Grupos da sociedade civil alertam que o Ombudsman da IDAC, liderado pelo juiz aposentado Takalani Rawlings, pode não agir de forma independente, uma vez que seus recursos dependem do Ministério.
Base e Propósito do Ombudsman
O Ministro da Justiça e Desenvolvimento Constitucional, Mmamoloko Kubayi, anunciou na sexta-feira o lançamento do Gabinete do Ombudsman da IDAC. Este gabinete será liderado pelo juiz aposentado do Tribunal Superior de Gauteng, Takalani Joseph Rawlings, que recebeu um mandato de cinco anos. Espera-se que este órgão garanta um controle independente, investigando denúncias contra funcionários da IDAC em casos de abuso de poder, conduta inadequada ou violação de direitos.
Kubayi esclareceu que o escritório foi criado com base na Seção 22A da Lei da Procuradoria Nacional (NPA) de 1998, após consultas com o Chefe de Juízes. O escritório receberá um apoio de 12 milhões de rand e utilizará investigadores transferidos da Unidade de Investigação Especial (SIU), bem como pessoal adicional do Gabinete do Chefe de Juízes.
Contexto e Preocupações Públicas
O lançamento do escritório coincidiu com testemunhos notórios perante a Comissão Madlanga, onde testemunhas relataram graves má condutas da liderança da IDAC. Entre as acusações estavam alegações de que o chefe da IDAC, Andrea Johnson, interferiu indevidamente numa investigação de agressão, e que investigadores exigiam subornos de proprietários locais de empresas. O Ombudsman foi recomendado como um nível proativo de responsabilização após a identificação de deficiências estruturais pela Comissão Zondo.
A organização anticorrupção Corruption Watch declarou que enquanto o escritório não for estabelecido como uma instituição verdadeiramente independente do Chefe 9, o que, em sua opinião, não é o caso no papel, sua autonomia será questionada até que prove o contrário. Um representante da organização, Janine Erasmus, observou que embora o mandato não renovável de Rawlings seja um passo positivo para prevenir decisões tendenciosas em um segundo mandato, a estrutura ainda depende do ministério em termos de orçamento e nomeações, o que impede que seja considerada totalmente independente.
Erasmus acrescentou que a Corruption Watch duvida da capacidade da unidade de investigar o Diretor Nacional do Ministério Público (NDPP) ou o chefe da IDAC, citando a tendência histórica de interferência política do partido governante e das estruturas associadas em questões de responsabilização. Ela citou a Lei de Emendas à NPA, Seção 22A(13), observando que o Ministro deve fornecer ao juiz aposentado pessoal e recursos suficientes para exercer suas funções, e enfatizou a importância crítica do exercício irrestrito dessas funções.
Opiniões de Especialistas e Comentários Políticos
Um porta-voz de Kubayi, Palesa Rammitlwa, informou que as questões foram encaminhadas ao escritório do ombudsman, mas não pôde responder no momento da publicação. Lawson Naidu, secretário executivo do Conselho para a Promoção da Constituição Sul-Africana (CASAC), enfatizou que a verdadeira medida da eficácia do escritório reside em seu financiamento, e que o teste final é obter recursos adequados para cumprir o mandato.
A organização Undoing Tax Abuse (OUTA) considera que a criação do Ombudsman para analisar queixas contra a NPA e a IDAC é um passo necessário em frente em comparação com a atual ausência de supervisão. O diretor executivo Wayne Duvenhage afirmou que o mecanismo de introdução do Ombudsman será uma melhoria em relação à situação atual de ausência de tal órgão.
O analista político Zakhhele Ndlovu considerou inapropriado o nomeamento do Ombudsman por Kubayi, argumentando que esse processo deveria ter sido supervisionado pelo Comité Parlamentar de Justiça. Ele alertou que os ministros podem ser nomeados por partidos políticos, o que coloca em risco as garantias. O especialista em gestão Andre Duvenhage sugeriu que a política permeia todos os aspetos da África do Sul, o que pode tornar o trabalho do escritório impossível sem influência política.
Reação dos Parlamentares
Entretanto, o presidente do Comité Parlamentar de Justiça e Desenvolvimento Constitucional, Xola Nkola, saudou o lançamento oficial do Ombudsman da IDAC, classificando-o como um dos valiosos resultados da democracia sul-africana. Ele afirmou que a criação deste escritório marca um passo histórico e notável no fortalecimento do escudo constitucional contra quaisquer formas de violação de direitos humanos.