O primeiro semestre do ano registrou um total de 1.356.225 veículos vendidos no Brasil, com 260.000 emplacamentos ocorrendo em junho. Este volume representa um aumento de 20% em comparação com o primeiro semestre de 2025, embora permaneça consideravelmente abaixo do recorde histórico de 1,8 milhão alcançado no primeiro semestre de 2012.
Ranking de Vendas do Semestre
O topo do ranking manteve o padrão pós-pandemia, caracterizado pela forte presença de SUVs, além de uma boa representação de veículos elétricos e híbridos. A Fiat Strada liderou as vendas, acumulando 83.401 unidades desde janeiro. Em seguida, vieram o Volkswagen Polo, com 54.096 licenciamentos, e o T-Cross, o SUV mais vendido, com 48.049 unidades.
Os cinco primeiros colocados foram completados pelo Fiat Argo e pelo Chevrolet Onix, que registraram 46.032 e 45.112 unidades, respectivamente. Na segunda metade do top 10, o Tera, que completou um ano de mercado, alcançou 41.421 unidades, ultrapassando o HB20 e o Creta. A nona posição foi ocupada pelo BYD Dolphin Mini, com 35.681 unidades, superando o Fiat Mobi e o Renault Kwid (33.493 e 30.577 unidades).
A BYD também demonstrou força no segmento híbrido, liderando com o Song (variantes Pro, Plus e Premium), que somou 24.034 licenciamentos, garantindo-lhe o 18º lugar geral. Entre os SUVs compactos de entrada, houve uma disputa acirrada, com o Toyota Yaris Cross vendendo 14.636 unidades, o WR-V, 15.418 unidades, e o Nissan Kait (antigo Kicks), 15.196 unidades. O Geely EX2 também se destacou, acumulando 14.780 unidades.
Outros destaques incluíram o GWM Haval H6, que superou o Toyota Corolla Cross com 19.167 unidades contra 18.623 do japonês. Já o GWM H9, apesar de ter superado o Toyota Hilux SW4 em certos meses, não figurou no top 50 no acumulado, sendo o SW4 listado na última vaga com 6.786 unidades.
Reestruturação e Marcas da Volkswagen
A Volkswagen tem sido alvo de rumores sobre uma grande reestruturação do grupo alemão, que poderia envolver demissões globais de 100.000 funcionários e o encerramento de quatro fábricas na Europa: Zwickau, Emden, Hanover e Neckarsulm, locais de produção de modelos da Audi e da Volkswagen, tanto elétricos quanto a combustão. A informação inicial veio do Manager Magazin, mas relatos posteriores, como os do The Financial Times, sugerem que a Ducati e a Lamborghini podem ser colocadas à venda.
Em resposta a questionamentos sobre essas possíveis transações envolvendo suas marcas premium, um porta-voz da Volkswagen afirmou que a empresa não comenta «documentos internos e confidenciais», mas indicou que o momento exige uma transformação profunda do Grupo como um todo, incluindo suas subsidiárias.
Justificativas Estratégicas e Desinvestimentos
A necessidade de realinhamento do portfólio deve-se ao esgotamento do modelo de negócios que sustentou a montadora por décadas. A antiga estratégia de projetar na Alemanha, produzir na Europa e exportar globalmente perdeu relevância devido às recentes pressões geopolíticas e comerciais. Segundo a companhia, «novas tarifas, concorrência mais acirrada e mercados estagnados — ou em alguns casos em declínio — estão atualmente gerando encargos para a empresa que chegam a dezenas de bilhões de euros por ano».
No caso da Lamborghini, a engenharia financeira proposta manteria a fabricante de superesportivos sob o controle da subsidiária Audi, ao mesmo tempo em que injetaria liquidez na matriz através da venda de ações ao público. Somado à venda de sua participação na Everllence, isso demonstra a aceitação do grupo em reduzir seu tamanho para proteger sua competitividade global. Esse movimento de desinvestimento já culminou no fim de uma era, com a Porsche decidindo vender sua participação na Bugatti Rimac, retirando a marca francesa do Grupo Volkswagen pela primeira vez desde 1998.
Bugatti e o Retorno da Porcelana
Em outra nota, a porcelana retorna aos Bugatti no projeto «Blanc Eternel» do roadster W16 Mistral, 15 anos após o lançamento do L’Or Blanc em 2011. O L’Or Blanc utilizava peças de porcelana da Königliche Porzellan-Manufatur Berlin (KPM) em sua carroceria pintada à mão de branco e azul, baseada no Veyron Grand Sport.
No novo projeto, os detalhes em porcelana incluem o emblema «EB», a tampa do motor, as tampas do tanque de combustível e do reservatório de óleo. Internamente, o material foi aplicado em comandos como a alavanca de câmbio e botões de vidro, além de coberturas de alto-falantes e apoios de braço. A pintura do Mistral Blanc Eternel também foi feita à mão, mas com contornos pretos que realçam as linhas do veículo.
Embora o Mistral Blanc Eternel seja um exemplar único, a KPM planeja lançar versões temáticas de itens como o Aviator Cup e o To-Drive Cup, inspirados no carro, que custam mais de US$ 500, mas são mais acessíveis.
Stellantis e o Futuro do Autobianchi
A Stellantis planeja ressuscitar o nome Autobianchi para o hatchback compacto, que atualmente é o projeto mais antigo da linha europeia da Fiat e é vendido apenas com powertrain híbrido. Embora o Fiat Panda tenha sido renomeado para Pandina, a Stellantis preparou um nome mais clássico para o fim de ciclo deste modelo.
A Autobianchi foi uma marca esportiva mantida pela Fiat entre 1955 e 1995, conhecida por modelos como a Autobianchi A112. Uma publicação italiana, Quattroruote, capturou um exemplar camuflado do Pandina com o nome «Autobianchi» visível em seus flancos traseiros. Fica claro que o carro utiliza a base do Pandina Cross, que pode ser visto como a versão europeia dos modelos Way e Adventure brasileiros.
Assim como o Pandina, este modelo terá o motor Firefly 1.0 de três cilindros com 70 cv acoplado a um sistema híbrido leve e câmbio manual de seis marchas, mantendo essa configuração até o fim da produção, quando será substituído por um veículo totalmente elétrico de três lugares com design lúdico, conforme mostrado no roadmap da Stellantis.
Nova Geração do Fiat Argo
A Fiat está prestes a apresentar a nova geração do Argo, que será construída sobre a plataforma do Grande Panda europeu. Esta mudança estrutural é crucial, pois o novo Argo visa superar o Volkswagen Polo como o carro de passeio mais vendido no país, competindo com o Chevrolet Onix e o Hyundai HB20.
Os flagras recentes do novo Argo, circulando com camuflagem, indicam que seu estilo seguirá de perto o do novo Grande Panda. No entanto, para o mercado brasileiro, ele terá um acabamento simplificado e utilizará materiais mais comuns, sem os detalhes sofisticados vistos em outras versões.
Embora a mecânica não tenha sido confirmada oficialmente, espera-se que as versões de entrada mantenham o motor 1.0 Firefly de três cilindros, capaz de gerar 75 cv e 10,7 kgfm de torque. Nas faixas de preço superiores, ele poderá contar com o conjunto T200 Hybrid, utilizado no Pulse e no Fastback, que possui motor 1.0 GSE turbo com injeção direta e sistema híbrido leve, entregando 130 cv.