De acordo com a última Pesquisa Pulso do Chartered Institute of Procurement & Supply (CIPS), as empresas na África do Sul não devem relaxar, pois conflitos geopolíticos, ameaças cibernéticas e incerteza comercial continuam a criar sérios riscos para compras e operações de negócios.
Estado das Cadeias de Suprimentos Globais
A pesquisa do segundo trimestre de 2026 mostrou que, embora as preocupações de curto prazo com interrupções na cadeia de suprimentos tenham diminuído em comparação com os níveis recordes do início do ano, o nível de ansiedade a curto e longo prazo permanece um dos mais altos já registrados pelo CIPS. As conclusões indicam que as empresas estão se adaptando a um longo período de instabilidade global, em vez de esperar que as cadeias de suprimentos retornem aos padrões pré-pandêmicos.
Vulnerabilidades da África do Sul
Para a África do Sul, o relatório destaca vulnerabilidades específicas relacionadas à dependência da região de importações de combustível, equipamentos industriais, produtos químicos, medicamentos e componentes de produção. Além disso, setores chave, como mineração, agricultura, automotivo e varejo, dependem fortemente de redes logísticas globais eficientes.
Principais Fontes de Preocupação
O conflito no Oriente Médio continua sendo a principal fonte de preocupação para profissionais de compras em todo o mundo, com 75% dos entrevistados citando-o como o maior risco para as cadeias de suprimentos. Em seguida, vem a instabilidade geopolítica mais ampla, mencionada por 67% dos inquiridos, e a guerra contínua na Ucrânia, apontada por 33%. Embora esses conflitos ocorram fora da região, o CIPS observa que eles afetam rotas de transporte, custos de entrega, mercados de energia e disponibilidade de fornecedores, impactando indiretamente os negócios sul-africanos.
Novos Riscos e Pressão de Preços
A pesquisa também revelou que a segurança cibernética se tornou uma preocupação cada vez mais significativa, superando as interrupções logísticas como um dos três principais riscos esperados para as cadeias de suprimentos nos próximos 12 meses. Profissionais de compras alertam que ataques cibernéticos direcionados a fornecedores, operadores logísticos ou infraestrutura crítica podem rapidamente perturbar cronogramas de produção e atrasar entregas.
Além disso, o relatório aponta para uma pressão de preços persistente em vários setores. Os líderes de compras preveem um aumento nos preços das matérias-primas em mais de 10% em áreas como transporte e logística, petróleo e mineração, produtos químicos e farmacêuticos, alimentos e bebidas, bem como metais planos. Para as empresas sul-africanas, isso pode resultar em aumento dos custos de transporte, encarecimento de bens de importação e componentes de produção, bem como aumento dos preços dos alimentos e custos operacionais de mineração.
Estratégias de Aumento da Resiliência
Apesar da pressão constante sobre os preços, as organizações estão priorizando cada vez mais a resiliência acima da economia de custos. Entre as estratégias mais comuns adotadas pelas empresas para garantir a continuidade do fornecimento, destacam-se a diversificação de fornecedores, a extensão de contratos com fornecedores e a manutenção de estoques adicionais.
Opiniões de Especialistas sobre o Futuro do Comércio
Paul Voss, Diretor Regional do CIPS na África do Sul, observou que os resultados da pesquisa refletem a realidade enfrentada pelos profissionais de compras na região. Ele afirmou que, embora a pressão inflacionária em algumas áreas tenha diminuído, o ambiente operacional permanece extremamente imprevisível, e as empresas não podem mais presumir que as cadeias de suprimentos globais simplesmente retornarão ao estado anterior após uma série de crises geopolíticas. Voss acrescentou que as funções de compras estão se transformando de uma simples ferramenta de controle de custos em uma função estratégica.
Ele enfatizou que, para as organizações sul-africanas, a resiliência está se tornando uma vantagem competitiva. Isso implica o desenvolvimento de redes de fornecedores mais amplas, o fortalecimento da busca regional onde for apropriado, a melhoria da transparência de toda a cadeia de suprimentos e garantir que as compras sejam vistas como uma função estratégica dentro do negócio. Voss também observou que as empresas que investem em práticas de compras sustentáveis estarão melhor preparadas para aproveitar a expansão do comércio intra-africano no âmbito da Zona de Livre Comércio Continental Africana, ao mesmo tempo em que gerenciam melhor futuras interrupções.
O CEO Global do CIPS, Ben Farrell, declarou que o cenário do comércio mundial está passando por uma transformação fundamental. Ele observou: «As placas tectônicas do comércio mundial estão se movendo. O mundo que conhecíamos desapareceu. A regionalização está crescendo, a globalização está se transformando, e as organizações que criam parcerias regionais resilientes estarão em melhor posição para prosperar».
A pesquisa também mostrou que um terço das organizações já sente o impacto da mudança na política tarifária dos EUA, e outros 37% estão monitorando de perto os desenvolvimentos, o que destaca como a incerteza na política comercial continua a moldar as decisões de compras juntamente com a tensão geopolítica. O economista-chefe do CIPS, Dr. John Glenn, alertou que, embora o sentimento empresarial tenha melhorado ligeiramente, o nível atual de preocupação permanece historicamente alto, indicando que a economia mundial continua a enfrentar riscos geopolíticos, cibernéticos e de cadeia significativos.

