Nigéria e Gana decidiram consolidar seus esforços para combater os protestos contra a imigração ilegal que ocorrem antes da Cúpula da União Africana, demonstrando uma poderosa frente de solidariedade.
Reuniões diplomáticas e preocupações
Esta decisão foi tomada após uma reunião bilateral realizada durante a Cúpula Intermediária da CEDEAO em Freetown, Serra Leoa. As discussões se concentraram no combate ao xenofobia e na garantia da proteção dos migrantes africanos em todo o continente.
Eventos recentes na África do Sul desencadearam uma onda de protestos, pois alguns grupos acusam cidadãos estrangeiros, especialmente compatriotas, de ocuparem empregos e recursos dos locais, o que intensificou ainda mais as tensões.
Posição dos ministros
Em 17 de julho de 2026, o Ministro das Relações Exteriores da Nigéria, Embaixador Bola Akinyemi, reuniu-se com o Ministro das Relações Exteriores de Gana, Samuel Okudzeto Ablakwa. Os ministros reafirmaram a solidez de sua parceria, pediram ações diplomáticas resolutas e renovaram o compromisso de alcançar a justiça restaurativa pela escravidão transatlântica.
Eles enfatizaram a importância da recente resolução das Nações Unidas sobre este assunto. Os ministros expressaram séria preocupação com o recente aumento dos protestos abrofóbicos e ataques a cidadãos africanos na África do Sul.
Apelos à legalidade e unidade
Eles condenaram veementemente todas as formas de xenofobia, abrofobia, intolerância e violência, alertando que tais atos ameaçam os fundamentos do pan-africanismo, da unidade regional, dos ideais da União Africana e da Zona de Comércio Livre Continental Africana.
Os ministros também destacaram que os migrantes acusados de crimes devem ser vistos sob a ótica do Estado de Direito, e não através da violência das multidões. Juntos no nível diplomático e defendendo a proteção legal, eles buscam assegurar aos migrantes africanos que sua segurança e direitos são prioridade.
Esses compromissos devem estimular uma cooperação mais profunda entre governos e autoridades locais, abrindo caminho para o aumento da segurança, melhoria dos serviços de apoio e criação de um ambiente mais seguro para migrantes que enfrentam discriminação ou violência. Os ministros prometeram trabalhar em conjunto com outros estados membros da União Africana para fortalecer o monitoramento, criar sistemas de alerta precoce e aplicar diplomacia preventiva para resolver futuros problemas.
Eles apelaram enfaticamente para que todos os estados membros apoiem o pan-africanismo, o respeito mútuo e a livre circulação de pessoas. Além disso, apoiaram a atual conscientização pública e diálogo, confirmando sua disposição de agir em conjunto através da CEDEAO, União Africana e outras organizações internacionais.
Operações de repatriação
Em maio e junho de 2026, a Autoridade de Controle de Fronteiras e a Missão Elevada de Gana organizaram repatriações voluntárias, nas quais 963 cidadãos de Gana foram processados ao deixar a África do Sul em várias operações, de acordo com o IOL.
Entre 10 de junho e 15 de julho de 2026, a Nigéria evacuou e repatriou 1490 cidadãos sul-africanos. Esta evacuação oficial ocorreu após o aumento das manifestações anti-imigração e a pressão sobre cidadãos estrangeiros não registrados.
Vale ressaltar que o Departamento de Assuntos Internos da África do Sul deportou oficialmente e proibiu a entrada no país por cinco anos 586 cidadãos ilegais nigerianos.
Comentários de especialistas
O governo sul-africano rejeita firmemente o rótulo de nação xenófoba. Declarações oficiais afirmam que os protestos públicos e as ações do governo visam exclusivamente resolver problemas de imigração ilegal e criminalidade, e não os próprios cidadãos estrangeiros.
O especialista em imigração Gideon Chitanga, do Centro de Estudos Chineses Africanos da Universidade de Joanesburgo, pediu que os países africanos abstenham-se de disseminar mensagens divisivas que alimentam as tensões e de apoiar grupos ou organizações hostis dentro da África, em países ou comunidades específicas.
Chitanga observou que o governo sul-africano está discutindo seus esforços para resolver esses problemas. Ele aconselhou outros governos africanos a apoiarem iniciativas locais para resolver questões complexas de imigração na África do Sul, colaborando estreitamente com as instituições sul-africanas para sua resolução legal e coordenando suas ações.
Chitanga acrescentou que os protestos contribuem para a divisão e criam obstáculos significativos para a integração econômica continental, pedindo aos líderes que ponderem cuidadosamente se devem fomentar tal divisão. Ele concluiu que ações unidas dos países africanos para resolver problemas socioeconômicos internos e continentais e de segurança ajudarão significativamente a resolver o problema da imigração ilegal.