Um novo comunicado emitido pelo Gabinete de Informação de Moçambique (Gabingo) informou sobre o regresso de mais cidadãos moçambicanos ao seu país devido à violência direcionada a imigrantes na África do Sul. Estava prevista a chegada de mais 65 nacionais no final do dia, incluindo 14 vindos de Witbank, na província de Mpumalanga, como parte das operações de apoio e repatriação em andamento.
Situação em diferentes províncias
Nas autoridades locais da província do Cabo Ocidental, foi notificado o consulado de Moçambique na Cidade do Cabo sobre a presença de 48 cidadãos moçambicanos, entre eles quatro crianças, que expressaram a intenção de voltar ao país. O Gabinfo também confirmou que os cidadãos continuam a ser recebidos no Alto Comissariado de Moçambique em Pretória, abrangendo aqueles oriundos de Joanesburgo, Pretória, Gauteng e outras áreas.
Assistência e desafios enfrentados
O Gabinfo detalhou que o processo de assistência e repatriação prossegue para os cidadãos moçambicanos afetados por atos de intimidação e violência em diversas províncias da República da África do Sul. Em Gauteng, uma cidadã moçambicana que deu à luz nas instalações do Alto Comissariado recebeu alta hospitalar com o recém-nascido em boas condições de saúde, sob acompanhamento das autoridades.
A instituição também relatou a persistência de casos de vulnerabilidade, onde cidadãos moçambicanos perderam alojamento ou foram desalojados de seus locais de trabalho devido ao aumento da perseguição e às operações de fiscalização migratória.
Resposta governamental e contexto da crise
Os incidentes de agressão contra estrangeiros motivaram o Governo moçambicano a intensificar tanto a assistência consular quanto as operações de repatriação, mantendo um monitoramento constante através das representações diplomáticas e consulares na África do Sul. Manifestantes anti-imigração sul-africanos impuseram um ultimato até 30 de junho para que todos os estrangeiros deixassem o país, enquanto o governo sul-africano havia anunciado restrições nas políticas migratórias e reforço da segurança.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, reconheceu na quarta-feira o agravamento da xenofobia na África do Sul, em decorrência de incidentes violentos envolvendo moçambicanos, e assegurou que havia meios logísticos disponíveis para o acolhimento e repatriação das vítimas. O Governo de Moçambique divulgou que, na última onda de ataques xenófobos, pelo menos 283 moçambicanos sofreram agressões, tiveram suas residências incendiadas e bens vandalizados. No dia seguinte, o Presidente moçambicano informou que 38 cidadãos moçambicanos residentes legalmente na África do Sul foram agredidos e expulsos de suas casas.
Atualmente, estima-se que Moçambique tenha cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul, e a Presidência comunicou que milhares já retornaram ao país em função da violência.