O Iraque e a Síria celebraram um acordo de cooperação destinado à reconstrução de um oleoduto que transportará petróleo dos campos iraquianos para a costa do Mar Mediterrâneo sírio. Esta iniciativa faz parte de um acordo supervisionado pelos EUA com o objetivo de contornar o Estreito de Ormuz.
Detalhes do Acordo e Mediação dos EUA
A publicação Middle East Eye relatou inicialmente que os Estados Unidos estão atuando como mediador nos esforços para restaurar o oleoduto Kirkuk-Baniyas. O embaixador dos EUA na Turquia e o enviado especial para a Síria, Tom Barrack, lideraram este processo. Após comunicados exclusivos da MEE, esta notícia foi noticiada pela Bloomberg, Reuters, The Wall Street Journal e The Financial Times.
O acordo foi assinado durante a reunião do Conselho de Negócios dos EUA e do Iraque em Washington, D.C. As partes que assinaram o documento foram Bassem Abdul Karim Nasr, chefe da Basra Oil Company do Iraque, e Youssef Kablaoui, diretor geral da Syrian Petroleum Company da Síria. O ministro das Relações Exteriores dos EUA, Chris Wright, supervisionou a assinatura.
Significado Estratégico do Projeto
O Departamento de Estado dos EUA caracterizou a modernização do oleoduto como um 'projeto de infraestrutura prioritário de importância estratégica bilateral e regional'. O Departamento declarou em seu comunicado: 'Os Estados Unidos acolhem a participação de um consórcio internacional liderado pelos EUA para executar os aspectos técnicos e financeiros deste projeto'. Este projeto é importante porque os EUA buscam fortalecer os laços entre Bagdá e Damasco para reduzir a influência do Irã na região e seu controle sobre os fluxos globais de energia no Golfo Pérsico.
Participantes e Aspectos Técnicos
A reconstrução do oleoduto está sendo realizada por um consórcio que inclui a empresa de energia americana Chevron, sediada em Los Angeles, TI Capital, e os irmãos Al-Hayyat, bilionários da Síria e do Catar. Estes irmãos já fecharam acordos multimilionários na Síria em setores de finanças, infraestrutura, imóveis e aviação.
Este projeto foi um dos vários apresentados durante a visita do primeiro-ministro iraquiano Ali al-Zaydi aos EUA esta semana. Durante a visita, ele se reuniu com o presidente Donald Trump na Casa Branca. Um alto funcionário iraquiano informou à MEE que Barrack estabeleceu boas relações de trabalho com Zaydi e pretende usar este oleoduto como modelo para projetos de negócios no Levante, que ele promove ativamente como benéficos para os EUA e governos locais.
História e Condição do Oleoduto
O oleoduto foi inaugurado em 1952 pela companhia iraquiana 'Petroleum Company' com uma capacidade de cerca de 300.000 barris por dia (bpd). No entanto, Bagdá interrompeu a operação da linha na década de 1980 depois que a Síria apoiou o Irã durante a Guerra Irã-Iraque. Após a invasão dos EUA ao Iraque em 2003, a linha sofreu danos graves e ficou efetivamente inoperante. Sua restauração requer trabalhos de reparo em grande escala, incluindo a instalação de novos compressores, reservatórios de armazenamento e sistemas elétricos.
De acordo com um alto funcionário regional, o oleoduto provavelmente precisará ser totalmente substituído, o que levará dois a três anos. Ele também observou que o consórcio de empresas americanas já foi atraído para realizar a reconstrução, o que demonstra o compromisso dos EUA com esta questão.

