Um esqueleto fossilizado de Tyrannosaurus rex, conhecido como “Gus”, foi arrematado por US$ 50,1 milhões em um leilão realizado nos Estados Unidos, estabelecendo um novo recorde de preço para fósseis. Este espécime, escavado entre 2021 e 2023, é considerado um dos mais completos já descobertos.
Detalhes do Fóssil Gus
Com aproximadamente 11,5 metros de comprimento, o fóssil “Gus” foi encontrado no estado americano do Dakota do Sul. Os fragmentos foram descobertos após o fazendeiro Gary “Gus” Licking, proprietário do terreno, encontrar aleatoriamente dentes e ossos, o que levou paleontólogos ao local. A escavação revelou 183 ossos de T. Rex, correspondendo a cerca de 61% dos ossos totais de um esqueleto completo, ou 75-80% da massa óssea.
A Sotheby’s, responsável pelo leilão, detalhou que o esqueleto exibe várias patologias, incluindo marcas de mordidas de um tiranossaurídeo no crânio e em partes pós-cranianas, indicando combates ou necrofagia. Também foram observadas fraturas consolidadas em várias costelas, sinais de lesões sofridas durante a vida do animal. A idade estimada dos fósseis é de 67 milhões de anos.
O Leilão e a Concorrência
O leilão ocorreu na sede da Sotheby’s em Nova Iorque e durou dez minutos. Com esta venda, Gus superou o estegossauro “Apex”, que detinha o título de fóssil de dinossauro mais caro desde 2024, quando foi vendido por US$ 44,6 milhões. A identidade do comprador, que realizou o lance por telefone, permanece desconhecida.
Preocupações Científicas com a Comercialização
Membros da comunidade científica manifestaram críticas à comercialização do espécime, alertando que tais práticas podem comprometer o avanço científico. A Sociedade de Paleontologia de Vertebrados dos EUA emitiu uma nota defendendo que fósseis de importância científica recém-descobertos devem ser mantidos sob custódia de instituições públicas para assegurar futuras pesquisas. Os cientistas apontam que, quando esses achados passam para coleções privadas sem garantia de acesso contínuo, as chances de pesquisa, educação e divulgação científica podem ser drasticamente reduzidas.
Ben Miller, curador do Field Museum em Chicago, opinou que, embora o esqueleto possa acabar em um museu, o verdadeiro risco reside nos altos valores que incentivam comportamentos nocivos, como o saque ilegal de fósseis de terras públicas ou indígenas. Ele ressaltou que, enquanto em países como Brasil e Mongólia fósseis são patrimônio nacional inalienável, nos EUA, os proprietários privados detêm a posse dos fósseis escavados em suas propriedades.
Posição das Instituições
Cassandra Hatton, chefe do departamento de ciência e história natural da Sotheby’s, afirmou à AFP que os Estados Unidos são o único país onde fósseis como este são considerados propriedade privada, permitindo que o proprietário do terreno tenha o direito de vendê-los.