A produção de piri-piri está sendo promovida pelo Parque da Gorongosa como uma maneira confiável de gerar renda para as famílias rurais, servindo como complemento às culturas alimentares existentes e diversificando os meios de subsistência, conforme dados do projeto consultados pela Lusa.
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Escopo do Projeto e Produtores
Este projeto abrange 245 produtores dessa cultura, distribuídos em 45 comunidades localizadas nos distritos de Gorongosa, Nhamatanda, Muanza, Cheringoma e Maríngue, todos situados na província de Sofala, no centro do país. A área total dedicada ao cultivo soma 28 hectares.
Benefícios Econômicos e Suporte
Os agricultores beneficiam-se do acesso a sementes certificadas, suporte técnico, sistemas de irrigação e garantia de mercados, o que resulta no aumento da produtividade, na redução de riscos econômicos e no fortalecimento da estabilidade financeira de suas famílias. Desde janeiro, a produção da cultura alcançou 5,1 toneladas de piri-piri. Até o ano de 2025, os participantes do projeto já receberam um montante total de 7.510 dólares (equivalente a 6.568 euros) proveniente da venda de seis toneladas de piri-piri fresco.
Inovação e Sustentabilidade
Atualmente, a iniciativa trabalha com duas variedades específicas da cultura: «Olho-de-pássaro» e «Cayenne longa». Além de fornecer insumos e assistência, o projeto visa estabelecer uma cadeia de valor sustentável e inclusiva para o piri-piri da Gorongosa, gerando renda rural enquanto apoia a conservação da biodiversidade.
Mitigação de Conflitos com Fauna
Um aspecto crucial destacado pelo parque é o uso do piri-piri como ferramenta para amenizar os conflitos entre comunidades e elefantes, um desafio comum nas áreas vizinhas ao parque. Devido à sensibilidade desses animais à capsaicina, o composto responsável pelo sabor picante do fruto, a cultura pode ser empregada como uma barreira natural para dissuadir a entrada de elefantes nos campos de plantio. Quando integrado em faixas de proteção ao redor das áreas agrícolas, o cultivo ajuda a diminuir os prejuízos às colheitas, reduz o atrito entre humanos e vida selvagem, e fomenta uma convivência pacífica entre as comunidades e a fauna.
Práticas Agrícolas e Comercialização
Adicionalmente, a iniciativa incentiva a implementação de práticas de agricultura regenerativa, visando restaurar a qualidade do solo, preservar a água, minimizar a erosão e aumentar a capacidade das comunidades rurais de resistir às mudanças climáticas. O piri-piri produzido é comercializado sob a marca «A Nossa Gorongosa», disponível em formas como molho doce, molho picante e flocos, nas capitais provinciais do país. O projeto também gerou cinco vagas de emprego na unidade local de processamento, preenchidas por três mulheres e dois homens.
Histórico e Conservação do Parque
Fundado em 1960, o parque sofreu uma perda quase total de sua fauna de grande porte durante os períodos de guerra. Contudo, graças a uma «visão ousada de restauração» e aos «esforços de translocação», hoje mais de 110.000 animais de grande porte habitam o Parque Nacional da Gorongosa. No ano passado, o parque registrou a presença de 110.513 animais de «grande porte» em um levantamento aéreo, marcando um registro histórico de contagem de espécies na área protegida central de Moçambique. Em 2008, Greg Carr, um filantropo americano, firmou um acordo de gestão de 20 anos com o governo moçambicano, que foi estendido por mais 25 anos em 2018, resultando em renovações em diversas frentes, incluindo projetos sociais ligados à conservação e o crescimento populacional de animais de 10.000 para mais de 100 mil.