Pesquisadores do Brasil participam ativamente das missões da NASA, estudando Marte, vulcões nas luas de Saturno e o funcionamento de 'mini-cérebros' na Estação Espacial. Esses cientistas contribuem significativamente para as pesquisas espaciais da agência espacial americana.
Pesquisas em Neurobiologia
A bióloga de Brasília, Alina Martins, começou a se interessar pelo espaço por volta dos 14 anos após assistir ao filme 'Blade Runner' (1982). As últimas palavras do androide Roy Batty chamaram sua atenção. Esse interesse a levou à codireção de um laboratório que realiza pesquisas avançadas para a NASA.
Martins iniciou suas pesquisas espaciais em 2022, conhecendo Allison Muotri, neurobiólogo de San Diego. Eles colaboraram com o químico John Yates do The Scripps Research Institute. O trabalho conjunto incluiu a análise de amostras de material celular enviadas para a Estação Espacial Internacional (ISS). A pesquisa investigou como o ambiente espacial afeta partes dormentes do DNA, potencialmente acelerando o envelhecimento das células neuronais dos astronautas.
Objetivos dos Experimentos Espaciais
Allison Muotri enfatiza que o objetivo de todos os seus experimentos espaciais é entender o impacto do espaço no cérebro humano e aplicar esse conhecimento para tratar doenças neurológicas na Terra. Entre os projetos, eles estudam mecanismos de envelhecimento acelerado, formas de proteção contra radiação, busca por neuroprotetores, desenvolvimento de novos materiais para interfaces cérebro-máquina, além de modelar condições como Alzheimer, autismo, Parkinson e demência.
Em 2024, Alina Martins tornou-se codiretora do laboratório da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD) junto com Muotri. O laboratório foi nomeado 'Orion', um nome pessoal para ela. Martins, de 49 anos, é responsável pelas tecnologias de experimentos a bordo e pela análise dos mini-cérebros retornados da ISS, observando que os americanos veem os brasileiros como uma 'especia' ausente nas pesquisas.
Equipe e Conquistas Científicas
Na equipe de dez cientistas que trabalham em projetos espaciais, nove nasceram no Brasil. Luiza Coelho, bióloga de Florianópolis, de 27 anos, é uma das jovens membros da equipe. Ela se juntou ao projeto há sete anos durante seus estudos de mestrado na UCSD. Coelho começou a trabalhar com Muotri depois de vê-lo em um telejornal sobre seu trabalho simulando características de neandertais em organoides, que ele chama de 'mini-cérebros'. Hoje, ela é especialista de missão focada no estudo dos sistemas imunológicos do cérebro.
Muotri, de 51 anos, mudou-se para os EUA em 2002 para pós-doutorado. Ele é conhecido por suas pesquisas inovadoras, incluindo a descoberta da ligação entre o vírus Zika, que circula no Brasil, e a microcefalia em 2016. Em 2018, ele fundou a área de 'neuroarqueologia', criando mini-cérebros de neandertais. Sua participação nas pesquisas espaciais começou em 2016, quando descobriu sinais de envelhecimento acelerado de células humanas no espaço. Apesar dos avisos que fez à NASA, ele decidiu financiar o envio de um experimento de mini-cérebros ao espaço em 2019, o que confirmou sua hipótese. Desde então, a NASA tem lhe dado atenção e financiado seus trabalhos.
Colaboração de Longo Prazo com a NASA
O laboratório de Muotri é o mais brasileiro entre os centros de pesquisa que trabalham com a NASA nos EUA. No entanto, existe outro centro intimamente ligado à presença de cientistas brasileiros: o Jet Propulsion Laboratory (JPL) na Califórnia, que opera desde 1989. O JPL é um centro tradicional da NASA, fundado em 1936. Em 1991, a geóloga planetária Rosalina Lopes tornou-se membro do Projeto Galileu, que estudava Júpiter e suas luas. Ela observou a lua vulcânica Io de 1996 a 2001, o que levou à descoberta de 71 vulcões ativos, rendendo-lhe um recorde de Guinness. Depois disso, trabalhou na missão Cassini a Saturno e continua estudando os vulcões em Titã, a maior lua do sexto planeta do Sistema Solar, que são criovulcões.
No JPL, também trabalharam cientistas como Ramon De Paula, engenheiro que liderou a missão do sonda Phoenix a Marte, e Ivair Gontijo, engenheiro que participou da missão Curiosity em Marte. O planetologista de São Paulo, Nilton Renno, começou a trabalhar com sondas direcionadas a Marte em 2007. Ele liderou pesquisas que levaram à descoberta de água líquida sob a superfície de Marte em 2008.