Esta semana, o NITI Aayog apresentou um plano ambicioso destinado a que a Ayurveda receba reconhecimento mundial como um sistema de saúde completo até 2047. Este plano prevê a criação de um registro global de especialistas, a implementação de padrões de qualidade internacionalmente reconhecidos e a garantia de tratamento através de programas de seguro, permitindo ir além da percepção atual da Ayurveda como um produto de bem-estar.
Estratégia de Desenvolvimento da Ayurveda
O documento, intitulado 'Roteiro Estratégico para a Globalização da Ayurveda', foi apresentado pelo vice-presidente do NITI Aayog, Dr. Ashok Kumar Lahiri, na presença do membro de saúde, Professor (Dr.) M. Srinivasa, CEO da Nidhi Chhibber e Secretário de Ayush Vidya, Rajesh Kotecha. De acordo com o relatório, a Índia precisa passar da simples exportação de ervas e produtos de bem-estar para a construção de um sistema de saúde globalmente confiável, apoiado por pesquisas mais sólidas, regulamentação e aceitação internacional.
Situação Atual e Barreiras
As exportações de produtos Ayush e ervas quase dobraram: de US$ 1,09 bilhões em 2014 para US$ 2,16 bilhões em 2023, e os produtos ayurvédicos alcançaram cerca de 150 países. No entanto, obstáculos regulatórios impedem a inclusão de muitos compostos ayurvédicos nos sistemas de saúde principais dos mercados desenvolvidos, onde são vendidos principalmente como suplementos alimentares, e não como medicamentos aprovados.
Apesar de a Ayurveda ter recebido diferentes graus de reconhecimento em quase 30 países e pesquisas estarem sendo conduzidas em cerca de 70 países, a Índia ainda não formou uma força de trabalho global significativa. O país conta com mais de 355 mil praticantes de Ayurveda qualificados, mas quase 95% deles trabalham na Índia devido à ausência de sistemas de licenciamento internacionalmente reconhecidos e à limitada mobilidade profissional.
Recomendações para Preencher Lacunas
Para superar essas deficiências, o roteiro propõe a criação de um Registro Global de Ayurveda com credenciais verificáveis internacionalmente. Também sugere a criação de um portal unificado contendo requisitos de licenciamento específicos para cada país e informações de visto, além de celebrar acordos de reconhecimento mútuo com países parceiros para que especialistas indianos qualificados possam trabalhar no exterior.
Aumento da Confiança Internacional
Para melhorar a aceitação global, o relatório apela para a expansão de ensaios clínicos internacionais através de centros de cooperação da OMS, a criação de registros de pacientes em condições reais, a publicação de relatórios globais anuais sobre eficácia e segurança, o estímulo à pesquisa em novas áreas, como Ayurgenômica, a modernização da produção nacional para os padrões GMP da OMS e a publicação de uma edição de exportação da Farmacopeia Ayurvédica, em conformidade com os requisitos regulatórios internacionais.
Mudança na Estratégia de Exportação
O roteiro também prevê uma mudança na estratégia da Índia: em vez de exportar ervas brutas, deve focar em compostos de alto valor, serviços médicos e conhecimento especializado. Recomenda-se a criação de centros ayurvédicos no exterior, o fortalecimento do apoio regulatório aos exportadores através do Conselho de Promoção de Exportações Ayush, o desenvolvimento de um painel de monitoramento comercial em tempo real e a criação de hubs médicos ligados a vistos Ayush e viagens médicas cobertas por seguro.
Ao estudar a experiência da expansão global da Medicina Tradicional Chinesa, o relatório insiste em ações coordenadas nas áreas de pesquisa, regulamentação, diplomacia, educação e comércio, bem como na criação de um Grupo Diretivo de Alto Nível da Missão para gerenciar a implementação do plano até 2047.