A Netflix está analisando a possibilidade de implementar canais lineares, transmitindo séries, filmes e programas de televisão, além de desenvolver pacotes de assinatura que incluam serviços de outras empresas de streaming. Essas estratégias visam reverter a tendência de queda no engajamento dos espectadores.
Estrutura dos novos canais e pacotes
Os canais propostos teriam uma grade de programação fixa, exibindo conteúdos específicos, como um canal dedicado exclusivamente a séries como Seinfeld ou outro focado em dramas policiais durante todo o dia. Paralelamente, os pacotes com terceiros seriam comercializados diretamente pelo aplicativo da Netflix, permitindo aos usuários acessar esses serviços dentro da própria plataforma. Essa abordagem espelha o modelo adotado por gigantes como Amazon Prime Video e Apple TV, buscando consolidar-se como um ponto central para diversas assinaturas.
A inclusão desses canais e streamings na tela inicial do aplicativo representaria uma alteração significativa no modelo operacional atual da companhia, competindo com o espaço tradicionalmente reservado às produções originais da Netflix.
Motivações da Netflix para a mudança
De acordo com fontes consultadas pelo Wall Street Journal, o principal motivo para essas mudanças reside na deterioração das métricas de engajamento da Netflix. Essas métricas medem o tempo que os usuários dedicam à plataforma e a frequência com que completam os conteúdos, sendo cruciais para o setor de entretenimento, pois indicam a satisfação do consumidor e a probabilidade de retenção da assinatura.
A situação financeira da empresa também é um fator relevante, visto que suas ações despencaram mais de 40% nos últimos doze meses, e ela tem registrado margens operacionais decrescentes anualmente. Nos Estados Unidos, a participação de mercado da Netflix, conforme dados da Nielsen, atingiu 7,8%, o patamar mais baixo desde maio de 2025.
Contexto competitivo e outros planos
O cenário do streaming é altamente competitivo. Enquanto isso, a Paramount está avançando na aquisição da Warner Bros. Discovery, após um acordo avaliado em US$ 111 bilhões, e a Fox Corp concluiu a compra do Roku por US$ 22 bilhões em junho de 2026.
Para manter sua relevância no mercado, a Netflix já diversificou seu conteúdo, passando a incorporar podcasts em formato de vídeo, materiais já disponíveis no YouTube e vídeos curtos de parceiros como BuzzFeed e Condé Nast. Este tipo de material possui custos operacionais inferiores aos de séries e filmes próprios, auxiliando no aumento do engajamento.
Em um movimento internacional, a Netflix começou a transmitir o canal TF1 na França, um acordo que agradou o parceiro em termos de audiência. Fontes do WSJ sugerem que a empresa pode buscar parcerias similares na Europa e na América Latina. Por fim, há planos futuros para a participação em eventos esportivos, com executivos discutindo a entrada nos leilões de direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2030 e 2034.