O escritório MVRDV foi escolhido para desenvolver o projeto da Shift Embassy, um novo ponto de interesse cultural destinado ao distrito em desenvolvimento de Waterkant, localizado em Roterdã. Este concurso internacional foi organizado pela empresa social Shift.
Conceito do Projeto Rotterdam ROCKS!
A proposta, denominada «Rotterdam ROCKS!», foi concebida como uma fusão entre arquitetura e paisagismo. Ela integra diversos elementos, como espaços para exposições, serviços hoteleiros, áreas de ensino, instalações públicas e infraestrutura ecológica, tudo dentro de um edifício acessível ao público. O propósito central é auxiliar a missão da Shift de envolver os visitantes em questões ambientais e sociais.
Integração Urbana e Design
O projeto se insere no Waterkant, um grande empreendimento urbano situado na margem sul do rio Mosa, que prevê a construção de 3.750 residências, além de escolas, locais de trabalho, zonas culturais e áreas verdes. O design do Rotterdam ROCKS! consiste em sete volumes empilhados que remetem a blocos rochosos, dispostos em torno de uma malha de percursos internos e externos. A paisagem ribeirinha vizinha é estendida verticalmente através de terraços ajardinados, miradouros, espelhos d'água e trilhos públicos, criando uma transição fluida entre ambientes internos e externos.
Sustentabilidade e Experiência Imersiva
A fachada do edifício possui porosidade, incorporando nichos e cavidades destinadas a abrigar vegetação, reter água e servir de habitat para a vida selvagem urbana. No coração do programa encontra-se o The Elysium, uma área expositiva imersiva de 5.000 metros quadrados. Esta seção busca explorar futuros cenários utilizando arte, narrativa e instalações interativas, fugindo do formato de exposições tradicionais. Além disso, o prédio contará com um hotel de 200 quartos, salas de aula, espaços para conferências, áreas de refeição, locais de convívio comunitário e um deque de observação.
Inovação Construtiva
O projeto adota aço reciclado, concreto de baixo carbono, materiais de origem biológica e métodos construtivos circulares. Há também uma exploração da manufatura robótica e das tecnologias de impressão 3D em grande escala. A equipe de arquitetura propõe documentar o processo de construção como um experimento contínuo, permitindo que o edifício funcione como um laboratório para técnicas de baixo carbono e inovação de materiais. Os sistemas ambientais serão visíveis aos visitantes, e um sistema de monitoramento exibirá dados em tempo real sobre o uso de energia, ciclos hídricos, biodiversidade, vegetação e desempenho dos materiais, estabelecendo o edifício como um campo de testes para práticas sustentáveis. Essa metodologia visa permitir que o edifício se adapte conforme o avanço das tecnologias, regulamentos e conhecimentos ambientais.
Processo Seletivo e Próximos Passos
O concurso para a Shift Embassy foi iniciado em janeiro de 2025 como um processo internacional dividido em duas fases, convidando equipes multidisciplinares a apresentar ideias que unissem arquitetura, engenharia, ecologia e programação cultural. Após uma primeira seleção de 80 propostas, cinco equipes avançaram para a fase final: Ecosistema Urbano, Heatherwick Studio, Mecanoo, MVRDV e Office for Political Innovation. Em março de 2026, após verificação e pré-projeto, a Shift escolheu a equipe liderada pelo MVRDV, em colaboração com Arup, Arcadis, DGMR, Studio Bertels e Joris Laarman Labs, como vencedora. O projeto detalhado está sendo apresentado atualmente, antes da participação pública prevista para o outono de 2026.