No setor de infraestrutura de abastecimento de água, Moçambique tem como objetivo garantir 876.335 novas ligações domésticas até 2036. Deste número, mais de 801 mil são destinados a áreas urbanas e mais de 75 mil a áreas rurais.
No setor de infraestrutura de abastecimento de água, Moçambique tem como objetivo garantir 876.335 novas ligações domésticas até 2036. Deste número, mais de 801 mil são destinados a áreas urbanas e mais de 75 mil a áreas rurais.
O Ministro dos Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, declarou na abertura do Conselho Nacional para Implementação e Alinhamento Institucional da empresa Águas de Moçambique. Ele também observou que o plano prevê a construção de 5.336 fontes e 20.074 poços dispersos para garantir o acesso da população à água.
Fernando Rafael apelou aos dirigentes da empresa estatal por uma gestão eficaz, insistindo no controlo rigoroso do trabalho das equipas e na resposta às necessidades dos residentes. O governo de Moçambique desenvolveu uma estratégia para fortalecer o abastecimento de água e melhorar a qualidade dos serviços prestados pela Águas de Moçambique.
Em 18 de maio, o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, anunciou a captação de quase 3,95 mil milhões de euros até 2036 para investimentos em abastecimento de água e saneamento no âmbito do Programa ProÁguas — Contrato Nacional de Segurança Hídrica 2026–2036. Este programa visa aumentar a cobertura nacional de abastecimento de água para 75% da população até 2036, incluindo 65% em zonas rurais e 92% em cidades, e inclui a construção de barragens, infraestruturas sanitárias e milhares de novas ligações domésticas em todo o país.
Um relatório emitido pela organização internacional independente ACAPS, especializada na análise de crises humanitárias e suporte à tomada de decisões no setor de ajuda humanitária, classifica as condições atuais do El Niño como extremamente fortes e as mais intensas registradas desde 1950.
O documento aponta Moçambique como um dos países com maior probabilidade de sofrer impactos humanitários graves decorrentes ou agravados pelo El Niño no período compreendido entre julho de 2026 e março de 2027. Entre os demais países listados estão Afeganistão, Burkina Faso, Etiópia, Guatemala, Haiti, Honduras, Quénia, Madagáscar, Mali, Paquistão, Filipinas, Somália, Sudão do Sul e Sudão.
A análise prevê que, durante a fase inicial da estação chuvosa de 2026/2027, especificamente em novembro e dezembro, haverá precipitação abaixo da média na África Austral, afetando o sul de Moçambique. Segundo a ACAPS, este cenário pode levar a um começo tardio ou insuficiente da temporada de chuvas, o que comprometeria o plantio de culturas de sequeiro em um momento vital para a produção agrícola regional.
Adicionalmente, espera-se que as temperaturas permaneçam elevadas em toda a África Austral entre julho e dezembro deste ano. Essa condição tende a intensificar a escassez de água, e a persistência do El Niño até o primeiro trimestre do ano seguinte pode alongar as condições de seca durante o restante do período chuvoso.
O relatório indica que a região continuará a enfrentar condições mais secas que a média até o final da estação chuvosa, resultando em colheitas de milho abaixo do esperado, diminuição da disponibilidade de forragem e água para o gado, e consequente deterioração da segurança alimentar ao longo de 2027.
O estudo também destaca um aumento no risco de incêndios florestais e queimadas descontroladas, pois a união de temperaturas mais altas e condições mais secas eleva o perigo de fogo nas áreas de savana árida de Maláui, Moçambique e Zimbabué, entre agosto e outubro.
A ACAPS adverte que os efeitos climáticos podem se somar a outras vulnerabilidades preexistentes. Moçambique, por exemplo, permanece exposto aos impactos da crise internacional de combustíveis e fertilizantes, ligada às recentes instabilidades no Médio Oriente, o que encarece a produção agrícola e os preços dos alimentos.
A organização sustenta que os choques climáticos interagirão com problemas socioeconômicos já existentes, pressionando os meios de subsistência, o acesso à água, a nutrição e os serviços de saúde. A ACAPS enfatiza que Madagáscar, Maláui, Moçambique e Zimbabué são os países com maior risco, pois os choques climáticos agravarão fatores de vulnerabilidade como crises econômicas e conflitos.
Em paralelo, o Governo moçambicano reduziu sua projeção de crescimento econômico de 2,8% para 0,59% em 2026, em função dos prejuízos causados pelas inundações. Um porta-voz do órgão informou, ao término da reunião do Conselho de Ministros, que as enchentes de janeiro de 2026 atingiram aproximadamente 724 mil pessoas nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala, Manica e Zambézia, gerando sérios impactos na pobreza, na segurança alimentar e nos meios de vida.
Inocêncio Impissa detalhou que o Plano Global de Recuperação e Reconstrução pós-inundações, aprovado nessa mesma reunião, totaliza 102 bilhões de meticais (equivalente a 1,4 bilhão de euros). Este plano visa promover uma recuperação sustentável, inclusiva e resiliente nas áreas afetadas, garantindo a estabilidade socioeconômica e o fortalecimento da capacidade de resposta a futuros desastres.
As estimativas governamentais indicam que os danos físicos foram avaliados em 69,5 bilhões de meticais (955 milhões de euros), enquanto as perdas econômicas somam 41,37 bilhões de meticais (569 milhões de euros).