O Instagram havia anunciado uma funcionalidade que permitiria a qualquer indivíduo utilizar o rosto de outra pessoa em imagens criadas por inteligência artificial. Para isso, bastaria inserir o nome de usuário da vítima no aplicativo, possibilitando a manipulação fotográfica por IA e a subsequente republicação dos resultados.
Implicações e Configurações Iniciais
Esta novidade seria ativada de maneira automática para todas as contas públicas da plataforma. Para evitar a criação de deepfakes, os usuários teriam duas opções: buscar uma configuração específica, que estava pouco visível nos menus do aplicativo, ou tornar sua conta privada.
Decisão de Recuo da Meta
Inicialmente, o propósito da implementação era fomentar o uso do Muse Image, um novo algoritmo de geração de imagens desenvolvido pelo setor de IA da Meta. Contudo, mesmo considerando os padrões da empresa, a proposta foi considerada excessiva em termos de privacidade. Na noite de sexta-feira (10), a Meta optou por desfazer o lançamento da função.
Em comunicado, a empresa justificou a mudança dizendo: “Nosso objetivo era fornecer uma ferramenta criativa útil, e dar às pessoas controle de decidir se seu conteúdo público poderia ser referenciado [usado] dessa forma. Ouvimos o feedback de que essa função errou o alvo, então ela não está mais disponível”.
Histórico de Questões de Privacidade
Este episódio não é o primeiro caso em que a Meta ativa funcionalidades invasivas automaticamente, seja forçando a aceitação ou ocultando detalhes nos termos de uso de seus produtos e aplicativos. Um escândalo anterior ocorreu em fevereiro, quando colaboradores da Sama, localizada no Quênia, relataram receber vídeos capturados pelos óculos Meta Glasses. Essas gravações continham informações extremamente privadas, como dados bancários, cenas de sexo ou momentos em banheiros.
Após a exposição desse incidente, que causou grande repercussão internacional, a Meta encerrou seu contrato com a Sama. A empresa africana empregava mais de mil pessoas responsáveis pela tarefa de “anotação de dados”; elas recebiam conteúdo capturado pelos dispositivos e aplicativos da Meta para legendagem manual, processo utilizado no treinamento das IAs de reconhecimento de imagem da Meta.