O artista e dissidente cubano Luis Manuel Otero Alcántara foi libertado após cumprir cinco anos de prisão considerada injusta, mas sua liberdade veio condicionada à sua saída definitiva da ilha, conforme declarou a ativista Anamely Ramos nas redes sociais.
Partida para os Estados Unidos
Otero Alcántara deixou o Aeroporto José Martí em Havana às 16h05 (horário local), correspondendo às 21h05 em Lisboa. Ele embarcou em um voo da American Airlines com destino a Miami, tendo permanecido desaparecido desde 7 de julho, apenas dois dias antes do término de sua sentença.
Planos pós-liberdade
Ao chegar em Miami, Anamely Ramos relatou que o primeiro desejo do artista é visitar a Ermida da Caridade, padroeira de Cuba, para deixar uma oferenda de agradecimento. A ativista também informou que Otero Alcántara tem compromissos agendados com a imprensa nos próximos dias e planeja, gradualmente, se encontrar com amigos, organizações e pessoas dispostas a recebê-lo.
Contexto político e histórico
Anamely Ramos ressaltou que centenas de presos políticos ainda estão detidos em Cuba, sugerindo que a nação pode estar passando por um dos períodos mais difíceis de sua história. Em uma declaração anterior, ela mencionou que, desde o começo de 2023, Otero Alcántara aceitou o exílio como a única maneira de prosseguir com seu trabalho como artista e ativista, apesar de toda a repressão sofrida.
Detalhes da detenção
O líder do movimento crítico de San Isidro, que possui 38 anos, é visto como um preso de consciência pela Amnistia Internacional. Ele cumpriu uma pena de cinco anos na prisão de Guanajay, localizada no oeste de Cuba, sob acusações de desacato, perturbação da ordem pública e profanação reiterada de símbolos nacionais. Sua detenção ocorreu em 11 de julho de 2021, durante sua tentativa de participar dos protestos antigovernamentais mais significativos em décadas na ilha.