Zoólogos avaliaram o alcance de voo dos cuscus voadores gigantes do sul, que são os marsupiais planadores mais grandes. Foi determinado que esses animais planeiam distâncias entre 6,7 e 49,6 metros, com uma média de 19,1 metros. Este número difere significativamente das afirmações na literatura, onde se supunha que eles poderiam percorrer até 100 metros.
Baixa Eficiência de Planeio
Em comparação com outros marsupiais planadores, os cuscus voadores gigantes demonstram um ângulo de planeio mais acentuado e uma relação horizontal/perda de altitude mais baixa (1,1). Estas características indicam uma baixa eficiência no seu planeio, tornando a espécie mais vulnerável ao desmatamento e à fragmentação florestal do que se pensava anteriormente. Os resultados deste trabalho foram publicados na revista Australian Mammalogy.
Revisão de Planos e Teorias Anteriores
Representantes de várias famílias de marsupiais dicotomos (Diprotodontia), que habitam a Austrália e Papua Nova Guiné, desenvolveram a capacidade de voo planador através do desenvolvimento de uma membrana cutânea entre os membros. O menor planador entre todos os mamíferos é o cuscuco voador anão (Acrobates pygmaeus), cuja massa atinge apenas cerca de 12 gramas.
A opinião comum sobre a capacidade dos cuscus voadores do sul de planar 100 metros baseia-se numa observação feita em 1941 por um residente do estado de Nova Gales do Sul. Esta pessoa viu um marsupial grande planar várias vezes consecutivas entre as árvores, emitindo sons. No entanto, os zoólogos duvidam dessa avaliação, pois os cuscus voadores raramente realizam voos consecutivos e geralmente não emitem sons. É provável que esta observação se refira a outra espécie — o petauro australiano (Petaurus australis).
Metodologia do Estudo
Ana Grachanin, da Universidade Nacional Australiana, e sua equipe iniciaram a precisão do alcance real de voo dos cuscus voadores gigantes do sul. Para realizar o estudo, dirigiram-se às florestas de eucalipto húmidas localizadas nas elevações sudeste de Nova Gales do Sul, especificamente nas áreas dos parques nacionais Monga e Tallagand.
Os pesquisadores capturaram sete cuscus voadores gigantes do sul e colocaram cada um em uma árvore separada. Árvores mortas foram usadas para evitar que o animal ficasse escondido por muito tempo. Após cada voo planador, quando o cuscuco pousava em outra árvore, os cientistas registravam a distância percorrida. Além disso, a equipe registrou sete casos de planeio autônomo pelos cuscus que saíram de tocas, bem como 27 voos aleatórios. As observações foram feitas ao crepúsculo ou em noites de lua cheia sob luz natural, bem como com o auxílio de lanternas e termovisores.
Análise dos Dados de Voo
A análise dos dados coletados em 41 voos permitiu a Grachanin e seus coautores concluir sobre as baixas capacidades de planeio desses marsupiais. A distância horizontal variou de 6,7 a 49,6 metros (média de 19,1 metros). Os cuscus decolaram de galhos a uma altura média de 21,8 metros e pousaram a uma altura de 4,7 metros, frequentemente em uma superfície vertical do tronco, depois subindo imediatamente para a copa. O ângulo médio de voo foi de 43,5 graus. Gravações de vídeo de 12 voos permitiram calcular que a duração média do voo é de 3,26 segundos e a velocidade horizontal é de 5,2 metros por segundo.
Foi observado que quanto maior fosse o ponto de partida, mais longe os cuscus planeavam. No entanto, é improvável que esta espécie atinja regularmente distâncias de 100 metros ou mais, mesmo em florestas com árvores mais altas.
Comparação com Outras Espécies
O alcance horizontal de voo dos cuscus voadores gigantes do sul é comparável às características dos pequenos petauros marsupiais do género Petaurus. No entanto, os petauros grandes são capazes de planar distâncias mais significativas — em média cerca de 40 metros, e em raras ocasiões — até 143 metros. O panorama geral para os cuscus voadores gigantes do sul é caracterizado por um ângulo de planeio mais acentuado e um baixo coeficiente de relação distância horizontal/perda de altitude (1,1), o que indica baixa eficiência. Supõe-se que isso esteja relacionado ao seu grande tamanho e à peculiaridade da localização da membrana de voo, que se afasta do cotovelo, e não do pulso, como em outros marsupiais planadores.
Os autores enfatizam que as habilidades de planeio limitadas tornam esta espécie ameaçada ainda mais sensível aos processos de desmatamento e fragmentação de massas florestais do que se pensava anteriormente.



