Preocupações e questões surgiram após o Tribunal de Planejamento Municipal da Cidade do Cabo (MPT) aprovar o pedido de alteração de zoneamento para a construção de um centro de processamento de dados hiperescala em King Air Industria.
À medida que o uso da inteligência artificial cresce rapidamente em todo o mundo, seu custo ambiental levanta sérias preocupações. O público questiona quanta água esses centros consomem e se devemos nos preocupar com isso.
Consumo de Água por IA e Data Centers
Aproximadamente 519 mililitros de água são consumidos ao processar uma única solicitação de IA, como ao interagir com o ChatGPT. Embora isso pareça um volume insignificante à primeira vista, ao considerar os bilhões de solicitações processadas a cada minuto em todo o mundo, estamos falando de bilhões de litros por minuto.
Em 2020, os data centers representavam cerca de 1–2% da demanda global total de eletricidade. Como os chips de processamento avançados geram uma enorme quantidade de calor, as instalações são forçadas a usar sistemas de resfriamento potentes para evitar danos aos equipamentos.
Fontes de Consumo de Água
De acordo com dados do Uptime Institute, um data center relativamente pequeno com capacidade de 1 megawatt pode consumir 26 milhões de litros de água por ano apenas para fins de resfriamento. No entanto, o número de maciços centros 'hiperescala' está crescendo rapidamente. Em 2020, havia quase 600 desses locais em todo o mundo, dos quais a China detinha 10% do volume mundial e o Japão 6%.
A pegada hídrica real dos data centers vai muito além da água fornecida às torres de resfriamento locais. A pegada hídrica total de uma instalação também inclui a água 'indireta' consumida pelas usinas de energia que geram eletricidade, bem como a água necessária para a fabricação do hardware. Usinas de energia movidas a combustíveis fósseis e energia nuclear utilizam grandes caldeiras com água que é superaquecida em vapor para girar turbinas, resultando na evaporação de enormes volumes de água apenas para manter os servidores funcionando.
Além disso, os microchips dentro dos servidores exigem água 'ultra-pura' altamente purificada no processo de fabricação para remover resíduos de silício. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, uma fábrica média de chips consome cerca de 37,8 milhões de litros de água ultra-pura diariamente.
Reação da Comunidade Global
A grande pressão sobre os recursos locais causa crises de infraestrutura e reações negativas em várias nações. Na Irlanda, em 2023, os data centers consumiam aproximadamente tanta eletricidade quanto todo o país. Devido ao esgotamento quase total da rede elétrica nacional, algumas instalações na Irlanda foram forçadas a usar geradores externos altamente poluentes para manter o funcionamento.
No Reino Unido, a Thames Water observou que 80% dos data centers no país estão concentrados na área de Londres, que tem uma precipitação anual surpreendentemente baixa. Como o consumo de água pelos data centers atinge o pico nos períodos mais quentes e secos do ano, a empresa de serviços públicos foi forçada a restringir ou vetar novos projetos de data centers para proteger as reservas de água da região.
Preocupações semelhantes com a escassez de recursos levaram a uma proibição temporária da construção de novos data centers na Holanda, enquanto a França está em processo de adoção de novas leis que exigem maior transparência sobre o consumo de água.
Busca por Soluções
Como a água doce representa apenas 3% da água na Terra, a indústria de tecnologia está ativamente procurando maneiras de mitigar esta crise. Em relação ao hardware, a Microsoft realizou experimentos para instalar data centers em águas frias na costa da Escócia para reduzir naturalmente os requisitos de resfriamento. Outras instalações estão mudando para o método de 'resfriamento por imersão', onde os servidores são submersos em líquidos sintéticos não condutores especializados em vez de usar resfriamento evaporativo a água.
As empresas de tecnologia também investem pesadamente em projetos internacionais de gestão de recursos hídricos para reabastecer as bacias das quais retiram água. Por exemplo, o Google financia a restauração de zonas úmidas nos Andes no Chile, apoia a coleta de água da chuva e a construção de barragens duplas na Holanda, além de melhorar a qualidade da água no Jardim Botânico de Singapura.
No entanto, especialistas alertam que soluções tecnológicas por si só não serão suficientes. As comunidades globais precisarão implementar um planejamento integrado de terras e recursos hídricos para ponderar cuidadosamente os benefícios econômicos da era da IA contra seu profundo impacto em nosso recurso mais valioso e finito.
Posição da Cidade do Cabo
Em um comunicado publicado na quinta-feira, a Cidade do Cabo informou que o MPT aprovou o pedido, mas essa decisão está sujeita a várias condições. A cidade acrescentou que o aviso oficial da decisão tomada será emitido assim que possível.
A cidade declarou que qualquer pessoa que apresente uma objeção válida durante o processo de participação pública estabelecido receberá informações sobre a decisão e sobre como apelar. Após o envio do recurso, ele será considerado de acordo com o processo de apelação da Cidade até que uma decisão final seja tomada. Se nenhum recurso for apresentado, o desenvolvimento não poderá começar imediatamente.
A cidade enfatizou que o solicitante ainda deve obter permissões adicionais, incluindo a apresentação e aprovação do Plano de Desenvolvimento do Local. Nesse processo, os departamentos relevantes da cidade devem avaliar questões técnicas detalhadas, incluindo a prestação de serviços de engenharia e infraestrutura, antes que quaisquer permissões adicionais sejam emitidas. A cidade mencionou as preocupações com o consumo de água, a demanda por eletricidade e o impacto ambiental, afirmando que tudo isso 'faz parte dos processos de planejamento e regulamentação e é considerado de acordo com a legislação aplicável e os requisitos técnicos'.