A Public Investment Corporation (PIC) está passando por uma grave crise de governança corporativa, agravada pelas contínuas lutas internas por poder, apesar das recomendações chave da Comissão de Investigação Mpati.
Problemas de Governança e Acusações
A Associação para Monitoramento e Proteção de Pensões Públicas (AMAGP) observa que a PIC tem sido noticiada por razões negativas há muito tempo, pois duas exigências politicamente significativas não foram implementadas. Esta situação ocorreu após o conselho de administração da PIC suspender as atividades do diretor geral Patrick Dlamini sob acusações preliminares de corrupção, má gestão e abuso de autoridade.
Reformas Não Resolvidas
Este caos revelou que reformas cruciais propostas pela Comissão Mpati em 2020 permanecem sem solução. Isso aconteceu apesar de a liderança da PIC ter assegurado anteriormente ao Parlamento o cumprimento total de todas as recomendações. A Comissão Mpati foi estabelecida em outubro de 2018 para investigar alegações de má conduta na PIC, que conduzia investigações sobre corrupção, falhas de gestão e decisões de investimento inadequadas no maior acionista africano.
Recomendações da Comissão
A comissão apresentou um relatório importante contendo 276 recomendações direcionadas contra a corrupção sistêmica e problemas de governança. Em particular, a comissão concluiu que a nomeação de um vice-ministro como presidente do conselho de administração submetia a PIC a séria interferência política e instabilidade institucional. Foi recomendada a posição de um presidente independente e não executivo com especialização em finanças, fundos de pensão e governança corporativa. O relatório indicava claramente que a nomeação dos membros do conselho deveria basear-se exclusivamente em méritos profissionais e capacidades independentes, e não em alocação política ou patrocínio.
Histórico de Mudanças de Pessoal
Além disso, a comissão instruiu o conselho de administração da PIC a revisar oficialmente as estruturas de conformidade, supervisão e governança relativas à restauração do cargo de segretária da empresa, Bongani Matebula. Após a publicação do relatório em 2018, o ex-chefe de risco de gestão foi demitido por seu papel e ligações no caso VBS Mutual Bank. Também em outubro de 2021, o ex-diretor financeiro Matshepo More foi demitido por ações ilegais relacionadas a violações na instituição. Atualmente, a PIC está contestando uma decisão arbitral anterior que exigia sua reintegração.
O ex-chefe de assuntos jurídicos e conformidade, Ernest Nesane, renunciou antes da conclusão dos processos disciplinares oficiais, mas esteve fortemente envolvido no escândalo VBS. Kabelo Rikhotso, ex-diretor de investimentos, chegou a um acordo global e deixou a PIC após acusações de má conduta. No entanto, Nesane está atualmente considerando uma decisão judicial relativa à sua responsabilidade e reembolso de fundos.
Medidas Contra Fraude
Enquanto isso, a PIC aprovou um sistema atualizado de combate à fraude e corrupção, garantindo investigação independente de denúncias internas da alta administração. Um Escritório Ético especializado também foi criado para monitorar a ética organizacional, garantir a gestão de consequências e fornecer um controle mais rigoroso sobre as atividades diárias e o comportamento dos funcionários.
Conflitos e Suspeitas Atuais
Apesar de todas as recomendações, a PIC está agora envolvida em sérias disputas internas, cujo ápice foi a suspensão preliminar de Dlamini e a remoção do diretor executivo de investimentos, Augustus van Heerden. Essas divergências coincidiram com um aumento da atenção pública ao portfólio de investimentos não listados da PIC, onde cerca de 67 bilhões de randes foram investidos em organizações não listadas, onde foram registradas perdas financeiras significativas.
No centro desta luta no conselho de administração está um negócio de investimento multimilionário profundamente controverso relacionado ao Aeroporto de Lanseria, que, segundo relatos, resultou em um erro de reavaliação de 400%.
Comentários de Especialistas e Reguladores
O presidente da AMAGP, Zirk Gus, afirmou que o conflito atual no conselho de administração oferece uma visão clara de como a empresa é administrada. Ele observou que isso reforça a opinião de que a PIC opera com motivos questionáveis, colocando em risco a confiança das instituições na gestão dos fundos de pensão públicos. Gus pediu ao Comitê de Finanças (SCOF) que exigisse a divulgação completa de documentos confidenciais, acrescentando que o primeiro documento para divulgação completa deve ser o mandato de investimento GEPF para a PIC, especialmente no que diz respeito a investimentos não listados.
Ele também enfatizou que a comissão recomendou que o presidente do conselho de administração fosse independente, com um prazo definido e experiência em fundos de pensão. Gus chamou a declaração da empresa gestora pública sobre o cumprimento total das recomendações de 'desonesta, destruindo a confiança com suas ações'. Ele concluiu que a eliminação da influência política e o controle sobre a PIC e a nomeação do conselho com base em méritos seriam os primeiros passos para garantir a integridade da governança.
Reação das Autoridades e Sindicatos
Nem a PIC nem o vice-ministro das Finanças, David Masondo, que é presidente do conselho de administração da PIC, responderam ao pedido de comentários. O representante de Masondo, Sifo Mofokeng, informou que o vice-ministro não responderá a pedidos da mídia enquanto a investigação pelo Financial Sector Conduct Authority (FSCA) estiver em andamento. A intervenção regulatória da FSCA, de acordo com a Seção 135 da Lei de Regulação do Setor Financeiro, segue uma séria preocupação com a governança, transparência e estabilidade da liderança na PIC.
O Ministro das Finanças, Enoch Godongwana, insistiu em uma declaração na manhã de quarta-feira que a PIC concluiu a implementação das recomendações da Comissão Mpati. Godongwana acrescentou que, embora os problemas persistam, a PIC alcançou um progresso significativo no fortalecimento do sistema de governança e dos processos de supervisão da Corporação.
Entretanto, a Associação de Funcionários Públicos (PSA), que representa mais de 240.000 funcionários públicos, expressou profunda preocupação com o desenvolvimento dos acontecimentos na PIC. A PSA declarou: 'Embora o GEPF permaneça financeiramente estável e bem provisionado como fundo de pensão, os problemas recorrentes de governança na PIC inevitavelmente minam a confiança dos funcionários públicos cujas economias de aposentadoria são confiadas a esta instituição. O impacto imediato mais significativo é a erosão da confiança. Os membros precisam de garantia de que as decisões de investimento são tomadas estritamente em seu melhor interesse e livres de influência política ou ilegal.'