Os ecossistemas subaquáticos contêm muitos segredos, incluindo ambientes marinhos frágeis e infraestruturas críticas, como recifes de coral, cascos de navios, oleodutos subaquáticos, barragens, túneis e pontes. Por muito tempo, a inspeção dessas áreas exigiu o envio de mergulhadores em condições complexas e frequentemente perigosas.
O Problema das Inspeções Subaquáticas
Em condições de forte ondulação ou em caso de emergência, as inspeções podiam ser adiadas por vários dias enquanto as equipes aguardavam a chegada dos mergulhadores. Foi esse problema que levou dois engenheiros a se perguntarem: se os robôs são capazes de transformar armazéns, fábricas e hospitais, por que ainda se envia pessoas para as zonas subaquáticas mais perigosas?
Essa questão levou à criação do EyeROV. A empresa, fundada em 2017 pelos formandos do IIT John T Matai e Kannappa Palaniappan, desenvolve robôs subaquáticos domésticos baseados em inteligência artificial. Esses sistemas são projetados não apenas para verificar infraestruturas, mas também para ajudar cientistas no estudo de ecossistemas marinhos e no monitoramento de recifes de coral nas ilhas Andaman e Lakshadweep.
O Caminho para a Criação do EyeROV
A jornada dos fundadores até o EyeROV começou longe do mar. John e Kannappa eram amigos desde a faculdade, mas seguiram caminhos diferentes. Kannappa estudou no Instituto de Tecnologia da Índia de Madras, e John no Instituto de Tecnologia da Índia de Delhi. Após obterem mestrado, John juntou-se à Samsung Research and Development, mas seu interesse em robótica logo o levou à GreyOrange, uma das primeiras startups indianas de robótica.
O trabalho lá mostrou-lhe que os engenheiros indianos podem criar empresas de robótica globalmente competitivas. Enquanto isso, Kannappa enfrentou um problema diferente no mar. Trabalhando com cientistas a bordo de um navio, ele testemunhou as consequências de colisões de navios, que exigiram uma inspeção urgente do casco submerso. No entanto, não havia mergulhador imediatamente disponível. Até mesmo um pequeno atraso no oceano aberto poderia se tornar um sério problema operacional.
Desenvolvimento de Sistemas Robóticos
Quando os amigos retomaram o contato e compararam suas experiências, perceberam que a inspeção subaquática ainda dependia fortemente de mergulhadores e identificaram uma lacuna óbvia. Decidiram criar uma alternativa. Hoje, o EyeROV opera a partir do campus Maker Village na Zona de Inovação Tecnológica de Kerala em Kochi, e também tem um escritório em Nova Deli.
A empresa desenvolveu vários sistemas robóticos marítimos para diferentes condições subaquáticas. Seu robô de inspeção compacto TUNA é equipado com câmeras HD e 4K e pode mergulhar a uma profundidade de até 300 metros. A plataforma de inspeção maior, SAGARA, utiliza câmeras duplas 4K com zoom de 10 vezes e pode mover-se em seis direções, permitindo tarefas mais complexas. O navio autônomo Sea Serpent é projetado para vigilância costeira e monitoramento. Além disso, a empresa desenvolveu o TSROV, um robô capaz de navegar em túneis e dutos estreitos a uma distância de até 10 quilômetros, útil para inspeções de infraestrutura. Outra plataforma, iBOAT ALPHA, é usada para mapeamento hidrográfico e levantamentos batimétricos. Juntos, esses sistemas representam uma alternativa indiana às tecnologias de robótica marítima importadas.
Aplicação da Inteligência Artificial
A inspeção subaquática raramente é simples. Rios turvos, reservatórios profundos e túneis danificados frequentemente reduzem a visibilidade a quase zero. É aí que entra a plataforma de inteligência artificial do EyeROV, EVAP. Depois que o robô subaquático entra na água, os operadores o controlam remotamente através de uma estação de controle, e os fluxos de vídeo são transmitidos para a superfície. Em seguida, a plataforma de IA processa essas imagens para identificar defeitos, criar modelos digitais e formar reconstruções visuais mais claras de estruturas subaquáticas.
Isso permite que os engenheiros detectem corrosão, rachaduras, vazamentos e fraquezas estruturais sem a necessidade de penetração física na água. Para os pesquisadores marinhos, isso abre novas possibilidades: cientistas que estudam recifes de coral em Andaman e Lakshadweep podem coletar dados visuais detalhados remotamente, reduzindo a necessidade de mergulhos repetidos que podem perturbar ecossistemas sensíveis. Mesmo em condições de baixa visibilidade, a visualização aprimorada ajuda os pesquisadores a monitorar de forma mais eficaz a saúde dos recifes, a biodiversidade e as condições ambientais.
Conservação de Recifes de Coral
Os recifes de coral são alguns dos ecossistemas marinhos mais vulneráveis da Índia. O aumento da temperatura do mar, a poluição e os danos físicos continuam a pressionar esses habitats. O monitoramento é dificultado porque muitos sistemas de recifes estão localizados em zonas ecologicamente sensíveis, onde a atividade humana frequente pode ser destrutiva por si só.
Os robôs subaquáticos do EyeROV oferecem um método de observação menos invasivo desses ecossistemas. Os robôs registram vídeos de alta qualidade e dados ambientais, minimizando a intervenção humana direta. Para os cientistas, isso significa uma compreensão mais profunda do estado dos recifes, eventos de branqueamento e mudanças na biodiversidade. A empresa já apoiou pesquisas sobre biodiversidade marinha nos arquipélagos de Andaman e Lakshadweep, contribuindo para os esforços atuais de conservação. Este é um exemplo de como a tecnologia desenvolvida para a indústria também pode contribuir para a proteção ambiental.
Perspectivas de Desenvolvimento do Setor
Para as comunidades costeiras e indústrias, inspeções subaquáticas seguras podem reduzir paralisações e aumentar a segurança. Para os cientistas, melhor visibilidade subaquática significa dados de melhor qualidade e uma compreensão mais clara dos ecossistemas marinhos em mudança. Para a Índia, isso demonstra o crescimento do setor nacional de robótica marítima, criado por engenheiros indianos.
O trabalho do EyeROV está mudando a abordagem das inspeções subaquáticas, substituindo mergulhos humanos arriscados em locais que podem ser perigosos, inacessíveis ou ecologicamente sensíveis. Assim, esses robôs ajudam pesquisadores, engenheiros e especialistas em conservação a entender melhor o mundo que permanece em grande parte oculto sob as ondas.