O governo da Inglaterra está preparando a implementação de uma das medidas mais rigorosas para proteger a saúde das crianças, que prevê a proibição da compra de bebidas energéticas com alto teor de cafeína para menores de 16 anos.
Detalhes da nova proibição
De acordo com o anúncio feito na quinta-feira, a venda de bebidas contendo mais de 150 miligramas de cafeína por litro será proibida para todos com menos de 16 anos, a partir de abril do próximo ano, sujeito à aprovação do parlamento. Esta restrição se aplicará a supermercados, pequenas lojas, cafés, restaurantes, máquinas de venda automática e varejistas online.
Esta decisão foi tomada em meio a alertas de ministros de que cerca de 100.000 crianças na Inglaterra consomem diariamente bebidas energéticas com alto teor de cafeína. Essas bebidas estão associadas à má qualidade do sono, aumento da ansiedade, diminuição da concentração e deterioração geral do bem-estar.
Riscos para o cérebro em desenvolvimento
Especialistas observam que crianças e adolescentes absorvem a cafeína de forma diferente dos adultos, pois seu sistema nervoso e cérebro ainda estão em fase de formação. Isso os torna mais vulneráveis a estimulantes que podem afetar negativamente o humor, a atenção e a regulação emocional.
Segundo a Johns Hopkins Medicine, quase um em cada três adolescentes entre 12 e 17 anos consome regularmente bebidas energéticas, o que levanta preocupações entre especialistas pediátricos sobre o impacto a longo prazo na saúde física e mental das crianças. Essas bebidas frequentemente contêm mais cafeína do que duas xícaras de café, além de grandes quantidades de açúcar e outros estimulantes.
Profissionais de saúde alertam que o consumo excessivo de cafeína em jovens pode desencadear dores de cabeça, agitação, palpitações, arritmia, desidratação, ataques de pânico e, em casos raros, convulsões. O consumo regular também está ligado ao aumento da ansiedade, estresse, agressividade e sintomas de depressão, e a privação do sono pode afetar a memória, o aprendizado e o desempenho escolar.
Problemas adicionais e marcas
As versões açucaradas dessas bebidas criam um problema adicional, pois a Associação de Nutricionistas do Reino Unido alerta que elas contribuem para obesidade infantil e cáries, criando uma dupla carga para a saúde dos jovens. De acordo com as novas regras, marcas populares como Red Bull, Monster, Relentless e Prime Energy não poderão mais ser vendidas legalmente a pessoas com menos de 16 anos, pois excedem o limite de cafeína estabelecido. No entanto, a legislação não afeta bebidas não alcoólicas menos fortes, como Diet Coke, nem chá e café.
A Ministra da Saúde Pública, Sharon Hodgson, declarou que esta proibição demonstra «nosso firme compromisso em criar a geração de crianças mais saudável». Caso a lei seja aprovada pelo Parlamento, as empresas que violarem as regras podem enfrentar multas de até 2.500 libras esterlinas. A proposta baseia-se nos resultados de consultas públicas, nas quais participaram cerca de 1.100 pessoas, a maioria das quais apoiou a introdução de restrições de idade.
Discordâncias e alternativas
Nem todos apoiam esta medida. Catherine Jenner, diretora executiva da Obesity Health Alliance, saudou a iniciativa, chamando a restrição de venda de bebidas a crianças de «simples bom senso». No entanto, a British Soft Drinks Association afirmou que a legislação é desnecessária, observando que seus membros voluntariamente não promovem a venda de tais bebidas a menores de 16 anos desde 2010, e todas as bebidas com alto teor de cafeína possuem o aviso «não recomendado para crianças».
No entanto, ativistas da saúde afirmam que os avisos são insuficientes para reduzir o consumo entre os jovens. Esta política também representa um afastamento de decisões governamentais anteriores, uma vez que uma limitação semelhante foi proposta sob o antigo governo Conservador, mas foi revogada em 2022.
Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte também estão considerando a introdução de restrições semelhantes. Especialistas aconselham os pais a escolher água como a opção mais saudável para hidratação, bem como leite desnatado, alternativas lácteas enriquecidas, água de coco sem açúcar e suco de fruta diluído. Eles enfatizam que, mesmo após exercícios físicos, a maioria das crianças precisa apenas de água para repor líquidos.



