Um grupo de 26 ex-funcionários da Meta, que está movendo uma ação judicial nos Estados Unidos, alega que a empresa utilizou algoritmos de inteligência artificial para determinar quais colaboradores seriam desligados.
Um grupo de 26 ex-funcionários da Meta, que está movendo uma ação judicial nos Estados Unidos, alega que a empresa utilizou algoritmos de inteligência artificial para determinar quais colaboradores seriam desligados.
De acordo com o processo, a Meta não elaborou a lista de cortes com base em avaliações de gestores que conheciam o trabalho dos funcionários. Em vez disso, foram empregados diversos sistemas internos de IA, incluindo um sistema chamado internamente de ‘Metamate’, agentes de ‘segundo cérebro’ treinados pelos próprios colaboradores, além de dados de digitação e monitoramento de atividades e painéis de uso de tokens, que indicam o quanto de IA cada funcionário utilizou em suas tarefas.
A acusação aponta que o processo foi particularmente prejudicial aos funcionários que estavam afastados por motivos de saúde, visto que os algoritmos apenas quantificaram a produtividade individual e selecionaram os alvos do corte, sem considerar licenças médicas. Os 26 autores do processo mencionam que haviam tirado algum tipo de licença desde 2024.
Entre as vítimas supostamente escolhidas pela IA está uma pesquisadora da companhia que teria sido demitida enquanto estava em licença-maternidade, apenas dois dias antes do parto, prática que é ilegal tanto nos EUA quanto no Brasil.
As possíveis demissões automatizadas por IA podem sinalizar um novo declínio nas relações de trabalho, um tema que já foi afetado pela introdução de entrevistas de emprego conduzidas por bots. Ao ser contatada pela mídia dos EUA, a Meta refutou veementemente as acusações, declarando que elas não possuem fundamento fático. A empresa afirmou que todas as decisões de gestão de pessoal e organizacionais são tomadas por seres humanos, e não por IA.
Vinte e seis ex-colaboradores da Meta apresentaram uma acusação formal contra a empresa, alegando que um software baseado em inteligência artificial foi utilizado para determinar quais funcionários seriam desligados durante os processos de demissão (layoffs).
Segundo os ex-funcionários, essa ferramenta teria direcionado de maneira desproporcional indivíduos com deficiências ou aqueles que necessitaram de licenças médicas. Na ação judicial, eles sustentam que a seleção para corte foi fundamentada na produtividade e no uso de tokens de IA. Consequentemente, aqueles que precisaram se afastar por razões de saúde ou familiares foram colocados em desvantagem.
Os requerentes também afirmam que a Meta emprega sistemas de IA para atribuir pontuações aos seus empregados. Entre esses sistemas citados estão o assistente chamado Metamate, descrito como um «segundo cérebro» que acompanha comunicações e documentos, além de um sistema de pontuação de produtividade que analisa o uso do teclado, o conteúdo exibido na tela, e-mails e o histórico de navegação.
Este processo surgiu meses após a Meta realizar um grande desligamento, afetando aproximadamente 8 mil funcionários, o que corresponde a 10% de seu quadro global. Adicionalmente, outros 10% foram realocados para auxiliar no treinamento de novos modelos de IA, realizando a rotulagem de dados.
Os cortes resultaram em uma redução na média salarial anual, que caiu de US$ 417 mil (equivalente a R$ 2,12 milhões) para US$ 388 mil (equivalente a R$ 1,97 milhão). A companhia também havia implementado um software de monitoramento de teclado e mouse para treinar uma IA, mas posteriormente suspendeu esse programa.
Andrew Bosworth, diretor-geral de tecnologia da Meta, teria reconhecido que o moral da equipe atingiu o ponto mais baixo da história da empresa. Apesar disso, a reestruturação ainda não gerou resultados técnicos satisfatórios, levando o CEO Mark Zuckerberg a manifestar insatisfação com o avanço da empresa no setor de agentes de IA.
Do ponto de vista financeiro, contudo, a situação é positiva: a gigante das redes sociais registrou um lucro de US$ 26,8 bilhões (R$ 136,4 bilhões) no primeiro trimestre de 2026.