A Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) concedeu aprovação nesta quinta-feira, dia 16, ao Enlicitide. Este medicamento foi desenvolvido pela Merck com o objetivo de diminuir o colesterol LDL, que é classificado como o tipo mais ligado a riscos cardiovasculares.
Mecanismo de ação e benefícios
Comercializado sob o nome Lipfendra, este comprimido deve ser usado diariamente e funciona atuando sobre a proteína PCSK9. Conforme dados de ensaios clínicos apresentados pela própria empresa, o Lipfendra tem potencial para reduzir os níveis de LDL para valores próximos ou até inferiores a 60.
Esta nova abordagem terapêutica entra no mercado americano oferecendo uma alternativa mais simples de administrar quando comparada aos atuais inibidores de PCSK9, que exigem aplicação por injeção. Espera-se que isso simplifique o tratamento para pacientes que apresentam alto risco de sofrer infarto ou acidente vascular cerebral.
Disponibilidade e custos
O Lipfendra será disponibilizado como um comprimido de uso diário, sendo prescrito por médicos de atenção primária. A Merck comunicou que o preço de tabela estabelecido será de US$ 315 para um pacote contendo 30 dias de tratamento, com previsão de chegada nas próximas semanas.
Embora pertença à mesma categoria de inibidores de PCSK9 já existentes, a principal distinção do Lipfendra reside na sua via de administração oral. Os tratamentos injetáveis atuais têm preços de tabela que oscilam entre US$ 500 e US$ 600 mensais ou mais.
Uso atual e estudos clínicos
Apesar da eficácia dos medicamentos injetáveis, apenas uma pequena fração dos pacientes aptos utiliza essa terapia; o artigo aponta que somente cerca de 1% das seis milhões de pessoas elegíveis utilizam os produtos disponíveis.
Estudos prévios com inibidores injetáveis mostraram uma diminuição de 20% na incidência de eventos cardiovasculares graves em pacientes de alto risco. A Merck está conduzindo uma investigação adicional para confirmar se o Lipfendra alcançará o mesmo efeito na prevenção de derrames, infartos e óbitos relacionados a problemas cardiovasculares.
Os resultados preliminares da companhia vieram de um estudo clínico envolvendo 2.912 participantes ao longo de 24 semanas. Essa pesquisa demonstrou uma queda de até 60% no colesterol LDL e não encontrou diferenças significativas nos efeitos colaterais entre os pacientes que tomaram o medicamento e aqueles que receberam placebo.
Recomendações médicas e perspectivas
A redução observada corrobora achados já documentados com as versões injetáveis desta classe terapêutica. Contudo, o benefício direto na prevenção de eventos cardíacos aguarda a finalização dos estudos específicos realizados com o novo comprimido.
As diretrizes recentes da Associação Americana do Coração e do Colégio Americano de Cardiologia sugerem metas de LDL mais rigorosas para grupos de maior risco. Indivíduos com risco superior à média devem mirar níveis abaixo de 70, enquanto pacientes classificados como de alto risco, como quem já teve infarto, devem manter os níveis abaixo de 55.
Dean Li, presidente dos Laboratórios de Pesquisa da Merck, declarou que a empresa visa tornar o controle do colesterol com o Lipfendra tão simples quanto o uso de estatinas, os remédios tradicionais para baixar o colesterol. Segundo ele, médicos de atenção primária poderão prescrever a terapia sem precisar de um encaminhamento exclusivo para cardiologistas.
Opiniões de especialistas
Especialistas externos à Merck esperam que a introdução de um comprimido mais acessível e prático aumente o número de pacientes tratados. Christopher Cannon, cardiologista do Brigham and Women’s Hospital em Boston, avaliou a aprovação de forma positiva em uma entrevista citada pelo jornal.
David Maron, cardiologista preventivo da Universidade de Stanford, também ressaltou o potencial econômico dessa nova opção. Em uma declaração reproduzida, ele comparou o custo do comprimido com o valor dos tratamentos injetáveis disponíveis atualmente, afirmando que isso representaria uma grande melhoria financeira em relação aos inibidores injetáveis de PCSK9.
Até o momento, não há informações sobre uma possível redução de preços por parte dos fabricantes dos medicamentos injetáveis de PCSK9 após a entrada deste novo competidor no mercado.