Os moradores de Bengaluru, Mahesh e Sajitha, decidiram implementar os princípios do desenvolvimento sustentável na reconstrução de sua casa de família. A nova casa reflete as características de sua residência de 40 anos, mas está equipada com elementos ecologicamente corretos, desde a fundação até o telhado.
Princípios de reciclagem e autossuficiência
Uma característica deste projeto é que todos os elementos que poderiam ser salvos da casa antiga foram reutilizados na nova. A casa também se autossustenta em grande parte em suas necessidades de água e eletricidade. Sajitha observou que o principal objetivo era criar uma moradia simples, fácil de manter e aconchegante, já que ambos os cônjuges trabalham e valorizam o conforto para receber convidados.
Para realizar o projeto, eles procuraram Jyothika Baleri, arquiteta-chefe da Destination Designs. Os arquitetos desmontaram cuidadosamente todas as portas e janelas do edifício antigo para uso posterior na nova estrutura. Além disso, Jyothika projetou um poço para coleta de água da chuva, que cobre todas as necessidades hídricas da família durante a estação chuvosa.
Energia solar e água
No telhado, com uma área de cerca de 700 pés quadrados, foram instalados painéis solares. Esses painéis fornecem eletricidade para a maior parte da casa, incluindo o elevador. O sistema utiliza duas fontes de energia: energia solar e fornecimento elétrico da BESCOM (Bangalore Electricity Supply Company Limited). A energia solar está conectada à rede geral, e o excedente é transmitido para lá. A maioria dos consumidores de energia, como o elevador, a bomba do poço, a iluminação externa e a escada, é alimentada pela linha solar.
Sajitha enfatizou que eles têm dois reservatórios — um para água do Cauvery e outro para água da chuva. Durante a estação chuvosa, ou quando há água no reservatório, eles a usam para todas as necessidades domésticas, após filtragem, incluindo água potável.
Mahesh acrescentou que, graças a essa abordagem, eles economizam entre 6.000 e 7.000 rúpias por mês, totalizando uma economia de 72.000 rúpias por ano.
Fusão de tradições e modernidade
A construção levou cerca de um ano, começando em fevereiro de 2018 e terminando em maio de 2019. Jyothika, especializada em restauração e reforma, observa que em todos os seus projetos ela usa e recicla itens de casas antigas. Ela também tem experiência no estilo Chettinad. Em seu livro «Chettinad In Your Home», Jyothika descreve as casas Chettinad como um «explosão de cor e grandeza», combinando fachadas decorativas nos estilos vitoriano, georgiano e paladiano com interiores tradicionais tamiles, criando uma mistura única de estilos arquitetônicos indianos e ocidentais.
Sobre a casa de Sajitha, Jyothika explicou que, devido à construção em períodos diferentes, cada andar foi feito em seu próprio estilo, com janelas e portas diferentes. Na reconstrução, a prioridade é a máxima economia. Algumas portas que não puderam ser reutilizadas foram transformadas em suportes para móveis.
Os arquitetos também tentaram encontrar o máximo de móveis possível, comprando apenas blocos de madeira para fazer camas. Também foi encontrado um portal principal esculpido no estilo Chettinad. Outra característica do Chettinad é o revestimento Athangudi, que previne a monotonia do piso. Eles até usaram pedras de fundação na restauração da casa. Entre os itens de mobiliário únicos, há uma mesinha de Jaipur, por exemplo, que foi adaptada para a altura de uma mesa de jantar, e uma antiga estante de livros que também foi reutilizada.
Para Sajitha, a obra-prima foi o «Trono», que os arquitetos fizeram para ela, transformando um elefante-houda de Rajastão em um sofá confortável que ela usa para descansar. Como não havia espaço por fora, a casa possui jardins verticais, e o terraço é totalmente ajardinado, onde cultivam buganvílias, bem como ervas como tulsi, coentro e pimenta verde.
Os arquitetos também criaram um claraboia para a escada, usando garrafas de álcool antigas. Essas garrafas (brancas, verdes, vermelhas e marrons) foram colocadas entre duas folhas de vidro, o que confere ao espaço uma aparência incomum e maravilhosa. Além disso, o teto não foi perfeitamente polido, mantendo a textura fosca. Para deixar a casa clara e arejada, foram usados blocos vazados de terracota em toda a escada. A combinação desses blocos e do jardim vertical forma telas para a escada externa.
Jyothika conclui: «Nossa ideia é simples — tirar proveito de cada item presente na casa. Aprendemos a não desperdiçar desde a infância e agora aplicamos isso no trabalho. Nós restauramos cada casa em que trabalhamos; nós não construímos novas casas. Isso exige um pouco mais de tempo, mas eu amo esse desafio».


