A Alphabet enfrenta uma pressão crescente de investidores ao se aproximar da divulgação de seus resultados do segundo trimestre. Essa pressão é agravada pelo adiamento do lançamento de um modelo estratégico de inteligência artificial (IA), somando-se às dúvidas sobre o retorno dos grandes investimentos feitos em infraestrutura de data centers.
Contexto de Desempenho e Inovação
Este cenário contrasta com o otimismo de meses anteriores, quando a companhia superou as expectativas graças ao sólido desempenho de sua unidade de computação em nuvem. A controladora do Google apresentará seus números financeiros do segundo trimestre na quarta-feira, dia 22. Um dos pontos de maior interesse para o mercado é o adiamento do Gemini 3.5 Pro, que seria o próximo modelo principal de IA da empresa.
Originalmente programado para junho, este modelo visava fortalecer a posição da Alphabet no mercado de aplicações de IA agêntica e ferramentas de programação baseadas em IA. Contudo, a empresa conseguiu aliviar parte dessa apreensão na terça-feira, dia 21, ao disponibilizar outras atualizações para o Gemini.
Concorrência e Custos da IA
O atraso do Gemini 3.5 Pro ocorre em um momento de intensificação da competição, visto que modelos abertos chineses estão ganhando terreno contra os principais laboratórios sediados nos Estados Unidos na disputa por clientes. Adicionalmente, há crescentes receios sobre os altos custos inerentes ao desenvolvimento de IA, levantando a suspeita de que grandes corporações de tecnologia podem estar investindo em capacidade superior à demanda futura.
Dave Wagner, gestor de portfólio da Aptus Capital Advisors, comentou à Reuters que, embora o Google possa estar ficando para trás na programação com IA — o que ele considera uma preocupação real e crescente —, a estratégia do Google está integralmente focada em seu ecossistema.
Investimentos e Desempenho das Ações
Em abril, a Alphabet revisou para cima suas projeções de investimento em capital para 2026, estimando despesas entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões. Paralelamente, a empresa anunciou planos para levantar cerca de US$ 85 bilhões através de ofertas de ações, incluindo um aporte da Berkshire Hathaway.
Desde o final de abril, as ações da Alphabet registraram uma queda de aproximadamente 9%, período em que a companhia havia alcançado um crescimento de 63% nas vendas de sua divisão de nuvem. Devido a esse desempenho, os papéis ficaram atrás de outras companhias que fazem parte do grupo conhecido como “As Sete Magníficas”.
Além da pressão financeira e da movimentação recente das ações, a empresa também perdeu talentos importantes para concorrentes. Entre esses profissionais estão Noam Shazeer, co-líder do projeto Gemini, e John Jumper, laureado com o Prêmio Nobel e considerado um executivo-chave do Google DeepMind.
Apesar desses obstáculos, analistas apontam que a principal vantagem competitiva da Alphabet na corrida da IA reside em sua vasta rede de distribuição voltada ao consumidor, aliada aos seus modelos de IA, infraestrutura de computação em nuvem e chips próprios.
Olhando para o acumulado de 2026, as ações da companhia ainda mostram uma valorização próxima de 13%, posicionando a Alphabet como a segunda empresa com melhor desempenho entre as membros do grupo “As Sete Magníficas”.
Projeções de Receita para o Segundo Trimestre
Para o segundo trimestre, os analistas preveem apenas uma modesta desaceleração no crescimento da receita em comparação com os primeiros três meses de 2026, mantendo a divisão de nuvem como o principal motor dos resultados.
De acordo com dados compilados pela LSEG, espera-se que a Alphabet gere US$ 116,9 bilhões (R$ 594,7 bilhões) entre abril e junho, o que representa um aumento de 21,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A previsão também indica que as vendas da divisão de computação em nuvem devem manter uma taxa de expansão de 64%, enquanto a receita gerada por publicidade deve crescer de maneira mais contida, em 13,7%.
O bom desempenho da área de nuvem tem sido impulsionado pela ampliação dos contratos ligados aos chips personalizados de IA desenvolvidos pelo Google, incluindo acordos multimilionários fechados com a Meta e a Anthropic.