Cientistas estudaram os restos mortais de seis indivíduos encontrados no necrópole de Dahshur. Esses restos, datados entre 1850 e 1700 a.C., pertenciam ao faraó Atibre Hore, a quatro princesas e a outra mulher.
Resultados da análise antropológica
O estudo, publicado na revista Frontiers in Environmental Archaeology, demonstrou que as mulheres da família real egípcia provavelmente praticavam regularmente o tiro com arco e possivelmente outros exercícios militares, evidenciado pelas alterações em seus ossos.
Contexto histórico das descobertas
O necrópole de Dahshur está localizado perto do Cairo e faz parte do antigo Mênfis, que serviu como capital do Antigo Egito por muito tempo. Este complexo inclui inúmeros túmulos de elite e pirâmides construídas durante os períodos Antigo, Médio e Segundo Período de Transição. Entre as estruturas conhecidas estão as Pirâmides Inclinada e Rosa, cuja construção é atribuída ao faraó Snofru, fundador da IV Dinastia.
Escavações e identificação
As escavações sistemáticas em Dahshur foram realizadas pelo francês Jean-Jacques de Morgan no final do século XIX, que liderava o Conselho Supremo de Antiguidades do Egito. Sob sua direção, em 1894-1895, os pesquisadores trabalharam nas pirâmides de Amenemhat II e Amenemhat III e em suas proximidades. Foi lá que foi encontrado um sepultamento intacto do faraó da XIII Dinastia, Atibre Hore (século XVIII a.C.), e os túmulos de vários membros da família real, incluindo as princesas Nub-Hotep, Itu, Henmet e Itaveret.
Detalhes do estudo dos esqueletos
Zeinab Hashesh, da Universidade de Beni-Suef, juntamente com colegas do Reino Unido e do Egito, apresentou os resultados da análise dos restos mortais do faraó Atibre Hore, quatro princesas e mais uma mulher. A análise antropológica e paleopatológica permitiu avaliar o nível de esforço físico, bem como estudar a substância escura encontrada nos ossos de cinco dos seis indivíduos. Os pesquisadores determinaram que os mais idosos deste grupo eram o faraó Atibre Hore e a princesa Nub-Hotep, que viveram cerca de 40 a 44 anos, enquanto a mulher mais jovem morreu com mais de vinte anos.
Mumificação e práticas funerárias
Vestígios de resinas usadas por embalsamadores foram encontrados nos ossos de cinco indivíduos conhecidos. A espectroscopia de infravermelho com transformada de Fourier mostrou que, em todos os casos, era resina, mas nos ossos da princesa Itu foi detectada apenas resina de zimbro, enquanto nos outros casos foi uma mistura de resina de olíbano e zimbro. Os autores sugerem que essas resinas eram trazidas para o Egito de regiões do sul, como Núbia ou Punt.
Condição física e habilidades militares
A análise óssea mostrou que pertencer à elite não protegia as pessoas de problemas fisiológicos infantis; vestígios de lesões cicatrizadas, doenças degenerativas e anomalias congênitas foram observados nos restos de muitos, incluindo o faraó. No entanto, o mais notável foi a descoberta de sinais de esforço físico regular e significativo no faraó e em algumas princesas. De acordo com os autores, as princesas egípcias do Período Médio ou Segundo Período de Transição treinavam regularmente em tiro com arco e outros exercícios de combate. Essa opinião é apoiada pelos achados de armas nos túmulos: um conjunto de flechas para arco foi encontrado no túmulo de Nub-Hotep, e no túmulo da princesa Itu, um punhal de bronze com cabo ricamente decorado.