A inteligência artificial integrada em smartphones atraiu atenção significativa durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial realizada em Xangai. Conforme reporta a AFP no TechXplore, fabricantes apresentaram dispositivos capazes de executar tarefas por comando de voz sem a necessidade de o usuário iniciar vários aplicativos.
O potencial vai além dos aplicativos
Pelo menos três fabricantes demonstraram no evento modelos equipados com agentes de IA. A ideia principal é transformar o smartphone em um assistente autônomo que pode resolver tarefas como comparar preços, planejar viagens, editar vídeos ou fazer pedidos de comida por conta própria.
Entre as novidades apresentadas estava o NaviX Ultra da Nubia, integrado ao chatbot Doubao, desenvolvido pela ByteDance, proprietária do TikTok. Ao anunciar o dispositivo, a empresa declarou: «Uma nova era de smartphones com agentes de IA está começando».
O conceito não é totalmente novo; anteriormente existia um protótipo chamado «Doubao Phone» que demonstrava uma integração semelhante, mas sua funcionalidade foi parcialmente limitada após grandes plataformas restringirem o acesso do assistente.
Funcionalidades e limitações
As demonstrações incluíram recursos como pedir comida por voz, comparar preços em diferentes lojas, organizar viagens e compras, além de edição de vídeo e suporte a tarefas de produtividade.
No entanto, descobriu-se que o principal obstáculo não é a própria inteligência artificial, mas sim o problema de integração com aplicativos e serviços de empresas concorrentes, que nem sempre concordam em fornecer tal acesso.
Kiranjit Kaur, diretor associado de pesquisa na IDC, explica que as plataformas buscam manter o contato direto com seus usuários, temendo a «perda de controle para outra empresa».
O especialista também observa que a indústria ainda procura um modelo verdadeiramente eficaz, afirmando: «Agentes de IA são um sonho para todos, mas ainda não o alcançamos», ressaltando que tais soluções ainda apresentam falhas em diferentes cenários.
De acordo com publicações especializadas chinesas citadas no artigo, o NaviX Ultra visa operar em parceria com aplicativos, evitando acesso não autorizado aos sistemas.
A corrida competitiva continua
Outras empresas também estão apostando neste setor. A Honor apresentou o «Robot Phone», equipado com uma câmera montada em um pequeno manipulador robótico capaz de reconhecer gestos, acompanhar música, tirar selfies e estabilizar vídeos.
A startup StepFun mostrou o STEPX Neo, integrado a serviços como Alipay e Didi, para unificar funções de compras, viagens, produtividade e edição de vídeo.
Além da China, Google e Brain Technologies também estão aumentando seus investimentos em smartphones com inteligência artificial.
Mark Einstein, analista da Counterpoint Research, acredita que ainda não há um vencedor nesta competição. Ele prevê que, nos próximos cinco a dez anos, a interação entre usuários e smartphones pode mudar drasticamente, reduzindo a dependência de aplicativos tradicionais e abrindo caminho para assistentes de IA cada vez mais comuns no dia a dia.