Durante o Dia Juvenil anual, a África do Sul frequentemente apela aos jovens para se tornarem empreendedores. Embora o empreendedorismo seja um caminho importante para resolver o alto nível de desemprego juvenil no país, críticos argumentam que essa abordagem se tornou excessivamente simplificada e desconectada das realidades necessárias para criar negócios sustentáveis.
Educação é mais importante que ambição
Apesar do reconhecimento da importância da educação empreendedora, não basta apenas fazer um curso ou seminário. A capacidade de gerir um negócio difere da habilidade real de construí-lo. Ambições são insuficientes se os fundadores não tiverem a educação, experiência, contactos e ambiente favorável necessários para criar empresas de longo prazo.
É crucial abandonar a romantização daqueles que abandonam os estudos em prol de uma startup, alegando que esta é uma estratégia de desenvolvimento confiável. Um caminho mais realista, embora mais lento, envolve a conclusão da educação escolar, o desenvolvimento da literacia e matemática, formação contínua, aquisição de experiência de trabalho, compreensão das necessidades dos clientes e estudo do funcionamento das organizações antes de construir sobre uma base sólida.
Necessidade de solucionadores de problemas
O país necessita de mais construtores e especialistas capazes de resolver problemas, e não apenas de pessoas forçadas a sobreviver devido ao fracasso do mercado de trabalho. Embora os negócios focados na sobrevivência mereçam respeito, eles diferem das empresas orientadas para o crescimento. Uma pessoa que vende para sobreviver não está na mesma posição que um fundador que cria uma empresa capaz de contratar centenas de funcionários.
Problemas do meio da economia
De acordo com dados do Banco Mundial, pequenas e médias empresas representam cerca de 90% de todas as empresas e mais da metade do emprego mundial. Na África do Sul, o International Finance Corporation (IFC) estima que as pequenas empresas fornecem entre 50% a 60% da força de trabalho e contribuem com pelo menos 34% do PIB. No entanto, muito poucas pequenas empresas se transformam em empregadores médios, o que é uma necessidade urgente do país.
Parte do problema reside no facto de que as empresas em crescimento são sobrecarregadas demasiado cedo com requisitos típicos de grandes corporações maduras. As alterações nas definições de pequena empresa sul-africana classificam microempresas (até 10 funcionários), pequenas empresas (de 11 a 50) e médias empresas (de 51 a 250), com diferentes limiares de faturação dependendo do setor. No entanto, uma empresa com 60, 100 ou até 250 funcionários não é um gigante, mas muitas vezes um pequeno negócio em crescimento que procura profissionalização, acesso a mercados, gestão de fluxo de caixa e contratação de pessoal qualificado.
Necessidade de políticas flexíveis
Se a África do Sul quiser que mais jovens empreendedores se tornem empregadores, a política deve reconhecer essa diferença. A regulamentação deve ser diferente para grandes empresas estabelecidas, capazes de a aceitar, e mais leve, simples e orientada para o crescimento para pequenas e empresas em expansão. O cumprimento das normas não deve ser um obstáculo para uma empresa promissora ao contratar seus próximos dez funcionários.
Princípios semelhantes aplicam-se às finanças, compras e redes, pois ecossistemas empresariais fortes são construídos não apenas com motivação. Como mostra o Global Startup Ecosystem Report da Startup Genome, os ecossistemas competitivos dependem da interação entre financiamento, talentos, alcance de mercado, conectividade e conhecimento. Isso significa que os jovens fundadores precisam de caminhos práticos para entrar nos mercados, mentores que compreendam a escalabilidade, clientes iniciais dispostos a correr riscos, bem como acesso a capital e redes que permitam que empresas promissoras cresçam.
Exemplos de construção bem-sucedida
Os jovens empreendedores também precisam de modelos a seguir de maior qualidade: não apenas fundadores famosos, empreendedores de licitações ou mitos do Vale do Silício, mas também construtores sul-africanos respeitados que resolvem problemas reais, contratam pessoas, servem os clientes honestamente e criam produtos ou serviços úteis.
Conforme afirmado na Stanford Social Innovation Review, o conceito de 'empreendedorismo social' pode esconder uma verdade simples: grande parte do empreendedorismo honesto e produtivo já é atividade social quando cria valor, empregos e melhora os serviços de que a população depende. É este tipo de conversa que deve ocorrer no Dia Juvenil, pois o empreendedorismo ajudará a desenvolver futuros líderes da África do Sul somente se deixarmos de vê-lo como um slogan e começarmos a percebê-lo como um sistema que precisa ser construído.
Os jovens não precisam de mais um apelo ao esforço redobrado. Eles precisam de escolas que formem competências, universidades que apresentem ideias e tecnologias, locais de trabalho que proporcionem experiência, investidores dispostos a apoiá-los, exemplos dignos de imitação e um governo que se afaste, dando espaço para as pequenas empresas crescerem.