Pesquisadores anunciaram a primeira confirmação de uma atmosfera em um planeta rochoso situado na zona habitável de uma estrela diferente. Este avanço representa um marco significativo na busca por mundos com potencial para abrigar vida.
Busca por mundos habitáveis
Por décadas, cientistas têm dedicado esforços à identificação de planetas com condições favoráveis ao surgimento da vida, procurando corpos celestes com características análogas às da Terra. Embora já tenham sido mapeadas zonas habitáveis em diversos sistemas estelares e catalogados mais de seis mil exoplanetas, nenhum até então reunia o conjunto completo de requisitos terrestres.
Para que a vida conhecida possa prosperar, um planeta deve possuir estrutura rochosa, apresentar água líquida em sua superfície — o que implica uma temperatura moderada — e, crucialmente, ser capaz de reter uma atmosfera. Essa camada gasosa é vital, pois regula o clima, protege a superfície contra a radiação e sustenta as condições necessárias à existência biológica.
Descoberta do LHS 1140 b
A situação mudou com a detecção de um planeta rochoso com atmosfera em uma zona habitável de outra estrela. Este feito foi realizado por pesquisadores da Universidade Harvard e divulgado no periódico científico Science em 16 de julho. É importante notar que, embora não tenha sido encontrada vida no planeta, os elementos essenciais para seu surgimento foram identificados.
O objeto estudado é o exoplaneta LHS 1140 b, que foi descoberto em 2017. Ele orbita uma anã vermelha, localizada a aproximadamente 48 anos-luz da Terra, dentro de sua zona habitável. As estrelas anãs vermelhas são notórias por emitirem intensa radiação e erupções destrutivas, mas a estrela específica deste sistema demonstrou ser menos ativa, permitindo que o planeta conservasse sua camada gasosa.
Métodos de detecção e análise
A detecção atmosférica foi possibilitada pelo uso de um modelo teórico criado por Collin Cherubim, o autor principal do estudo. Este modelo projetou a composição da atmosfera do planeta, sugerindo que o LHS 1140 b possuía uma atmosfera superior rica em hélio, que estaria escapando gradualmente para o espaço. Para validar essa previsão, a equipe empregou o espectrógrafo WINERED, instrumento que confirmou a presença desse hélio escapando ao redor do planeta, provando assim a retenção atmosférica.
David Charbonneau, líder do Departamento de Astronomia da Universidade Harvard, comentou que Collin previu a atmosfera de hélio após analisar planetas conhecidos, organizou o tempo de observação com telescópios, coletou os dados e que a detecção foi considerada estatisticamente robusta.
Características e próximos passos
De acordo com o estudo, essa atmosfera pode estar presente há mais de três bilhões de anos. Contudo, existem distinções importantes entre o LHS 1140 b e a Terra; o exoplaneta é maior, mais massivo e mais frio. Adicionalmente, ele completa uma órbita em apenas 25 dias e apresenta rotação sincronizada, mantendo sempre um lado voltado para sua estrela.
Os pesquisadores planejam agora investigar detalhadamente a composição dessa atmosfera e procurar outros sinais de habitabilidade, como a possível existência de água líquida na superfície. O modelo desenvolvido pela equipe também será aplicado ao estudo de outros exoplanetas.