Uma mulher de 68 anos, Rovina, compartilha suas impressões sobre como sua vida ganhou um novo significado depois que ela começou a participar ativamente de viagens e eventos. Em uma foto, ela é retratada em frente a um arranha-céu brilhante em Dubai, e em outra, rindo com um grupo de mulheres durante um safári no deserto.
Novo começo após a aposentadoria
Rovina conta aos seus filhos sobre viagens, incluindo longas caminhadas, danças, compras e conversas prolongadas no café da manhã. Ela observa que antes achava que a vida desacelerava com a idade, mas agora sente que começou a viver plenamente novamente. Para ela, isso não foi apenas férias, mas um processo de autoconhecimento.
Rovina não está sozinha em seu desejo de começar um novo capítulo após o fim da carreira. Em cidades como Mumbai, Bengaluru, Delhi, Pune e Chennai, centenas de idosos começam a frequentar aulas de ioga, participar de sessões de dança, jogar pickleball com seus cônjuges, viajar com estranhos que se tornam companheiros ou simplesmente encontrar pessoas com ideias semelhantes que entendem esta fase da vida.
Criação da plataforma WalkAbout
Muitas dessas histórias transformadoras começam na plataforma WalkAbout, uma comunidade focada em pessoas ativas acima de 55 anos. Esta plataforma foi criada para dar aos idosos um espaço fora de casa e família, incentivando-os a explorar novos interesses, fazer amizades e aproveitar ao máximo a fase da vida que muitas vezes é definida por limitações, e não por possibilidades.
A ideia do WalkAbout surgiu de uma observação pessoal do fundador, Deval Devalive. Anteriormente trabalhando na Uber e vivendo nos EUA, ele notou diferenças significativas na percepção do envelhecimento no exterior em comparação com a Índia. Ele observou que em países como os EUA, pessoas de setenta anos continuam dirigindo, viajando, trabalhando e aprendendo novos hobbies, enquanto na Índia a opinião pública sobre o envelhecimento não mudou, e frequentemente lhes dizem o que não devem fazer, em vez de perguntar o que eles querem experimentar.
O cofundador Ashwini Kapila se inspirou em sua própria transição após 28 anos de trabalho no setor bancário em instituições como Merrill Lynch e Barclays. Ele declarou que decidiu criar algo significativo aos cinquenta anos. Para ele, o envelhecimento ativo está intimamente ligado à aprendizagem contínua, curiosidade, viagens e interação constante com pessoas e eventos.
Terceiro espaço para longevidade ativa
O WalkAbout foi fundado com um conceito simples, mas poderoso: os idosos precisam de espaços fora de casa e família onde possam continuar a se desenvolver, socializar e sentir-se importantes. A startup, que anteriormente operava sob o nome GetSetUp India, mudou de marca em janeiro de 2025 e hoje atende mais de 100.000 idosos em toda a Índia.
A plataforma oferece mais de 100 eventos presenciais e mais de 1000 experiências digitais, incluindo programas de bem-estar, clubes de aprendizado, excursões culturais e viagens turísticas cuidadosamente selecionadas. O conceito central é o de 'terceiro espaço' — um lugar onde as pessoas podem pertencer fora das obrigações de trabalho ou rotinas domésticas. Deval enfatiza que o senso de propósito nem sempre deve vir do salário, mas as pessoas precisam de rotina, comunidade, curiosidade e conexão.
A plataforma utiliza uma combinação de acesso por aplicativo, gerenciamento de comunidade via WhatsApp e encontros presenciais, facilitando a participação até mesmo para aqueles que são menos confiantes em tecnologia. O custo dos eventos começa em cerca de 500 rúpias, e as viagens internas e internacionais custam a partir de 35.000 rúpias, dependendo do destino e formato.
Os fundadores observam que grande parte da inspiração veio durante a pandemia de COVID-19, quando idosos em toda a Índia começaram a recorrer a plataformas digitais para socializar, aprender e ter companhia. Deval explica que não havia falta de vontade, mas sim hesitação: as pessoas duvidavam se poderiam ensinar ioga online ou cantar e dançar novamente após décadas. Eles perceberam que as pessoas só precisavam de um ambiente seguro e encorajador.
Histórias dos participantes da plataforma
Hoje, a comunidade WalkAbout inclui professores aposentados experimentando stand-up comedy, ex-banqueiros estudando cerâmica, avós participando de sessões de fitness juntos e casais redescobrindo interesses comuns após décadas em que colocaram as necessidades dos outros em primeiro lugar. A plataforma, essencialmente, está ligada não tanto às atividades em si, mas à formação de identidade.
O casal Meera e AP Ramana encontrou no WalkAbout a oportunidade de redescobrir um ao outro e experiências conjuntas que haviam adiado há muito tempo devido à agenda de trabalho e responsabilidades familiares. Após a aposentadoria, eles tiveram tempo, mas não sabiam como preenchê-lo. Através do WalkAbout, eles começaram a planejar eventos, como aulas de bem-estar, encontros sociais, workshops e jogos de pickleball, o que lhes permitiu sentir novamente a alegria de passar tempo juntos, comparável ao início de um namoro.
Para Meera, uma das mudanças mais significativas foi emocional: ela percebeu que a solidão pode infiltrar-se silenciosamente na vida nessa idade, e que a comunidade é de suma importância. Hoje, sua agenda está repleta de experiências que antes considerava inacessíveis devido à idade.
Mudança de paradigma sobre o envelhecimento
A Índia está passando pelo que os especialistas chamam de 'Dividendo Prateado' — uma população de idosos em rápido crescimento que é mais saudável, ativa e ambiciosa do que gerações anteriores. No entanto, os debates sobre envelhecimento ainda se concentram em dependência e declínio. Os fundadores do WalkAbout acreditam que é hora de mudar essa visão. Deval afirma que não se pode ver os idosos como receptores passivos de ajuda; eles são indivíduos experientes e capazes que desejam continuar contribuindo, aprendendo, viajando e construindo relacionamentos significativos.
Para Rovina, a lição mais importante foi a coragem. Ela aconselha não esperar que a vida chegue sozinha, mas sair da zona de conforto em qualquer idade, conhecer pessoas e experimentar coisas novas, pois ela merece ser feliz. Meera concorda com esse pensamento, lembrando que, ao dedicar tanto tempo ao cuidado dos outros, é preciso encontrar tempo para cuidar de si mesma.