Em junho, Portugal correspondia a 2% do montante total da dívida de Angola. Estes dados foram apresentados no Museu da Moeda, em Luanda, como parte do balanço do Plano Anual de Endividamento (PAE) referente ao primeiro semestre.
Detalhes do endividamento português
Dorivaldo Teixeira, diretor-geral da Unidade de Gestão da Dívida Pública (UGD) de Angola, explicou à Lusa que a participação de Portugal, inserida entre outros credores internacionais, deve-se ao incremento nos pagamentos efetuados sob a linha de financiamento bilateral. Esta linha, ativa há aproximadamente 12 anos, possibilita o acesso a crédito para projetos em andamento no país, tais como a Marginal da Corimba e a recuperação da Fortaleza do Penedo, em Luanda, além da catedral conhecida como Kulumbimbi, localizada em Mbanza Congo.
Teixeira justificou o destaque dado a Portugal na apresentação afirmando que «à medida que se vai construindo e vamos pagando aos empreiteiros, a dívida vai subir». A linha de crédito concedida por Portugal a Angola atinge um valor global de 3,25 mil milhões de euros, cifra que foi elevada em 750 milhões de euros em julho de 2025, conforme comunicado na ocasião pelo primeiro-ministro Luís Montenegro.
Principais credores de Angola
De acordo com o responsável da UGD, os três principais credores de Angola permanecem os mesmos. O mercado interno registou um aumento na sua relevância, alcançando cerca de 29% (comparado com 28% em 2025). Em seguida, encontra-se o mercado internacional de dívida titulada, onde o Reino Unido subiu de 22% para 25% devido ao investimento em Eurobonds, e a China, cuja fatia diminuiu de 19% para 17%.
Dorivaldo Teixeira também salientou que a tendência da dívida para com a China continua a ser de descida, mencionando que a parte colateralizada, garantida por petróleo, está estimada em cerca de 6,8 mil milhões de dólares (equivalente a 5,8 mil milhões de euros).
Outros atores e projeções futuras
Os Estados Unidos representavam 12% do volume total de dívida (ou 13% em 2025), sendo este endividamento majoritariamente proveniente de instituições multilaterais, especificamente o Banco Mundial e o FMI.
Quanto a um possível retorno aos mercados internacionais no segundo semestre, Dorivaldo Teixeira classificou a situação como «uma incógnita», dependente de dois fatores cruciais: a existência de uma janela de oportunidade com taxas de juro vantajosas e o limite estabelecido no plano anual de endividamento. Adicionalmente, o aumento da receita gerada pelo petróleo, impulsionado pela elevação do preço do crude, pode auxiliar o Estado durante o segundo semestre.
No final de junho, a dívida governamental angolana totalizava 72,04 mil milhões de dólares (61,4 mil milhões de euros), representando um crescimento de 9,12% em comparação com dezembro de 2025.