Em comemoração ao Mês Nacional da Poupança na África do Sul em julho, torna-se evidente que a inclusão financeira deve evoluir além da simples abertura de contas bancárias. Segundo Yinki Yomi-Tokosi, diretor executivo de estratégia e investimentos do Access Bank South Africa, a verdadeira segurança financeira exige que a alfabetização financeira seja vista como uma infraestrutura nacional essencial.
Insuficiência de acesso aos sistemas
Yomi-Tokosi afirma que o acesso aos sistemas financeiros só faz sentido quando os consumidores sabem usá-los de forma segura, confiante e em seu próprio interesse. Ele observa que um cliente pode ter uma conta bancária, mas ainda se sentir excluído do sistema financeiro por não entender por que foram cobradas taxas, como os juros são calculados, o que é uma ordem de débito, por que o score de crédito é importante ou como reconhecer fraudes.
Tendências preocupantes na África do Sul
O apelo pelo aumento do nível de educação financeira ocorre em um momento crítico de mudanças regulatórias e de mercado na África do Sul, o que é sublinhado por três tendências preocupantes. Em primeiro lugar, há uma grave pressão da dívida: de acordo com dados do FinMark Trust FinScope no ano passado, 75% dos adultos sul-africanos que contraíram empréstimos os usaram para cobrir necessidades diárias, como alimentos, e cerca de 12 milhões de adultos foram classificados como excessivamente endividados.
Em segundo lugar, há um aumento da fraude digital: estatísticas da SABRIC mostram que os casos de fraude em bancos digitais aumentaram drasticamente de 31.612 em 2023 para 64.000 em 2024, com perdas ultrapassando 1,4 bilhão de randes. A SABRIC destacou que esses crimes são causados por engenharia social, manipulação do comportamento humano, e não por falhas técnicas de segurança do banco.
Em terceiro lugar, surgem novas direções políticas: o projeto do Tesouro Nacional sobre Política Nacional de Educação Financeira do Consumidor, apresentado para consulta em 2026, reconhece explicitamente a educação financeira como um pilar chave para melhorar o bem-estar financeiro e construir confiança digital.
Propostas de infraestrutura
Yomi-Tokosi insiste que os bancos devem abandonar a abordagem de tratar a alfabetização financeira como uma 'campanha anual ou um folheto distribuído na agência'. Quando questionado sobre ações específicas do governo, modelos de financiamento e mecanismos de responsabilização que permitiriam que a alfabetização financeira funcionasse como infraestrutura nacional, e não como um evento isolado, ele foi categórico.
Ele explicou que, para transformar a alfabetização financeira em infraestrutura, é necessário um sistema nacional de entrega com coordenação, financiamento e medição contínuos. Yomi-Tokosi propôs um roteiro claro: o Tesouro Nacional deve concluir um plano de implementação com responsáveis, prazos, públicos prioritários e um sistema de avaliação pública anual. O financiamento, segundo sua proposta, pode combinar a exigência existente do Código do Setor Financeiro de que as instituições financeiras aloquem 0,4% da receita líquida após impostos com investimentos governamentais em escolas, programas comunitários e avaliação independente.
Mecanismos de controle e padrões
O Comitê de Educação Financeira do Consumidor deve coordenar padrões e reduzir duplicidades. A responsabilidade deve medir se as pessoas entendem os gastos e os riscos, procuram ajuda a tempo ao aumentar a pressão da dívida, utilizam canais de recurso e realizam transações mais seguras. É crucial que os resultados sejam publicados com detalhamento por público, idioma, nível de renda e canal de entrega, para que os resultados fracos sejam visíveis e possam ser corrigidos.
Quanto ao projeto de política do Tesouro Nacional, Yomi-Tokosi apoia a ênfase em domicílios financeiramente estáveis, PMEs, literacia digital, coordenação de partes interessadas, bem como monitoramento e avaliação reforçados. No entanto, ele acredita que o nível de implementação precisa ser fortalecido, propondo três mudanças práticas: um plano financiado com designação de responsáveis pela entrega e prazos; padrões nacionais mínimos para conteúdo em linguagem simples, conteúdo multilíngue, acessibilidade para pessoas com deficiência e entrega com baixo volume de dados ou offline; e uma estrutura geral de resultados que permita comparar programas usando indicadores de compreensão e comportamento juntamente com a cobertura.
Reclamações, fraudes, atrasos e dados do ombudsman devem definir prioridades, mostrando onde os consumidores enfrentam dificuldades no caminho real do cliente. Para concretizar isso, Yomi-Tokosi acredita que os reguladores devem impor aos bancos obrigações mínimas mensuráveis de incorporar a educação financeira no caminho diário do cliente. Isso inclui o processo de registro, solicitação de crédito, transações de alto risco, atrasos e reclamações. As informações devem ser simples, oportunas, multilíngues e relevantes para a decisão tomada.
Relatórios e ferramentas de combate à fraude
Os bancos devem relatar a cobertura juntamente com resultados como a compreensão pelos clientes, o uso de suporte ou meios de recurso, reincidência de fraude, disputas de pagamento evitáveis, interação mais precoce após pagamentos perdidos e modelos de empréstimo prejudiciais. Esses resultados devem ser segmentados por renda, idade, localização, deficiência e acesso digital, mudando o foco para resultados estáveis para clientes em todos os canais, em vez de contar folhetos, mensagens ou aulas como prova de impacto.
Quando questionado sobre alertas educacionais reais ou intervenções no nível da transação que o Access Bank implementou para reduzir fraudes e empréstimos predatórios, Yomi-Tokosi apontou para ferramentas existentes específicas. O DebiCheck exige autenticação eletrônica de novos mandatos de ordens de débito dos clientes, ajudando a prevenir débitos não autorizados. O Access Bank More usa autenticação biométrica para autorizações no aplicativo e permite que os clientes bloqueiem diretamente cartões perdidos ou roubados. Em relação ao crédito, o processo do Access Bank inclui avaliação de capacidade de pagamento e divulgações prescritas antes da concessão do crédito.
Ele admitiu abertamente: 'Não temos dados comprovados de resultados iniciais que possamos compartilhar publicamente, e eu evitaria vincular alegações de sucesso não verificadas a essas intervenções'. Ele acrescentou que a próxima oportunidade reside em dicas contextuais mais fortes antes que os clientes concordem com um empréstimo ou concluam transações incomumente arriscadas.
Equilíbrio entre alertas e responsabilidade
Desenvolver alertas que reduzam a fraude baseada em engenharia social, mas que não causem fadiga de alertas, representa um equilíbrio delicado. Yomi-Tokosi argumenta que os alertas funcionam melhor quando refletem o risco específico com o qual o cliente está enfrentando no momento. Uma mensagem geral exibida repetidamente torna-se ruído de fundo. Os bancos devem reservar interrupções mais fortes para destinatários incomuns, mudanças rápidas no comportamento das transações, novos dispositivos, pagamentos de grande valor ou padrões relacionados a fraudes. O alerta deve explicar o risco específico, dar ao cliente uma ação clara a ser tomada e fornecer um meio imediato de verificação ou notificação.
Sobre a questão controversa da responsabilidade, quando a manipulação direcionada é bem-sucedida, Yomi-Tokosi acredita que ela deve seguir os fatos e os controles disponíveis de cada parte. Os bancos permanecem responsáveis por sistemas seguros, detecção proporcional e comunicação clara. As empresas de telecomunicações e plataformas digitais também têm responsabilidade. Embora os clientes devam proteger suas credenciais, a manipulação direcionada nunca deve implicar automaticamente que apenas o cliente é culpado.
Yomi-Tokosi aponta cautelosamente os limites da alfabetização financeira: ela melhora o julgamento na tomada de decisões do consumidor, mas não resolve problemas causados por produtos inatingíveis, pontuações de crédito fracas, táticas de venda agressivas e aplicação inadequada da lei, que exigem uma intervenção de mercado mais forte. Avaliação de crédito responsável, gestão de produtos, restrições onde o dano é previsível, suporte acessível à dívida e supervisão eficaz devem funcionar em paralelo com a educação.
Alcançando a universalidade
Para evitar exacerbar desigualdades, as intervenções devem alcançar as pessoas através de agências, organizações comunitárias, rádio, USSD, WhatsApp e serviços digitais sem tarifa. O conteúdo deve ser multilíngue e desenvolvido para diferentes níveis de alfabetização, confiança digital e necessidades de pessoas com deficiência. O sucesso deve ser medido separadamente para grupos vulneráveis. Ele adverte: 'Uma intervenção que melhora os resultados principalmente para clientes digitais e mais abastados não resolve o problema nacional.'
Próximos passos e apelos
Olhando para o futuro, Yomi-Tokosi apresenta três exigências urgentes. Dentro de 12 meses, o Tesouro Nacional deve publicar um plano de implementação financiado com metas nacionais e um painel de resultados público. O órgão de supervisão prudencial, em conjunto com a FSCA, deve exigir que os conselhos de administração dos bancos considerem a exposição à engenharia social, a resposta à fraude e a confiança digital como prioridades de risco de gestão e operacional. Em seis meses, o setor bancário deve adotar padrões gerais para alertas baseados em riscos, proteção rápida de contas e relatórios de fraude.
Se pudesse priorizar uma iniciativa financiada, seria um serviço nacional gratuito de 'Pausar, Verificar, Informar'. Operando através de aplicativos, USSD, WhatsApp, call centers e canais comunitários, forneceria aos consumidores uma maneira confiável de verificar uma mensagem ou solicitação de pagamento e denunciar rapidamente qualquer suspeita de fraude. Em última análise, a visão é clara: 'A confiança digital não é construída apenas pela tecnologia', conclui Yomi-Tokosi. 'Ela também depende de as pessoas entenderem os riscos em torno dessa tecnologia. Alfabetização financeira não é um complemento suave à inclusão. É o que ajuda as pessoas a transformar acesso em controle.'