A África do Sul apoia consistentemente a ideia de uma África unida, que foi trazida à vida pelo fundador do país e símbolo mundial, Nelson Mandela. Mandela sonhava com uma África unida, capaz de superar desafios comuns e liberar seu enorme potencial através de ações conjuntas. Ele enfatizava que o desenvolvimento do continente não é possível com ações de nações individuais.
Apoio à unidade africana
O princípio da unidade tem guiado as atividades da África do Sul desde o início da democracia. O país procura fortalecer a cooperação no continente e elevar a voz da África no cenário mundial, defendendo não apenas a unidade, mas também criando instituições e parcerias para sua concretização.
Através da União Africana e das Nações Unidas, a África do Sul participa em missões de manutenção da paz, mediação de conflitos e reconstrução pós-conflito. Intervenções significativas em Burundi, Sudão e República Democrática do Congo contribuíram para a estabilização e criação de condições para o desenvolvimento sustentável.
Participação em fóruns globais
Paralelamente, a África do Sul utiliza sua presença em plataformas mundiais como G20, G7, BRICS e ONU para mudar os debates que frequentemente excluíam a perspectiva africana. O país promove ativamente reformas nas instituições financeiras internacionais, melhora o acesso ao financiamento para o desenvolvimento e alivia o fardo da dívida, ajudando assim a África a se tornar uma voz influente na formação de uma ordem mundial mais justa.
Promoção da integração econômica
Além dos esforços diplomáticos, a contribuição mais significativa da África do Sul reside no apoio à integração econômica continental. A Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) oferece uma oportunidade sem precedentes de criar a maior zona de livre comércio do mundo, unindo mais de 1,3 bilhão de pessoas com um PIB combinado superior a 3,4 trilhões de dólares.
A África do Sul é uma das maiores fontes de investimento estrangeiro direto no continente, sendo que as empresas sul-africanas desempenham um papel importante nos setores bancário, de telecomunicações, varejo, mineração, energia, manufatura e logística. Esses investimentos estimulam o crescimento econômico nos países anfitriões por meio da criação de empregos, transferência de habilidades e tecnologias, expansão do acesso a serviços financeiros e de comunicação, e fortalecimento das cadeias de suprimentos locais.
No âmbito da AfCFTA, a África do Sul também ajuda a reduzir barreiras não tarifárias que impedem o comércio intraafricano. Ao simplificar os requisitos de acesso ao mercado e reduzir os custos administrativos, o país cria um ambiente mais favorável para produtos de outros países africanos no mercado sul-africano, o que contribui para o aumento do comércio, da industrialização e do desenvolvimento de cadeias de valor regionais.
Cooperação regional e bilateral
Em um nível mais local, as parcerias da África do Sul com países vizinhos aprofundam a integração regional. Uma recente visita de Estado a Moçambique fortaleceu a cooperação em áreas como comércio, infraestrutura e energia, baseada nos sucessos do Corredor Maputo. A cooperação com Botswana também reforçou os laços econômicos no âmbito da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da União Aduaneira da África Austral (SACU).
No âmbito da SADC e da SACU, a África do Sul promove uma estratégia industrial apoiada pelo Plano de Ação para o Desenvolvimento Industrial e pelo Fundo de Desenvolvimento da SACU. Essas ferramentas visam ajudar a região a ascender nas cadeias de valor globais por meio do financiamento de infraestrutura crítica, apoio à industrialização e criação de empregos. Essa cooperação econômica também se baseia em alianças antigas, como a Comissão Binacional Sul-África-Nigéria, estabelecida em 1999.
A Comissão conecta as duas maiores economias do continente por meio de mais de 34 acordos bilaterais destinados a expandir o comércio, aprofundar os investimentos e fortalecer a integração industrial. Esses esforços bilaterais fazem parte de uma estratégia mais ampla para construir uma economia africana mais integrada e competitiva. Através de iniciativas transformadoras, como o Corredor Norte-Sul de Desenvolvimento, a África do Sul contribui para o desenvolvimento de estradas, ferrovias, portos e redes digitais necessárias para a plena realização do potencial da AfCFTA. Além disso, seu papel como sede do Parlamento Pan-Africano em Midrand, Gauteng, garante uma plataforma constante para a harmonização legislativa e o fortalecimento da governança democrática entre fronteiras.
Solidariedade em momentos de crise
O compromisso da África do Sul com o continente é mais evidente em momentos de crise, quando a solidariedade deve se transformar em ação. Quando inundações catastróficas e o Ciclone Idai atingiram Moçambique, Malawi e Zimbábue, equipes de resgate sul-africanas prestaram assistência vital no local.
Durante a pandemia de COVID-19, a África do Sul liderou os apelos por igualdade global no acesso às vacinas e defendeu a produção médica localizada, quando o nacionalismo de vacinas ameaçava deixar para trás os países em desenvolvimento. Este ato de liderança rendeu ao país o título de Campeão da União Africana em Prevenção, Preparação e Resposta a Pandemias.
Trabalhando com os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, a África do Sul continua a fortalecer os sistemas de saúde, apoiar a Agência Africana de Medicamentos e promover sistemas coordenados de aquisição para melhorar o acesso a suprimentos médicos essenciais. Sua promessa de destinar US$ 13,5 milhões ao CDC Africano para ajudar no tratamento e contenção do recente surto de Ebola reflete um compromisso mais amplo com o apoio à capacidade da África de responder coletivamente aos desafios comuns.
Mais de três décadas após alcançar a democracia, a África do Sul permanece dedicada à visão de Mandela de uma África unida por um objetivo, confiante em seu potencial e determinada a construir um futuro de prosperidade e oportunidades para todo o seu povo.