O problema das decisões judiciais não julgadas persiste nos tribunais em todo o país, de acordo com o último relatório publicado pelo Juiz-Chefe. No início do ano passado, durante o último semestre, foram registadas um total de 1778 decisões adiadas.
Estatísticas de Decisões Adiadas
De um total de casos adiados, 301 decisões, o que representa 17% de todos os assuntos adiados, permaneceram sem julgamento por mais de seis meses. Os restantes 1477 casos, correspondendo a 83%, foram adiados por um período inferior a seis meses.
Tribunais Mais Sobrecarregados
A maior percentagem de decisões adiadas que excederam o prazo de seis meses foi registada no Tribunal Superior de Gauteng em Pretoria, onde este indicador atingiu 18% (54 de 301 casos). Os dados refletem o estado dos casos no último semestre, que começou em 1 de novembro de 2025 para o Tribunal Constitucional, o Tribunal de Apelação Supremo e o Tribunal de Apelações Laborais. Para os Tribunais Superiores, Tribunais Laborais e Tribunal de Terras, o semestre começou em 6 de outubro de 2025.
Outras Instâncias Judiciais
Embora os dados mostrem que Joanesburgo tem o segundo maior número de casos adiados — 207 casos pendentes —, o Tribunal Superior de Makhungenqa ocupa o terceiro lugar com 156 casos, e Cidade do Cabo tem 127 decisões adiadas. O Tribunal Laboral de Joanesburgo registou 125 casos. O Tribunal Constitucional apresentou a maior percentagem de decisões adiadas por mais de seis meses — 10 de 28, o que corresponde a 36% de todos os casos. No Tribunal de Apelações Laborais, Mpumalanga, Middelburg e no Tribunal de Terras, as decisões não foram adiadas por mais de seis meses, enquanto no Tribunal Eleitoral e no Tribunal de Apelação da Concorrência não havia decisões adiadas.
Normas e Comentários de Especialistas
Ao analisar as decisões adiadas em cada ramo dos tribunais, nota-se a participação ativa de juízes em exercício. As normas e padrões judiciais que regulamentam a execução das funções judiciais exigem que as decisões em casos civis e criminais, geralmente, não sejam adiadas sem uma data de julgamento estabelecida. Além disso, estabelece-se que, exceto em casos excepcionais em que isso não seja possível, devem ser feitos todos os esforços para proferir decisões dentro de três meses, mas não mais de três meses após a última audiência.
O especialista jurídico Advogado François Botès, que ocasionalmente atua como juiz em exercício, explicou que a razão para o grande número de decisões não julgadas em Pretoria é a carga de trabalho extremamente elevada nesta instância. Ele observou que, embora haja muitos juízes em exercício dispostos a ajudar com o volume de trabalho, isso às vezes não é suficiente. Botès enfatizou que a arte, especialmente ao trabalhar como juiz em exercício, reside na preparação minuciosa para cada caso e, preferencialmente, na emissão da decisão o mais rápido possível — idealmente dentro de uma semana.
Botès também afirmou que até mesmo uma breve decisão verbal logo após a audiência é preferível a um longo adiamento da decisão. Ele salientou que as partes têm o direito de saber o resultado do seu caso o mais cedo possível, e isso atende aos interesses públicos. O especialista acrescentou que, sempre que possível, as decisões adiadas devem ser proferidas dentro de três meses. Os juízes permanentes respondem ao Presidente dos Juízes pelas decisões adiadas a longo prazo, e alguns casos podem ser encaminhados para a Comissão de Serviços Judiciais, o que aconteceu anteriormente. Os juízes em exercício que regressam à sua prática podem ser responsáveis perante as suas associações de advogados.