O Google introduziu três novas versões de inteligência artificial com o objetivo de intensificar a competição contra OpenAI e Anthropic. Estas novidades abrangem modelos mais rápidos, mais econômicos e especializados em proteção digital.
O Google introduziu três novas versões de inteligência artificial com o objetivo de intensificar a competição contra OpenAI e Anthropic. Estas novidades abrangem modelos mais rápidos, mais econômicos e especializados em proteção digital.
O principal lançamento é o Gemini 3.6 Flash, apresentado pelo Google como o modelo Flash mais avançado da companhia. Este modelo promete aprimoramentos no desempenho em programação, tarefas de conhecimento e recursos multimodais, ao mesmo tempo que consome 17% menos tokens que sua antecessora, resultando em redução de custos operacionais.
Junto ao Gemini 3.6 Flash, foram lançados o Gemini 3.5 Flash Cyber, focado na identificação e correção de falhas em softwares, e o Gemini 3.5 Flash-Lite, projetado para lidar com grandes volumes de trabalho e agentes de IA capazes de agir de maneira autônoma.
A segurança é um diferencial chave desta nova geração de modelos, segundo o Google. O Gemini 3.6 Flash foi fortalecido para apresentar maior resistência a usos indevidos em ataques cibernéticos, sem prejudicar as aplicações legítimas.
Entre os anúncios importantes, destacam-se: o Gemini 3.6 Flash, por ser mais econômico e eficiente; o Gemini 3.5 Flash Cyber, dedicado à segurança digital; o Gemini 3.5 Flash-Lite, destinado a agentes de IA e tarefas em grande escala; e o início do pré-treinamento do Gemini 4.
Em testes realizados pela própria empresa, o Gemini 3.5 Flash Cyber detectou 55 problemas no mecanismo V8 JavaScript Engine, incluindo 10 vulnerabilidades que outros modelos não haviam conseguido identificar. Devido a isso, seu acesso inicial será restrito a governos e parceiros considerados confiáveis.
Enquanto os novos modelos chegam ao mercado, o Google comunicou que o Gemini 3.5 Pro permanece em fase de testes e será disponibilizado assim que estiver pronto. Além disso, a companhia revelou ter iniciado o pré-treinamento do Gemini 4, indicando que a próxima iteração da plataforma já está em desenvolvimento.
Paralelamente, o Gemini 3.6 Flash e o Flash-Lite começam a ser liberados para desenvolvedores, empresas e usuários do aplicativo Gemini. O Flash-Lite também passará por uma integração gradual com a Pesquisa do Google.
Nos últimos meses, a competição por modelos cada vez mais especializados e eficientes tem sido acirrada entre Google, OpenAI, Anthropic, Meta e diversas startups chinesas. Com estes novos lançamentos, o Google busca recuperar espaço em uma disputa que evolui rapidamente, onde fatores como custo, desempenho e segurança passaram a ter peso comparável à qualidade das respostas.
Cientistas buscam entender o segredo da durabilidade excepcional das construções antigas, na esperança de encontrar maneiras de criar materiais de construção mais resistentes. Na Itália, é possível ver edifícios, estradas e aquedutos construídos com concreto que existem há cerca de dois mil anos. Frequentemente, os italianos encontram ruínas preservadas entre as estruturas modernas, como uma vila romana descoberta por estudantes em uma escola pública de Roma.
Surgiu a questão: em que o concreto do Império Romano difere do moderno, que dura menos de um século? Por que muitas pontes e edifícios construídos há apenas algumas décadas já apresentam rachaduras e danos estruturais?
Por muito tempo, cientistas tentaram desvendar os mistérios da resistência do concreto romano. Inicialmente, a teoria principal era um processo químico — a reação pozolânica. Essa reação ocorre entre materiais finamente particulados contendo sílica (conhecidos como pozolanas), cal hidratada e água, formando uma solução.
Nas construções romanas, as pozolanas eram cinzas vulcânicas, e a solução era misturada com brita, pedras e água salgada. A água do mar contribuiu para a formação de um mineral ainda mais único — a tobermorita. Este foi o ponto chave: ao entrar em contato com o ar marinho, a tobermorita se regenerava sozinha, preenchendo rachaduras e poros.
No entanto, uma nova pesquisa sugere que há algo mais por trás da durabilidade do concreto. O trabalho, publicado na revista científica Science Advances, foi resultado de uma viagem à Villa Adriana, localizada a 17 quilômetros de Roma. Vale notar que as vilas romanas não eram pequenas aldeias rurais; o nome refere-se a grandes propriedades que podiam servir como centros de pequenos grupos agrícolas.
Na Villa Adriana, há uma latrina pública com 1900 anos em seu estado original. Paolo Monteiro, coautor da pesquisa e engenheiro civil da Universidade da Califórnia em Berkeley, declarou à Scientific American: «Ninguém restaura a latrina. Portanto, o material permaneceu intacto por 19 séculos, conduzindo silenciosamente um experimento que nenhum ser humano vivo poderia iniciar».
Os pesquisadores coletaram uma amostra de concreto sob o assento sanitário. O fragmento foi examinado por vários métodos: sob microscópio potente, por tomografia de raios-X e análise química da composição. Como esperado, a amostra continha sinais de que a mistura de reação pozolânica — cinza vulcânica, cal e água — havia se unido, formando um material. No entanto, um exame mais detalhado dos poros e fissuras mostrou que a calcita, um mineral composto por cálcio, carbono e oxigênio, era o principal agente ligante.
A calcita se forma pela reação de compostos de cálcio do concreto com o dióxido de carbono atmosférico. Este mineral preenche pequenas rachaduras e poros no concreto, permitindo que antigas estruturas se fortaleçam e se recuperem com o tempo.
Monteiro observou em sua declaração: «Embora a reação pozolânica seja fundamental, nossas descobertas sugerem que a carbonatação ao longo de um longo período também aumenta a durabilidade do concreto e pode ajudar a selar rachaduras com o passar do tempo». Ele também enfatizou que a tobermorita se forma apenas em contato com a água do mar, portanto, essas duas explicações não se contradizem, mas descrevem diferentes tipos de concreto romano. A tobermorita é encontrada em estruturas em contato com o mar, como portos e quebra-mares, enquanto a calcita, a protagonista da nova pesquisa, é o principal agente ligante em construções terrestres, como a latrina analisada, distante da costa. Assim, os romanos usavam diferentes receitas dependendo da finalidade da estrutura.
Os cientistas esperam que a compreensão da composição do concreto romano ajude os especialistas modernos a criar concreto com menor impacto ambiental. Atualmente, o concreto é um dos materiais mais consumidos no mundo, e sua produção gera cerca de 8% das emissões globais de dióxido de carbono. A ONU prevê que metade dos edifícios existentes em 2050 ainda não foram construídos, tornando urgente o desenvolvimento de métodos menos agressivos para o meio ambiente.
Os autores do estudo também alertam que esse processo de carbonatação é extremamente lento — leva séculos, e não se pode presumir que sua reprodução trará um benefício climático significativo na vida útil de um edifício moderno. A esperança reside mais na compreensão dos mecanismos de durabilidade do que na cópia direta da velocidade do processo romano. Monteiro concluiu em sua declaração: «Este estudo demonstra como o estudo de técnicas de engenharia antigas pode levar a descobertas importantes. Esperamos que, ao desvendar os segredos romanos para aumentar a durabilidade do concreto, alcancemos um dia o desenvolvimento sustentável das infraestruturas modernas».
Um asteroide com dimensões equivalentes a um navio de cruzeiro realizará um dos maiores encontros previstos entre a Terra e um asteroide pela ciência, agendado para 13 de abril de 2029. Este evento ocorrerá em uma região próxima ao planeta, mas não representa perigo de colisão.
Com um diâmetro estimado em cerca de 375 metros, o asteroide Apophis passará a uma distância de aproximadamente 32 mil quilômetros da superfície terrestre, uma proximidade menor do que a órbita de muitos satélites geoestacionários. Estima-se que cerca de 90% da população mundial possa testemunhar este fenômeno no céu, dependendo das condições atmosféricas.
As projeções sobre a passagem do Apophis foram detalhadas durante o workshop "Apophis T-3 Years: Knowledge Opportunities for the Science of Planetary Defense", realizado em junho na Universidade de Pádua, na Itália. Os pesquisadores apresentaram mapas indicando as áreas globais onde a trajetória do objeto poderá ser vista. A rota aparente do asteroide deve ser observada por cerca de sete horas, iniciando-se na Austrália e na Ásia, alcançando maior luminosidade sobre a África e finalizando sobre o Atlântico Norte.
A América do Norte será a única região onde as condições climáticas não serão favoráveis para a observação. Para aqueles em locais apropriados, o Apophis não aparecerá como um meteoro rápido, mas sim como um ponto luminoso movendo-se lentamente entre as estrelas.
Apesar da proximidade notável, a NASA confirmou que não há risco de impacto durante a aproximação de 2029 nem nos próximos cem anos. O grande interesse científico reside justamente na curta distância entre o asteroide e a Terra, visto que um corpo deste porte tipicamente realiza uma passagem tão próxima apenas a cada cinco a dez mil anos, configurando uma chance rara para a geração atual.
Richard Binzel, astrônomo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), enfatizou o valor histórico da observação, declarando que "Esta é a primeira vez que conseguimos prever, na história da humanidade, a passagem visível de um asteroide pela Terra". Para ele, acompanhar o movimento do Apophis é uma experiência coletiva de contemplação espacial e uma oportunidade de entender a posição da Terra no universo.
A aproximação servirá também para expandir o conhecimento sobre esses corpos celestes. A Agência Espacial Europeia está preparando a missão Ramses, que irá se aproximar do asteroide antes da passagem e monitorá-lo durante o sobrevoo próximo. O propósito desta missão é investigar possíveis modificações causadas pela gravidade terrestre no asteroide, abrangendo alterações em sua forma, rotação, superfície e estrutura interna.
Adicionalmente, a NASA realocou a espaçonave OSIRIS-APEX, antes conhecida como OSIRIS-REx, para estudar o Apophis após a aproximação. Esta sonda havia sido responsável pela coleta de amostras do asteroide Bennu antes de assumir a nova tarefa. Segundo a ESA, a influência gravitacional pode causar transformações, como o deslocamento de materiais superficiais e a exposição de elementos preservados desde a formação do Sistema Solar, há mais de quatro bilhões de anos.
Patrick Michel, diretor de pesquisa do CNRS no Observatoire de la Côte d’Azur, salientou a singularidade científica do momento em um comunicado da ESA, afirmando: "Pela primeira vez, a natureza está trazendo um deles até nós e conduzindo o experimento por conta própria. Tudo o que precisamos fazer é observar". As descobertas dessas missões podem apoiar estudos futuros de defesa planetária, fornecendo dados sobre composição, estrutura e comportamento de asteroides para auxiliar estratégias internacionais contra objetos em rota de colisão.
O Google anunciou na terça-feira, dia 21, a finalização da ligação de um novo cabo submarino transatlântico na cidade de Sines, em Portugal. Esta nova infraestrutura estabelece mais uma via de transmissão de dados entre os Estados Unidos e a Europa, num período de grande aumento na procura por serviços de inteligência artificial (IA) e computação em nuvem.
Este cabo, batizado de Nuvem em alusão à palavra portuguesa para 'cloud', liga Myrtle Beach, no estado da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, a Sines, situada ao sul de Lisboa. O percurso do cabo atravessa as Bermudas e os Açores antes de alcançar o território português.
Segundo informações do Google, o sistema Nuvem possui uma extensão aproximada de sete mil quilômetros e é composto por dezesseis pares de fibras ópticas. Sua capacidade total projetada atinge cerca de 384 terabits por segundo. Giorgia Abeltino, chefe de Assuntos Governamentais e Políticas Públicas do Google Cloud para a região EMEA, declarou que este projeto se insere numa estratégia mais vasta focada no fortalecimento da infraestrutura digital.
Ela acrescentou que o cabo apoia uma visão para que Portugal e a Europa aumentem os investimentos em infraestrutura estratégica, essencial para sustentar a economia digital. É importante notar que os cabos submarinos funcionam como a espinha dorsal da internet global, sendo responsáveis por transportar mais de 95% de todo o tráfego mundial de dados.
A chegada deste novo cabo consolida a posição de Portugal como um ponto estratégico para conexões intercontinentais. Atualmente, o país já dispõe de outros dois cabos de alta capacidade: o Equiano, operado também pelo Google, que conecta Portugal à África do Sul, e o EllaLink, que liga Sines diretamente ao Brasil.
Durante a cerimônia de inauguração, Gonçalo Matias, ministro da Reforma do Estado e Inovação de Portugal, enfatizou que o projeto faz parte de um plano nacional para converter o país em um polo de inovação, IA e data centers, ao mesmo tempo em que eleva a resiliência e a soberania digital europeia. Ele afirmou que Portugal está se tornando a 'porta de entrada atlântica da Europa, o ponto de encontro de três continentes: Europa, África e as Américas'.
A localização costeira atlântica de Portugal é vista pela empresa como um fator privilegiado para a instalação de cabos submarinos intercontinentais, o que também atrai investimentos em data centers destinados ao desenvolvimento e operação de sistemas de IA. Além disso, Portugal planeja aproveitar sua abundante energia renovável de baixo custo, gerada por fontes solar, eólica e hidrelétrica, possuindo mais de 2,6 gigawatts de capacidade energética em desenvolvimento.
Entre os projetos destacados está o Start Campus, localizado em Sines, com capacidade prevista de 1,2 gigawatt. Essa iniciativa deve receber benefícios dos investimentos da Microsoft em infraestrutura para IA e prevê uma expansão considerável nos próximos anos.