De acordo com uma nova pesquisa do National Statistical Office (NSO), o cuidado com as crianças e as tarefas domésticas são a razão pela qual cerca de 69% das mulheres nas 46 maiores cidades da Índia com mais de um milhão de habitantes não participam da força de trabalho. Este fato destaca o viés de gênero no setor de cuidados mesmo em áreas mais prósperas do país.
Razões para a ausência na força de trabalho
A pesquisa sobre indicadores do mercado de trabalho em grandes cidades, publicada pela primeira vez pelo TOI na terça-feira, revelou que apenas 1% das mulheres citaram 'razões sociais' para sua ausência na atividade laboral, embora o relatório não detalhe essas razões. Em contraste, 1% dos homens indicaram o cuidado com crianças e tarefas domésticas como motivo de incapacidade de trabalhar.
Tendências gerais e diferenças entre cidades
A Índia está entre as grandes economias mundiais com algumas das taxas mais baixas de participação feminina na força de trabalho, estimadas em 30,7% até 2025, apesar da tendência de crescimento observada nos últimos anos. No entanto, o cenário varia dependendo da cidade específica. Por exemplo, em Roha, 83% das mulheres citaram o cuidado com crianças e deveres domésticos como motivo para deixar a força de trabalho, seguidos por Surat (81%), Pimpri Chinchwad e Bhopal (78%), e Danbad (77%). Em Coimbatore, a proporção foi significativamente menor — 38%, assim como em Agra (41%), Kota (57%), Hyderabad (58%), Visakhapatnam e Srinagar (60%).
Outros fatores e qualidade do trabalho
Além disso, algumas mulheres desistiram do trabalho para continuar seus estudos (16%), e 10% atribuíram sua ausência na força de trabalho a problemas de saúde ou idade. Entre os homens, mais da metade (53%) citou a continuação dos estudos como motivo de incapacidade de trabalhar, e 39% citaram problemas de saúde e fatores de idade. O estudo também demonstrou uma melhoria na qualidade do trabalho para as mulheres em grandes cidades em comparação com outras áreas urbanas: 65% relataram ter emprego formal, contra 51% em áreas urbanas em geral, e a proporção de trabalho informal foi de 3% contra 9% em áreas urbanas.
Disparidade salarial de gênero
Apesar de estas cidades terem um prêmio salarial, elas também refletem a desigualdade salarial de gênero. Enquanto um homem empregado nessas cidades com mais de um milhão de habitantes ganhava 30.700 rúpias por mês, uma mulher recebia 23.700 rúpias, o que é 23% menos. Essa disparidade foi especialmente notável em cidades como Kalyan-Dombivli, Navi Mumbai e Nagpur, onde as mulheres ganhavam quase metade do que seus colegas homens. A cidade de Prayagraj parecia violar essa tendência, mostrando que as mulheres lá ganham mais que os homens. No caso de autônomos, os homens (33.880 rúpias) ganhavam mais de duas vezes mais do que as mulheres (16.160 rúpias).
Tempo de trabalho em grandes cidades
Em média, os trabalhadores em cidades com mais de um milhão de habitantes trabalhavam 49,5 horas por semana, em comparação com 47,1 horas em áreas urbanas da Índia. Tanto homens quanto mulheres em grandes cidades relataram um número médio de horas trabalhadas maior em comparação com trabalhadores em outras áreas urbanas da Índia. Mulheres com emprego formal em Rajkot (51,5 horas) e Faridabad (50 horas) trabalharam o maior número de horas no local de trabalho.