Carlos Delima, em uma conferência online organizada pela ONG Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), destacou a grande generosidade da comunidade portuguesa. Ele afirmou que esta comunidade tem oferecido auxílio rápido, abrangendo suprimentos alimentares, equipamentos e outros itens, em um período pouco tempo após os duplos sismos que atingiram a Venezuela.
Situação humanitária pós-sismo
O Arcebispo de Caracas, Raúl Biord Castillo, que também participou do evento, levantou preocupações sobre as pessoas desalojadas, que estão vivendo em tendas durante um período de chuvas intensas. Ele relatou que bairros inteiros e urbanizações foram destruídos, resultando em milhares de mortos e na destruição de inúmeras residências, edifícios, escolas, hospitais e igrejas, forçando muitas pessoas a viverem em tendas cobertas com plástico.
Castillo alertou que, estando no inverno tropical, a alta pluviosidade agrava a crise. Embora o Governo venezuelano esteja realocando pessoas para acampamentos temporários e permanentes, ele enfatizou que o número de desabrigados é excessivamente alto e não será suprido a curto prazo, visto que não há estruturas seguras ou salas de aula disponíveis.
Posicionamento governamental e apoio religioso
Sobre a gestão do Governo venezuelano, liderado pela Presidente interina Delcy Rodríguez, o arcebispo mencionou que o sismo ocorreu em um momento de 'processo político complicado, mas, ao mesmo tempo, de abertura'. Ele defendeu que o governo permitiu o acesso da Igreja a diversas áreas, facilitando a distribuição de alimentos, medicamentos e outros suprimentos.
A Igreja Católica, por sua vez, assumiu o compromisso de auxiliar na reconstrução das extensas áreas afetadas em Caracas e La Guaira, prometendo facilitar a chegada de ajuda para restaurar escolas, hospitais, centros de saúde e igrejas. Castillo informou que há aproximadamente 35 igrejas danificadas entre Caracas e La Guaira, e ressaltou a importância das imagens veneradas nesses locais para manter a fé e a esperança das pessoas.
Esforços de reconstrução e busca por vítimas
Em relação à solução para os milhares de desalojados, a líder interina venezuelana inspecionou terrenos no estado de La Guaira, onde foram avaliados cerca de 580 mil metros quadrados para a construção de mais de 25 mil moradias. O arcebispo venezuelano também comunicou que cerca de 2.500 paróquias estão recebendo assistência via Cáritas, sendo essa ajuda distribuída por padres e freiras em uma rede estabelecida pela própria Igreja, visando fortalecer e apoiar essas comunidades.
Adicionalmente, Raúl Biord Castillo declarou que, quase um mês após o duplo sismo, era necessário iniciar a busca pelos corpos, um passo considerado de extrema importância pelas famílias para que possam realizar um sepultamento digno.
Balanço dos sismos
Os sismos registrados na Venezuela em 24 de junho resultaram em um balanço oficial de pelo menos 5.346 mortos e 16.740 feridos. Entre os falecidos, há pelo menos 121 portugueses e descendentes lusitanos, além de outros 49 pessoas desaparecidas. A Venezuela abriga uma das maiores comunidades de emigrantes portugueses e lusodescendentes globalmente. Vários países, incluindo Portugal e membros da União Europeia (UE), enviaram equipes de resgate para o país. Os eventos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilômetros de Caracas, com menos de um minuto de separação, e foram seguidos por centenas de réplicas, conforme dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos.