As empresas de produção estão implementando ativamente a inteligência artificial, mas especialistas do setor enfatizam que os modelos de financiamento existentes devem ser transformados para apoiar a modernização digital e aumentar a competitividade das empresas.
Desafios para o Setor de Produção Sul-Africano
Pequenas e médias empresas de produção sul-africanas são incentivadas a usar tecnologias de manufatura inteligente e inteligência artificial em um ritmo compatível com seus processos de negócios. No entanto, o acesso ao tipo adequado de financiamento é um fator decisivo para a velocidade dessa transição. Este apelo foi feito em meio à crescente pressão sobre os fabricantes, que são forçados a modernizar a produção enquanto lidam com a redução dos volumes de produção, aumento dos custos e exigências crescentes dos clientes em termos de rastreabilidade digital e conformidade com padrões.
O setor de produção sul-africano contribui com quase 11% do PIB do país e foi um dos três setores que geraram empregos no primeiro trimestre de 2026. No entanto, o setor também registrou duas trimestres consecutivos de redução na produção, o que reforça a necessidade de aumentar a eficiência e a competitividade dos negócios.
Problemas de Financiamento da Transformação Digital
Durante um painel de discussão sobre Indústria 4.0, focado em inteligência artificial, digitalização, automação e manufatura inteligente, a gerente de produtos Lula Koreshini Pillay observou que muitos fabricantes se concentram primeiro na própria tecnologia, ignorando o financiamento necessário para a transformação digital. Segundo ela, as pequenas e médias empresas de produção começam a discutir manufatura inteligente focando nas tecnologias. Ao mesmo tempo, cada atualização de sistema, sensor ou plataforma de rastreamento exige custos iniciais, cujo retorno só ocorre meses depois.
Pillay acrescentou que um desafio mais complexo é encontrar financiamento que leve em conta as particularidades do fluxo de caixa na produção, em vez de métodos de crédito tradicionais. Ela apontou que o mercado precisa responder à questão do custo da modernização e quem financiará essa transição. Embora aos fabricantes seja aconselhado procurar o IDC para expansão ou a SEFA para garantias, nenhuma dessas opções resolve o problema. Os custos de materiais e tecnologias surgem agora, enquanto a receita que eles geram só chega meses depois. A comprovação de crédito deve ser baseada em dados de transações em tempo real e padrões de recebimento das PMEs, para que o capital de giro possa ser estruturado de acordo com a realidade da fábrica.
Estado Atual da Implementação de IA
Pesquisas também mostram que a implementação de IA entre as empresas sul-africanas já está em pleno andamento. De acordo com uma pesquisa da News24 x Lula sobre pequenas empresas, baseada nas respostas de 1088 proprietários de PMEs em janeiro deste ano, mais de dois terços das empresas sul-africanas usam IA diariamente ou estão ativamente experimentando essa tecnologia. Os fabricantes estão cada vez mais usando IA para otimizar linhas de produção, reduzir perdas e melhorar a eficiência operacional, atendendo ao mesmo tempo às crescentes exigências dos clientes em termos de rastreabilidade digital e conformidade com normas.
No entanto, a pontualidade continua sendo um dos principais obstáculos. Geralmente, os fabricantes começam a preparar estoques na segunda metade do ano para atender à demanda de pico nos setores de varejo, atacado e logística em setembro, outubro e novembro. Isso significa que as empresas precisam investir em equipamentos, software, sistemas de cibersegurança, modernização de máquinas e treinamento de pessoal muito antes de obterem receita.
Na opinião de Pillay, atrasos no recebimento de financiamento podem, em última análise, afetar a capacidade do fabricante de fechar contratos futuros e permanecer competitivo. Ela observou que existem muitas categorias de despesas nesse hiato de modernização: sensores, sistemas de monitoramento, licenças de software, modernização de equipamentos, cibersegurança, plataformas de rastreamento e desenvolvimento de habilidades — todos competem por capital limitado.
Inadequação dos Modelos Bancários Tradicionais
Garth Rossiter, diretor de crédito e capital da Lula, afirmou que os modelos de crédito tradicionais muitas vezes não conseguem reconhecer o ciclo único de fluxo de caixa das empresas de produção. Ele enfatizou que os bancos tradicionais tendem a analisar relatórios e informações financeiras históricas do ano anterior, mas isso não corresponde ao funcionamento real da fábrica.
Rossiter explicou que se o proprietário do negócio gasta dinheiro em matérias-primas em julho, mas não verá a receita até novembro, ele precisa de financiamento que compreenda esse intervalo. A modernização das operações deixou de ser uma medida opcional — é uma questão de sobrevivência. Vencem os produtores que encontram parceiros financeiros que correspondam ao ritmo real de seu comércio. Ele acrescentou que produtos de financiamento construídos em torno do fluxo de caixa previsto poderiam ajudar os fabricantes a investir em tecnologia sem exercer pressão excessiva sobre o capital de giro.
Lula relatou que forneceu mais de 3300 empresas de produção, direcionando mais de 3 bilhões em pagamentos antecipados até o momento. O adiantamento médio recebido pelos fabricantes é de 203.000 randes, tornando este setor o segundo maior para a empresa em volume de financiamento concedido. Rossiter concluiu que o acesso rápido a fundos pode determinar se os fabricantes conseguirão se modernizar com sucesso ou perderão oportunidades para a concorrência. Ele salientou que a possibilidade de obter financiamento no momento em que a oportunidade surge permite não adiar planos, mas efetivamente realizá-los, o que é uma diferença chave entre um plano de crescimento no papel e a escalabilidade real.
Os stakeholders do setor acreditam que as decisões financeiras adaptadas aos ciclos de produção podem desempenhar um papel importante no apoio às PMEs na implementação de IA, aumento da produtividade e fortalecimento da competitividade industrial sul-africana.