Cidadãos estrangeiros de diversas nações africanas, como Gana, Nigéria, Maláui, Moçambique, Uganda e Zimbabué, deixaram a África do Sul em programas de repatriação organizados pelos seus respectivos governos ao longo de várias semanas.
Contexto da Crise Migratória
A África do Sul, tradicionalmente um ponto de chegada para trabalhadores africanos, tem enfrentado intensos protestos e agitações contra imigrantes. Estes últimos são frequentemente acusados de competir por empregos com os cidadãos sul-africanos.
Operação de Repatriação Nigeriana
Kimiebi Ebienfa, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros nigeriano, confirmou o regresso de 1.490 nigerianos da África do Sul após a conclusão de uma série de voos humanitários coordenados entre junho e julho. Em um comunicado divulgado na quarta-feira, Ebienfa especificou que um quinto voo da Air Peace partiu de Joanesburgo naquela manhã, transportando 305 nigerianos e três funcionários governamentais responsáveis pela supervisão.
A operação foi implementada em resposta direta às preocupações de segurança geradas pelos ataques xenófobos contínuos contra estrangeiros, incluindo os nigerianos.
Impacto da Violência Xenófoba
Os dados governamentais indicam que a violência xenófoba resultou na morte de 11 moçambicanos. Além disso, houve um ataque armado na província sul-africana de Gauteng na terça-feira, que deixou mais dois cidadãos gravemente feridos, associado à violência contra imigrantes, conforme relatado pelo Gabinete de Informação de Moçambique (Gabinfo).
Em relação a Moçambique, o país recebeu até o momento 1.363 cidadãos repatriados vítimas dessa violência, somando-se a 6.156 malauianos que passaram pelo território afetados pela mesma situação.
Outros Países Afetados
O Maláui reportou ter repatriado 38.000 cidadãos em apenas um mês no início de julho, enquanto o Zimbabué registrou a repatriação de 21.300 pessoas.
Declarações e Pedidos
A primeira-ministra da Nigéria declarou que não havia sinais de melhora na situação, anunciando novos voos de repatriação. Ela solicitou à Pretória que investigasse as mortes de dois nigerianos, atribuindo-as à campanha anti-imigração, embora a polícia sul-africana tenha negado qualquer ligação entre esses óbitos e os protestos. A onda de violência também se manifestou através de saques e incêndios criminosos em estabelecimentos comerciais.



