De acordo com a GoSolr, os consumidores na África do Sul enfrentam o aumento das tarifas e das contas fixas de eletricidade, o que mina os esforços de economia de energia e diminui o apelo do uso de sistemas solares.
Crise energética e custo
A crise energética na África do Sul entrou em uma nova fase: os domicílios não estão sofrendo apenas com cortes de energia, mas cada vez mais com custos crescentes. Isso torna a redução do consumo de eletricidade um meio menos eficaz para diminuir as contas mensais.
O último relatório trimestral da GoSolr, intitulado Light Paper, alerta que o problema energético do país se transformou em uma crise de acessibilidade, causada pelo aumento das tarifas, pelo aumento das taxas fixas e pelas estruturas de preços inconsistentes dos municípios.
Aumento das tarifas e taxas fixas
Segundo o relatório, as tarifas de eletricidade aumentaram mais de 1100% desde 2007. A isso foram adicionados aumentos recentes de preço pela Eskom de 8,76%, seguidos por outro aumento de 8,83%. Os clientes municipais frequentemente pagam ainda mais após a aplicação de sobretaxas locais.
A GoSolr observa que um dos problemas mais graves é o rápido aumento das taxas fixas. Isso significa que os consumidores são forçados a pagar somas significativas apenas pela conexão à rede, independentemente do volume de eletricidade consumido.
O relatório enfatizou que a redução do consumo de eletricidade não garante mais uma economia significativa, especialmente para pequenas empresas e domicílios de renda média, que já enfrentam pressão financeira. Além disso, as contas de eletricidade não refletem o custo total de todo o sistema energético sul-africano.
Custos ocultos e sistema
Além do custo da eletricidade consumida, os consumidores financiam indiretamente a infraestrutura da rede, perdas no sistema, roubo de eletricidade, contas não pagas, geração de emergência a diesel e várias sobretaxas municipais. Muitas famílias também incorrem em despesas adicionais devido a fontes de alimentação de reserva, equipamentos danificados e redução de desempenho durante interrupções de energia.
Andrew Middleton, CEO da GoSolr, afirmou que o sistema elétrico da África do Sul permanece sob pressão, apesar das melhorias na estabilidade do fornecimento. Ele observou: «O sistema energético da África do Sul está sob pressão, mas não é desesperador».
Problemas de precificação
Middleton acredita que a situação atual é resultado de modelos de precificação obsoletos que buscam manter o status quo e proteger as receitas, em vez de se adaptar ao cenário energético em rápida mudança. Embora tenha havido menos períodos de interrupção na África do Sul nos últimos meses, Middleton alertou que a estabilidade por si só não é um sucesso se a eletricidade continuar a se tornar menos acessível.
Ele acrescentou: «Atualmente, o sistema envia sinais errados, incentivando a ineficiência e punindo o progresso, ao mesmo tempo que redefine sutilmente a eletricidade como algo que nem todos podem pagar».
Desigualdade entre municípios
O relatório identificou diferenças significativas entre os municípios, indicando que as estruturas tarifárias inconsistentes criam desigualdade em todo o país. Cidade do Cabo foi mencionada como um exemplo de abordagem relativamente equilibrada com crescimento moderado nas taxas fixas e estrutura de tarifas opcional dependente do horário de uso. Ao mesmo tempo, Joanesburgo foi apresentada como um exemplo de como as estruturas de preços podem colocar os consumidores em desvantagem, pois alguns domicílios relataram taxas fixas de até 1761 rand sul-africanos por mês antes mesmo de consumir uma unidade de eletricidade.
Apelos por reformas
A GoSolr também alerta que as estruturas de preços atuais podem desencorajar a instalação de painéis solares em telhados e baterias de armazenamento, quando a África do Sul deveria incentivar uma geração distribuída mais ampla de eletricidade. A empresa afirma que penalizar os clientes que investem em geração própria pode contribuir para o que eles chamam de «declínio espiral de preços lento», onde a redução do consumo força as concessionárias a aumentar ainda mais as tarifas para compensar as receitas.
Para resolver o problema da acessibilidade, a GoSolr pede maior transparência na precificação de eletricidade, uma clara separação dos custos de infraestrutura e consumo, regras padronizadas para geração integrada e reformas nos modelos de financiamento municipal que reduzam a dependência das vendas de eletricidade. Middleton concluiu que a África do Sul tem a chance de construir um sistema energético mais sustentável e inclusivo se os políticos alinharem os incentivos com a mudança de comportamento dos consumidores.