Uma pesquisa realizada pela CGTN levanta questões fundamentais sobre o papel da humanidade em um cenário onde as máquinas começam a adquirir capacidade de pensamento. Os autores observam que cada revolução tecnológica sempre foi acompanhada tanto pela expansão das capacidades humanas quanto pela redefinição da própria essência da humanidade, mas a inteligência artificial representa uma mudança mais profunda.
Evolução da IA e tomada de decisões
A IA deixa de apenas registrar o que acontece; ela começa a prever o futuro. Ela transcende a mera interpretação do mundo existente, construindo gradualmente uma hierarquia de cenários possíveis até sua concretização. Assim, a previsão se transforma de uma descrição do futuro potencial em uma força ativa que molda os eventos subsequentes.
A questão central que a inteligência artificial nos apresenta não é se as máquinas são capazes de pensar como os humanos, mas sim qual autoridade seus julgamentos estão começando a adquirir. Surgem questões sobre quem confere essa autoridade, quem é responsável por ela e que futuro isso criará para toda a humanidade.
Visão de governança global da IA
Na Conferência Mundial de Inteligência Artificial e no encontro de alto nível sobre governança global de IA na China, foi apresentada uma concepção de regulamentação da IA que defende a manutenção de uma abordagem centrada no ser humano. O objetivo é que a IA sirva como um poderoso motor para a prosperidade geral e a segurança coletiva, contribuindo para a construção de um sistema justo e equitativo de governança global de IA.
Esta visão visa eliminar não apenas a lacuna nas capacidades tecnológicas, mas também a crescente divergência entre a velocidade do progresso tecnológico e o ritmo de consenso na governança. Como os avanços tecnológicos superam a formação de regras, o poder pode surgir antes que normas adequadas sejam estabelecidas. Portanto, a governança da IA não é apenas gerenciar riscos, mas também encontrar um equilíbrio entre inovação e ordem baseada em regras.
Resultados da pesquisa global
Uma pesquisa online global da CGTN mostrou que 85,4% dos entrevistados acreditam que o rápido desenvolvimento da IA gera novos desafios para a segurança e governança globais. Além disso, 92,6% expressaram preocupação de que deepfakes e desinformação gerados por IA possam minar os fundamentos da confiança social, e 87,8% temem que barreiras tecnológicas e 'muros digitais' possam levar à fragmentação da cooperação científica e tecnológica internacional.
Esses dados indicam que os problemas relacionados à IA ultrapassam há muito o campo puramente tecnológico. O fortalecimento da governança global e a formação de um amplo consenso internacional tornaram-se tarefas comuns na era da inteligência artificial. A pesquisa também revelou que 82,6% dos participantes acreditam que os países em desenvolvimento e o Sul Global devem desempenhar um papel mais significativo na definição das regras de governança da IA para garantir justiça e inclusão no sistema. Ao mesmo tempo, 87,5% esperam que a comunidade internacional trabalhe para promover uma IA acessível e abrangente, prevenindo que a tecnologia se torne uma nova fonte de desigualdade.
Diversidade cultural e o futuro da IA
Estes resultados refletem não apenas as expectativas gerais do público sobre a governança da IA, mas também um crescente consenso internacional de que o futuro da IA deve ser determinado pela abertura e colaboração, e não por monopólios tecnológicos, nem por restrições regulatórias, mas sim por inclusão e benefícios comuns. Uma civilização que pode ser compreendida, resumida e interpretada exclusivamente através de modelos de IA alheia ainda não alcançou a verdadeira era da inteligência. Um sistema de governança global de IA verdadeiramente justo deve respeitar as diversas trajetórias de desenvolvimento e os sistemas de valores de diferentes países e culturas, garantindo a cada civilização o direito de compreender o mundo através de sua própria estrutura conceitual, treinar sistemas inteligentes sob suas próprias condições e moldar apropriadamente o futuro da IA.
Os valores e modos de pensamento inerentes a diferentes civilizações não são 'ruído' que os algoritmos devem eliminar, mas fontes indispensáveis de sabedoria necessárias à humanidade para navegar em um futuro incerto. O objetivo da governança global da IA não é criar um único modelo 'correto' do mundo, mas garantir que nenhum entendimento único do mundo se torne dominante. A governança não é inimiga da inovação; ela é a segunda criação da inovação. A primeira ocorre no laboratório, onde as máquinas adquirem capacidades; a segunda é realizada através de instituições, normas éticas e cooperação internacional, onde a tecnologia recebe propósito, limites e responsabilidade. Inteligência sem governança é apenas força. No entanto, a inteligência moldada por valores comuns permite que a tecnologia se torne uma força genuína para o bem de toda a humanidade.
Na era da inteligência artificial, a governança da IA abrange mais do que apenas a prosperidade geral e a segurança coletiva; ela diz respeito à nossa capacidade comum de moldar o futuro. Uma ordem de IA verdadeiramente justa deve fazer mais do que apenas garantir a distribuição dos benefícios do progresso tecnológico para todos. Ela também deve garantir que cada país e cada civilização tenha voz na definição das regras e na determinação da direção do futuro da IA. O futuro não deve ser um modelo predefinido gerado por um sistema, mas um rascunho inacabado, escrito coletivamente pela humanidade, que permanece aberto à revisão por todas as partes. O fato de as máquinas terem começado a pensar marca um marco na história da tecnologia, e a capacidade da humanidade de assumir responsabilidade coletiva e manter a liberdade de escolha é um sinal de progresso civilizacional.