Paleogenetistas realizaram uma análise do DNA extraído dos restos mortais de antigos humanos enterrados na ilha de Gotland durante o Neolítico. As pesquisas revelaram que vários indivíduos, vivendo em diferentes épocas, sofreram de peste. Um desses casos data aproximadamente de 3490 a 3110 a.C., tornando-o um dos mais antigos registrados no mundo.
Contexto Histórico da Peste
A peste é conhecida como uma das doenças infecciosas mais destrutivas na história da humanidade, que ceifou milhões de vidas. Os surtos mais conhecidos são a Peste Justiniana e a Peste Negra, que ocorreram na Idade Média. Embora os seres humanos modernos enfrentem essa ameaça, a escala de tais epidemias hoje é significativamente diferente.
Descobertas de DNA Antigo
Graças ao estudo do DNA antigo, os cientistas concluíram na última década que os contatos humanos com a bactéria da peste (Yersinia pestis) ocorreram muito antes das pandemias medievais. Dados genéticos indicam que os habitantes pré-históricos da Eurásia foram infectados por esta infecção há mais de cinco mil anos. Confirmações disso foram encontradas na análise de restos mortais do Baikal e da Prússia Oriental, bem como em outras regiões, incluindo Alemanha e Escandinávia.
Estudo na Gotlândia
Uma equipe de cientistas do Reino Unido, México, Turquia, França e Suécia, liderada por Mattias Jakobsson da Universidade de Uppsala, concentrou-se no DNA obtido de antigos habitantes de Gotland. A atenção principal foi dada aos agricultores e criadores de gado da cultura dos copos cônicos (aproximadamente 4000–2800 a.C.) e caçadores-coletores-pescadores da cultura da cerâmica de poço (aproximadamente 3300–2300 a.C.), que coexistiram na ilha por quinhentos anos durante o Neolítico médio. Além disso, o genoma de um indivíduo do Neolítico tardio (cerca de 2030–1890 a.C.) foi sequenciado.
Características Genéticas dos Habitantes Antigos
O indivíduo do Neolítico tardio, de acordo com os dados dos geneticistas, era um homem e representa o caso mais antigo conhecido em Gotland com componente ancestral de estepe associada a portadores da cultura arqueológica Yamnaya. Os pesquisadores também descobriram segmentos homozigotos longos no representante da cultura dos copos cônicos, o que indica parentesco entre seus pais (por exemplo, primos).
Descoberta da Bactéria da Peste
O maior interesse científico foi a busca pelo DNA de patógenos antigos. A análise de amostras de 32 pessoas de Gotland mostrou que o único homem do Neolítico tardio na amostra estava infectado com a bactéria da peste. Além disso, também detectaram infecção pela bactéria Y. enterocolitica, causadora de yersiniose intestinal. Uma coinfecção semelhante foi identificada anteriormente no estudo de restos mortais antigos da Suécia continental.
Conclusões sobre a Disseminação da Infecção
Embora o DNA da bactéria da peste estivesse supostamente presente nos restos de mais quatro pessoas, a confirmação disso foi mais difícil do que no caso do homem do Neolítico tardio. No entanto, os cientistas concluíram que, durante o Neolítico, diferentes cepas desta bactéria circularam repetidamente em Gotland. O caso mais antigo provável de infecção data da tumba megalítica de Ansarve, cujos restos datam do período de 3490–3110 a.C.
Infecção em Animais
Pesquisas anteriores mostraram que não apenas humanos, mas também cães poderiam ter adquirido a bactéria da peste em Gotland. A análise do DNA de quinze animais revelou um espécime infectado. Este animal de estimação de portadores da cultura da cerâmica de poço viveu há pelo menos 4500 anos, e seu enterro data do século II a.C.
Estudo dos Sepultamentos de Fanagoria
Geneticistas estudaram o DNA de dois adultos sepultados juntos no século II a.C. na cripta de Fanagoria. Foi determinado que esses restos pertenciam a um homem e uma mulher de populações diferentes. O homem tinha proximidade genética com populações antigas da Ásia Menor e Oriente Médio, enquanto a mulher descendia de uma população que provavelmente vivia no leste ou norte da Europa.
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