A SpaceX recebeu autorização da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) para realizar um novo teste com o Starship, após a investigação detalhada sobre a falha ocorrida no propulsor Super Heavy durante o voo realizado em maio.
Alterações após a investigação
Este novo lançamento será o segundo da versão V3 do foguete e também marcará a introdução dos primeiros satélites Starlink V3, essenciais para expandir a rede de internet espacial da companhia. O evento está programado para a próxima quinta-feira, dia 16, com previsão de ocorrer entre 19h45 e 21h15, no fuso horário de Brasília.
A revisão do projeto foi motivada pela falha observada no 12º voo. Em maio, o Super Heavy deveria simular um pouso no Golfo do México, contudo, os motores falharam ao reacenderem adequadamente após a separação dos estágios. Segundo a SpaceX, pequenas discrepâncias na ignição dos motores causaram uma rotação indesejada de 90 graus no propulsor.
Melhorias técnicas implementadas
Após a análise minuciosa, a empresa ajustou a sequência de ignição e implementou correções visando maior confiabilidade no reacendimento. A FAA também identificou outros fatores contribuintes, como efeitos térmicos em componentes do sistema de propulsão durante a subida do foguete e configurações inadequadas no sistema de alarme dos motores.
As modificações anunciadas incluem ajustes no sistema de ignição dos motores, aprimoramentos na confiabilidade do reacendimento do propulsor, alterações nos protocolos de alerta e abortamento da missão, além de modificações tanto no hardware quanto nos procedimentos operacionais.
Destaque dos satélites Starlink V3
Além de validar as correções feitas no Super Heavy, o próximo voo terá como objetivo colocar em órbita 20 satélites Starlink V3. Estes satélites são maiores e mais potentes que os modelos anteriores. A SpaceX informou que eles empregarão lasers de alta capacidade para se conectar à constelação principal da Starlink e serão desintegrados na atmosfera aproximadamente vinte minutos após serem lançados.
Seis desses satélites estarão equipados com câmeras destinadas a capturar imagens da superfície externa do Starship, fornecendo dados cruciais para que os engenheiros possam analisar o comportamento do veículo durante todo o voo.
Estratégia e futuro da Starship
A abordagem da SpaceX mantém-se firmemente ancorada na filosofia de «voar, falhar, corrigir». Cada lançamento serve como fonte de informações valiosas para refinar o projeto e aproximar a empresa de seu objetivo de operar um sistema completamente reutilizável.
A expectativa atual reside em confirmar se as alterações aplicadas após o teste de maio solucionaram o problema enfrentado pelo Super Heavy. Um desempenho positivo neste voo fortalecerá os planos da companhia para expandir a Starlink e preparar futuras missões direcionadas à Lua e, posteriormente, a Marte.
Resumo histórico dos voos
O histórico de voos inclui: Voo 1 em Abril de 2023, onde o Starship explodiu acoplado ao Super Heavy devido a falhas nos motores; Voo 2 em Novembro de 2023, que permitiu a separação inicial, mas resultou na explosão do propulsor e perda do Starship; Voo 3 em Março de 2024, que alcançou um avanço significativo em cerca de 50 minutos, apesar da perda antes do pouso planejado; Voo 4 em Junho de 2024, com pouso controlado do Starship no Oceano Índico e do Super Heavy no Golfo do México; Voo 5 em Outubro de 2024, onde a SpaceX capturou o Super Heavy na torre de lançamento e o Starship realizou reentrada controlada; Voo 6 em Novembro de 2024, com pouso controlado do propulsor e reacendimento de motor no espaço; Voo 7 em Janeiro de 2025, que terminou com a perda do Starship após uma explosão; Voo 8 em Março de 2025, onde o estágio superior perdeu estabilidade oito minutos após o lançamento e foi destruído; Voo 9 em Maio de 2025, que marcou a primeira reutilização do Super Heavy, mas teve experimentos parciais comprometidos por falhas; Voo 10 em Agosto de 2025, cumprindo metas como testes com simuladores de satélites, reacendimento de motor no espaço e reentrada controlada; Voo 11 em Outubro de 2025, encerrando com sucesso a fase V2, incluindo pouso controlado do Super Heavy e reentrada da nave; e Voo 12 em Maio de 2026, o primeiro teste da versão V3, que teve avanços notáveis, mas sofreu falha no Super Heavy ao tentar o retorno, pois os motores não reacenderam corretamente após a separação.