A inteligência artificial transcendeu o status de mera especulação tecnológica, tornando-se um motor para vastas operações financeiras. Instituições bancárias estão ativamente envolvidas em captações, concessão de empréstimos e transações ligadas à expansão da infraestrutura essencial para os sistemas de IA.
Grandes transações de IA no mercado
De acordo com a Reuters, o ciclo de investimentos neste setor pode perdurar por vários anos, embora haja debate no mercado sobre a sustentabilidade das avaliações das empresas de tecnologia. A busca por maior capacidade computacional já resultou em operações bilionárias no setor financeiro.
Exemplos notáveis incluem a oferta de American Depositary Receipts (ADRs) da fabricante de chips SK Hynix, avaliada em US$ 26,5 bilhões (aproximadamente R$ 143 bilhões), e o IPO da SpaceX, que atingiu US$ 86 bilhões (cerca de R$ 464 bilhões).
Financiamento de infraestrutura e visão de mercado
Os bancos também têm financiado projetos de infraestrutura, focando principalmente na edificação de data centers e no aumento da capacidade de processamento exigida pelas aplicações de inteligência artificial. David Solomon, CEO da Goldman Sachs, durante uma teleconferência de resultados, ressaltou que a infraestrutura de IA ainda está em fases iniciais e que este ciclo de investimentos continuará a fomentar atividades estratégicas, financiamentos e formação de capital.
Solomon caracterizou o setor como estando no meio de um «superciclo de investimentos em IA», onde as companhias buscam diversas modalidades de financiamento para dar suporte aos seus empreendimentos.
Projeções de gastos com data centers
Apesar do entusiasmo bancário, existe uma apreensão entre os investidores. Em julho, as ações de empresas de tecnologia, sobretudo fabricantes de semicondutores, enfrentaram pressão devido às dúvidas sobre as altas avaliações do segmento.
Contudo, as projeções de despesas com infraestrutura seguem em ascensão. Ted Pick, CEO do Morgan Stanley, indicou que as estimativas para investimentos em data centers foram elevadas nos últimos meses: a previsão para 2026 saltou de US$ 575 bilhões (cerca de R$ 3,1 trilhões) para cerca de US$ 850 bilhões (R$ 4,6 trilhões); a expectativa para 2027 aumentou de US$ 700 bilhões (R$ 3,8 trilhões) para US$ 1,3 trilhão (R$ 7 trilhões); e o investimento previsto para 2028 pode chegar a US$ 1,5 trilhão (R$ 8,1 trilhões). Além disso, o Morgan Stanley estima que os gastos associados à IA podem totalizar US$ 10 trilhões (R$ 54 trilhões) ao longo de vários anos.
Atuação bancária e análise de riscos
A inteligência artificial também se tornou tema central nas discussões entre executivos do setor financeiro. Jane Fraser, CEO do Citi, comentou que a tecnologia está «dominando muitas das conversas», principalmente por conta do crescimento nos dispêndios com tecnologia, data centers, energia e defesa.
O Bank of America forneceu uma linha de crédito de US$ 520 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bilhões) para a OpenAI. A mesma instituição declarou ter auxiliado empresas ligadas à IA a captarem quase US$ 500 bilhões (cerca de R$ 2,7 trilhões) desde 2025.
Stephen Biggar, diretor de pesquisa de serviços financeiros da Argus Research, observou que o ciclo de investimentos já impacta diversas esferas do mercado, afirmando que o «superciclo de investimentos impulsionado pela IA beneficiou emissões de ações, atividades de fusões e aquisições e financiamentos de dívida». Jeremy Barnum, diretor financeiro do JPMorgan Chase, salientou que a expansão dos data centers também dinamiza setores secundários, como construção e serviços especializados.
Em suma, a Reuters aponta que o aumento dos investimentos em inteligência artificial abriu uma nova frente de oportunidades para Wall Street, embora o mercado continue monitorando se esse ritmo de expansão será mantido nos próximos anos.