Embora na Índia a história do etanol esteja amplamente ligada à gasolina, o biocombustível encontra novas áreas de aplicação, incluindo aviação, indústria e culinária limpa, o que pode definir seu desenvolvimento futuro.
Etanol no transporte rodoviário
O transporte rodoviário continua a representar a maior parte do consumo mundial de etanol. A Índia atingiu sua meta de mistura de etanol na gasolina em nível E20 antes do prazo previsto. Este programa visa reduzir a importação de petróleo bruto, diminuir as emissões e apoiar a agricultura local.
O Brasil mantém o título de líder mundial no uso de etanol. A gasolina vendida neste país contém 27% de etanol anidro (E27), e sua vasta frota de veículos flex-fuel pode operar tanto com etanol hidratado (E100) quanto com gasolina, permitindo aos motoristas escolher de acordo com os preços.
Nos Estados Unidos, a mistura E10 é a mais comum, enquanto o E15 está se tornando cada vez mais acessível. Para veículos flex-fuel, é vendido o E85, que contém de 51 a 83% de etanol dependendo da estação.
Outros países, como Canadá, Tailândia e Paraguai, também adotaram requisitos obrigatórios de mistura de etanol como parte dos esforços para reduzir o consumo de combustíveis fósseis e apoiar as indústrias nacionais de bioetanol.
Transição para combustível de aviação sustentável
Um dos setores de crescimento mais rápido é a aviação. Diferentemente dos carros, os aviões não podem usar diretamente etanol ou combustível misturado com etanol. Em vez disso, o etanol derivado de biomassa, como milho e cana-de-açúcar, é convertido em combustível de aviação sustentável (SAF) através do processo Alcohol-to-Jet (ATJ).
Este processo envolve uma série de reações químicas que produzem SAF com características semelhantes às do combustível de aviação a jato turbinado tradicional (ATF). O combustível produzido pode ser usado em aeronaves existentes. A Índia também começou a se preparar para o SAF no âmbito de sua estratégia geral de descarbonização da aviação. Em abril de 2026, o governo emendou o Regulamento de Comercialização de Combustível de Aviação a Jato Turbinado de 2001, incluindo o combustível de aviação a jato turbinado misturado com SAF no escopo do Regulamento de Controle de ATF, criando assim uma base regulatória para sua implementação.
Em todo o mundo, várias empresas comercializaram ou estão escalando a tecnologia ATJ. A LanzaJet, uma empresa americana de combustível limpo, desenvolveu uma das primeiras tecnologias comerciais mundiais de produção de ATJ, e sua fábrica Freedom Pines Fuels, na Geórgia, produz SAF a partir de etanol renovável. Outra empresa americana, a Gevo, também está desenvolvendo instalações de produção baseadas em ATJ usando etanol renovável como matéria-prima. Outros desenvolvedores de tecnologia, incluindo Axens e a sueca Biofuels, também promovem processos de conversão de etanol em querosene.
Uso industrial e comercial
O etanol também é usado como combustível de combustão mais limpa em caldeiras e fornos industriais, substituindo ou complementando combustíveis fósseis, como óleo combustível e diesel. Setores industriais, incluindo processamento de alimentos, farmacêutica, indústria química e vinícolas, utilizam etanol para tratamento térmico de processos, o que ajuda a reduzir as emissões e aumentar a eficiência energética. O Brasil é um dos exemplos líderes, onde o etanol de cana-de-açúcar e outros tipos de biocombustíveis contribuem para as necessidades energéticas industriais.
Além das instalações de produção, o biocombustível à base de etanol já é usado em algumas partes do setor hoteleiro, especialmente para aquecer pratos em buffets, serviços de catering e aquecedores de mesa para alimentos. Esses sistemas geralmente usam etanol desnaturado ou combustível em gel à base de etanol, que queima com pouca fumaça, fuligem ou odor, tornando-o adequado para uso interno em condições controladas. O etanol também é amplamente utilizado em fogareiros portáteis de acampamento e externos.
Cozinhar doméstico
O etanol também se tornou um combustível alternativo para cozinhar em alguns países, especialmente na África, onde é promovido como uma alternativa mais limpa ao carvão vegetal e querosene. Ao contrário do gás liquefeito de petróleo (GLP), o etanol desnaturado é usado em fogões projetados especificamente. O Quênia é um dos exemplos mais notáveis, onde a KOKO Networks criou uma rede de distribuição que fornece etanol para cozinhar através de postos de combustível distritais, tornando o combustível limpo acessível para domicílios urbanos. A Etiópia promove fogões a etanol por meio de iniciativas como o Projeto Gaia, enquanto na Nigéria programas semelhantes estão em estágio piloto, embora a implementação permaneça em fase inicial.
Perspectivas de desenvolvimento na Índia
A Índia pode em breve adicionar mais uma aplicação à crescente lista de usos do etanol. De acordo com um relatório do The Economic Times, o governo da União está considerando a introdução do etanol como combustível para cozinhar, potencialmente posicionando-o como uma alternativa ao GLP. O mesmo relatório observou que vários fabricantes começaram a desenvolver fogões e superfícies de cozimento compatíveis com etanol, aguardando uma possível decisão política.