Na fazenda orgânica de 50 acres na vila de Kepu, localizada a 50 quilômetros a sudeste de Mangaluru, existe um local único com cerca de 200 anos. Esta terra passou por grandes mudanças: de uma propriedade privada, transformou-se em um lugar para onde pessoas de diferentes culturas vêm.
História do desenvolvimento da fazenda
Partha Varanshi, proprietário da terra de sexta geração, relatou que sua família sempre teve interesse em agricultura. Ele observou que em 1960 seu avô fundou uma sociedade agrícola chamada CampCo. Os pais de Partha também se interessaram por ciências agrícolas: seu pai obteve doutorado em microbiologia e sua mãe em macrobiologia.
Ao crescer nesta terra, Partha testemunhou seu desenvolvimento multifacetado. Embora a família Varanshi recebesse convidados e parentes na fazenda nos últimos trinta anos, eles nunca conduziram atividades comerciais até um certo incidente.
O nascimento da ideia de agroturismo
Por volta de 2006, amigos de Partha visitaram a fazenda. Um deles lhe contou sobre uma jovem que havia terminado o ensino médio e não sabia o que fazer em seguida. Quando ela soube da fazenda de Partha, perguntou se poderia passar algumas semanas para entender como era a vida na fazenda. Após duas semanas, a jovem apaixonou-se pela agricultura orgânica e ingressou no curso de engenharia de jardinagem.
Este caso fez Partha pensar: se a vida na fazenda pode inspirar uma pessoa, outras pessoas das cidades também podem gostar desse estilo de vida, o que seria um bom descanso da agitação urbana. A família apresentou essa ideia ao Departamento de Turismo de Karnataka para promover o agroturismo e decidiu lançar o descanso rural em 2014.
A ideia de convidar voluntários surgiu para Partha em 2007, quando ele estudava Austrália em biologia molecular. Ele lembrou-se do conceito de WWOOFing, onde pessoas interessadas podem trabalhar na fazenda, recebendo alimentação e acomodação. A família Varanshi aprovou este modelo de troca mútua e começou a receber voluntários em 2014.
Fundamentos da agricultura orgânica
Durante a estadia, os voluntários participam de várias atividades de agricultura orgânica, incluindo colheita, plantio de sementes e processamento subsequente dos produtos agrícolas. Eles aprendem técnicas de compostagem de resíduos da fazenda para criar fertilizante orgânico que nutre os campos onde são cultivados arroz, coqueiros, pimenta e especiarias.
Os hóspedes são alimentados, sendo que 95% dos pratos preparados para os voluntários provêm diretamente da fazenda orgânica. Em 21 dias, os voluntários estudam os fundamentos da agricultura orgânica. Partha e sua família, bem como moradores locais, fazem passeios pelo local, explicando o conceito de agricultura regenerativa e dizendo por que os fertilizantes químicos são prejudiciais à colheita e quais alternativas existem. Os hóspedes apreciam especialmente o caminho do cacau, onde é mostrado todo o processo de produção de chocolate, do grão à barra.
Interessados podem participar de um curso de certificação de cinco dias por 20.000 rúpias. Além disso, a equipe de Partha ensina habilidades vitais, como primeiros socorros e RCP, e oferece oportunidades para nadar, praticar caiaque e pular em trampolim sob a orientação de instrutores certificados. A demonstração de todas as atividades é gratuita, mas a certificação é paga.
Experiência única e sustentabilidade
A principal atração do retiro é a cabana na árvore, que se eleva a 55 pés. Esta casa, construída por moradores locais, tem um quarto com cama king size e uma mesa de trabalho. Da varanda, abre-se vista para um penhasco de 55 pés e vasta vegetação. A cabana está disponível por 6.000 rúpias por noite, incluindo hospedagem e alimentação, e a fazenda recebe cerca de 15 voluntários por mês.
Anupama Augustine, uma das voluntárias que representava um grupo de pesquisadores da Universidade de Kerala, descreveu isso como um «retorno à natureza e autodescoberta». Ela observou que o passeio e as atividades interativas com Partha revelaram os detalhes da agricultura regenerativa e do patrimônio cultural da fazenda, ensinando-a a valorizar mais a natureza.
Partha enfatiza que, além de criar um espaço verde para os urbanos, eles se preocupam com o desenvolvimento sustentável. A fazenda utiliza resíduos para compostagem e está equipada com uma usina de biogás. Há também painéis solares de 7,5 kW e 2,5 kW instalados no local, oito lagos naturais e um poço de 80 pés para coleta de água da chuva. Cerca de 55 pessoas da vila de Kepu participam do trabalho na fazenda, cozinhando, limpando e fabricando fertilizantes orgânicos.
Apesar dos sucessos, Partha aponta um problema nos relacionamentos entre urbanos e locais. Os moradores locais às vezes têm dificuldades em se comunicar com voluntários das cidades, e alguns até recorreram à polícia com queixas sobre receber dinheiro de moradores urbanos pelo trabalho. Para resolver esse problema, a família Varanshi realiza seminários, como o «Dia na Lama», para explicar aos moradores locais o objetivo desses programas de voluntariado.
No entanto, os habitantes urbanos adoram viver aqui. Partha relatou ter recebido voluntários de 15 países diferentes, incluindo América, Canadá, França, Alemanha, Reino Unido, Escócia, Austrália, Japão e Vietnã. A família Varanshi também planeja construir chalés para lazer familiar. Seu pai, Dr. Varanshi Krishna Murthy, expressa orgulho pela forma como a terra mudou, tornando-se um lugar onde as pessoas podem descansar da vida cotidiana.