A Meta iniciou um programa no Brasil destinado a desenvolvedores, estudantes, pesquisadores e profissionais interessados em criar novos aplicativos para seus óculos inteligentes. Esta iniciativa visa expandir a gama de funcionalidades disponíveis no dispositivo.
Programa e Colaboração
Em colaboração com o CEIA-UFG, o programa oferece capacitação, um hackathon e prêmios em dinheiro. Além disso, ele fomenta um debate crucial que acompanha o lançamento desses óculos: a questão da privacidade dos usuários.
Foco no Desenvolvimento Brasileiro
Após alcançar milhões de usuários, os óculos inteligentes da Meta estão entrando em uma nova fase, na qual a empresa busca aumentar o número de aplicativos compatíveis, apostando nos talentos brasileiros para acelerar esse processo. O Programa AI Glasses Brasil, desenvolvido em parceria com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG), convida participantes a conceberem novas aplicações utilizando recursos como câmera, áudio, comandos de voz e inteligência artificial.
As propostas podem abranger diversas áreas, incluindo saúde, educação, acessibilidade, turismo, produtividade e criatividade. O programa está estruturado em várias fases: capacitação técnica online; uma maratona virtual de ideias com mentorias e palestras; um hackathon presencial realizado na sede da Meta em São Paulo para as equipes selecionadas; e, finalmente, a premiação em dinheiro e a entrega dos óculos inteligentes aos vencedores.
Detalhes da Premiação e Inscrições
As inscrições permanecem abertas até o dia 30 de julho. As equipes que avançarem para a fase presencial terão custos de transporte e hospedagem cobertos pela empresa. Os ganhadores principais receberão US$ 3 mil (aproximadamente R$ 15 mil), enquanto os segundos e terceiros colocados serão premiados com US$ 2 mil (cerca de R$ 10 mil) e US$ 1 mil (cerca de R$ 5 mil), respectivamente. Todos os finalistas também receberão um par de óculos da Meta.
Funcionalidades Atuais dos Óculos
As capacidades do aparelho ultrapassam a simples fotografia e gravação de vídeos. É possível, por exemplo, enviar imagens via WhatsApp utilizando apenas comandos de voz ou visualizar dados diretamente nas lentes e executar ações através de gestos. Apesar dessas funcionalidades, a oferta de aplicativos ainda é limitada, motivando a Meta a disponibilizar um kit de desenvolvimento para atrair novos criadores de soluções.
Preocupações com Privacidade
Com o aumento das funções, crescem as preocupações. Um exemplo notório foi o desenvolvimento por estudantes de Harvard de um sistema de reconhecimento facial para os óculos da Meta, capaz de exibir informações da internet sobre pessoas filmadas. Adicionalmente, houve relatos do uso do equipamento por agentes do serviço de imigração dos Estados Unidos durante operações, intensificando o debate sobre vigilância.
Outro aspecto sensível refere-se ao armazenamento das mídias; fotos e vídeos são guardados na nuvem da Meta e podem ser utilizados para treinar seus modelos de IA, inclusive com a ajuda de revisores humanos. A empresa também teve que responder a tentativas de usuários de desativar o LED de gravação. Atualmente, os óculos param de gravar se este indicador for danificado. Embora o programa abra portas para inovações, espera-se que essas novas aplicações evoluam paralelamente a mecanismos que reforcem a proteção à privacidade.