Quando Shawkat Ali Rana abre a porta de entrada de sua vila em Mirbadhi para os visitantes, eles percebem que não estão apenas em uma casa comum. As paredes estão adornadas com fotos em preto e branco, ao lado há câmeras vintage, projetores de cinema, polaroides e câmeras de campo de madeira.
A Coleção e Seu Início
Em vitrines de vidro, estão expostos jornais amarelados, passaportes antigos, vistos de entrada anteriores à unificação, moedas, selos, carteiras de motorista e outros documentos que muitas pessoas poderiam ter descartado décadas atrás. No entanto, Rana não começa o passeio com esses itens. Ele se dirige a uma fotografia em preto e branco emoldurada do Forte Al Maktá perto de Abu Dhabi, dizendo: «Esta foi a primeira foto que eu já tirei», segurando a moldura com um sorriso.
Mais de cinquenta anos depois, esta imagem permanece uma das coisas mais preciosas para ele. Ela marcou o início de uma paixão vitalícia que acabou se transformando em um arquivo com mais de 200.000 fotografias, documentando a notável transformação dos EAU — de pequenos assentamentos rurais a uma das nações de crescimento mais rápido do mundo.
Documentando o Desenvolvimento dos EAU
Rana, de sessenta e seis anos, comentou: «Eu nunca pensei que isso se tornaria tão grande. Eu só queria preservar a história». Ao longo de quase seis décadas, ele registrou a construção do Porto Sheikh Rashid, o primeiro aeroporto internacional de Dubai, os primeiros túneis da cidade, shows aéreos, grandes edifícios e incontáveis bairros que surgiram da areia. Ele também capturou as primeiras celebrações públicas da formação dos EAU, criando uma crônica visual dos momentos que fizeram parte da história do país.
Sua coleção inclui mais do que apenas fotografias. Rana explica que começou a colecionar selos antigos, e depois moedas, notas, documentos e licenças, acreditando que se ninguém guardasse essas coisas, as gerações futuras jamais saberiam como era a vida.
Vida em Dubai no Passado
O caminho de Rana começou muito antes de a fotografia se tornar sua profissão. Ele chegou a Dubai em 1968, aos oito anos, seguindo seu pai, Mohammed Rafi Rana, que se mudou para o emirado dois anos antes para trabalhar no British Bank of the Middle East e depois se juntou à Pakistan International Airlines. Naquela época, Dubai era um lugar completamente diferente.
A família morou primeiro em Satwa e depois se mudou para Karama, onde as dunas de areia cobriam grande parte do bairro. Rana recorda: «Havia areia por toda parte. Saíamos para a rua e coletávamos conchas marinhas. Havia palmeiras datileiras crescendo ao redor, e todas as noites ouvíamos buzinas de navios do Porto Rashid. O tráfego era pouco, então o som das buzinas dos navios chegava até Karama». Seu trajeto diário para a escola era muito diferente do que os filhos vivenciam hoje; ele estudava na Pakistan Islamia School em Oud Metha e ia lá todas as manhãs pelas trilhas de areia.
Vida Cotidiana e Viagens
As noites daquela época passavam mais devagar. A televisão não funcionava 24 horas por dia, e as famílias organizavam suas rotinas em torno do tempo limitado de transmissão. Ele lembra: «A TV começava às seis da noite e terminava por volta das dez da noite. Todos esperavam as notícias antes de dormir». No entanto, os fins de semana traziam seus próprios desafios: a família tentava assistir a filmes em hindi transmitidos do Kuwait, mas raramente conseguia um sinal claro. «Tínhamos uma antena no telhado. Um de meus irmãos subia lá enquanto gritávamos de baixo: 'Vire à esquerda, agora à direita, não, você perdeu de novo!' Não acho que tenhamos assistido a um filme completo».
O entretenimento era simples, mas são essas memórias que Rana mais valoriza. Ele diz que havia muitas rotundas com grama verde e belos fontes em Dubai, onde seu pai pedia a todos que trouxessem comida de casa, e eles jantavam lá. Essas rotundas serviam como parques onde as crianças brincavam livremente, pois muito pouco tráfego passava por ali.
Viagens fora de Dubai eram uma aventura. As estradas para Abu Dhabi e Ras Al Khaimah eram principalmente trilhas de areia, e carros comuns frequentemente tinham dificuldade em passar. «As viagens familiares geralmente eram feitas apenas em Land Cruisers ou veículos off-road». Uma viagem a Ras Al Khaimah ficou gravada em sua memória: «Nosso motorista parou de repente. Meu pai perguntou o que havia acontecido. Ele apontou para frente e disse que a estrada estava coberta por água do mar. Tivemos que esperar quase 40 minutos até que a água baixasse, caso contrário, ele não conseguia ver o caminho». Para a geração atual, a viagem a Ras Al Khaimah leva pouco mais de uma hora, enquanto antes, dependendo das condições, podia levar no mínimo três horas.
Início da Carreira Fotográfica
Uma longa viagem a Abu Dhabi deu a Rana uma das lembranças mais importantes: seu pai lhe entregou uma simples câmera de rolo quando ele tinha cerca de 10 anos, dizendo: «Esta é sua agora». Embora fosse um presente generoso, a fotografia naquela época não era barata. «Um rolo só podia tirar 12 fotos. Se você perdesse uma foto, ela desaparecia. Então você precisava comprar um novo rolo, pagar pelo revelado e depois pagar pela impressão novamente. Cada cópia custava cerca de 2 dirhams, então cada quadro importava».
Seu interesse pela fotografia cresceu. Em Karama, Rana equipou parte de sua casa com um quarto escuro, onde ele mesmo revelava filmes em preto e branco. Mais tarde, seu pai o apresentou a um amigo, Shamshad, que trabalhava com o falecido Sheikh Zayed, Pai da Nação, em Qasr Al Hosni em Abu Dhabi. Shamshad ensinou-lhe tudo sobre revelação de filmes e trabalho em quarto escuro, e Rana viajava para Abu Dhabi para aprender com ele.
A fotografia logo deixou de ser apenas um hobby. Rana começou a levar a câmera para a escola e oferecia fotografar colegas de classe e professores, cobrando 5 dirhams por isso. Ele revelava as fotos em casa e as entregava no dia seguinte, e o dinheiro recebido era usado para filme e produtos químicos.
Crescimento Profissional e Maestria
A fotografia colorida representava um desafio ainda maior. Nos anos 70, os filmes coloridos tinham que ser enviados para o Reino Unido para processamento. Rana, buscando dominar a arte, viajou posteriormente para a Itália por duas semanas para estudar o processamento de cores com o fabricante de equipamentos fotográficos Durst. Ele enfatizou que, naquela época, a fotografia era totalmente manual, exigindo compreensão de luz, química e cores, ao contrário das câmeras modernas, onde tudo é feito com o toque de um botão.
Sua paixão transformou-se em um negócio. Em 1976, depois de assumir uma loja familiar na Rua Yousef Baker em Deira, Rana mudou do comércio de tecidos para artigos fotográficos. Ele começou a importar câmeras, filmes, papel fotográfico, produtos químicos e materiais de acabamento de fotos, lançando as bases para a Rafi Group, que agora é administrada por seus filhos.
Arquivo como Reflexo da História
Mesmo construindo um negócio, Rana continuou a documentar os EAU. Seu arquivo contém fotos da construção do Porto Sheikh Rashid, Aeroporto Internacional de Dubai, grandes túneis, primeiros shows aéreos, bairros tradicionais e edifícios que desapareceram há muito do cenário urbano. Entre os documentos mais valiosos estão as permissões de fronteira emitidas antes da formação dos EAU. Rana observa que as pessoas ficam surpresas ao ver esses documentos, pois antes existia uma fronteira entre os emirados.
O museu que ele criou reflete não apenas as transformações do país, mas também a mudança no estilo de vida das pessoas. Além de milhares de fotografias, a coleção inclui telegramas, pager, telefones celulares, rádios antigos, câmeras, selos, jornais e cartas de embaixadas estrangeiras que o ajudaram a encontrar equipamentos fotográficos antes da internet. Ele lembra que as cartas podiam levar meses, e se o assunto fosse urgente, usava-se o telégrafo, onde cada palavra custava dinheiro, então seu pai o ensinou a encurtar frases.
Hoje, os visitantes passam horas explorando a coleção em sua casa em Mirbadhi, enquanto Rana conta pacientemente a história de cada item. Para ele, essa coleção nunca foi uma questão de quantidade; cada item — seja a primeira foto, uma antiga carteira de motorista ou um passe de fronteira — representa um pequeno fragmento da jornada do país. Ele conclui: «Eu queria preservar a história. Os EAU me deram tudo. Esta é a minha maneira de retribuir».