saúde continuará a colaborar com esta autoridade para garantir a melhoria do bem-estar dos profissionais de saúde, da segurança dos pacientes e da qualidade dos cuidados médicos.