O Mahseer, conhecido como 'tigre do rio', é uma espécie de água doce emblemática com importância ecológica e cultural em toda a Ásia. Apesar do grande respeito por esses peixes gigantes, eles enfrentam uma crise séria. Uma nova pesquisa realizada em três estados indianos — Karnataka, Assam e Uttar Pradesh — descobriu que, embora a maioria dos participantes deseje preservar o Mahseer, poucos acreditam ter a capacidade real de fazê-lo.
Barreira na Conservação de Espécies
Pesquisadores da Universidade de Saúde Transdisciplinar e Ciências Tecnológicas (TDU) e do Instituto Nacional de Pesquisa Avançada (NIAS) descobriram que o maior obstáculo para a sobrevivência dessas espécies é a lacuna entre o desejo de ajudar e a capacidade de agir. Essas espécies estão se aproximando da extinção biológica e social.
Objeto e Metodologia do Estudo
O trabalho concentrou-se em cinco espécies específicas de Mahseer: Tor khudree (Mahseer do Decã), Tor putitora (Mahseer Dourado), Tor remadevii (Mahseer Arqueado/Laranja), Tor mosal (Mahseer Mosal) e Neolissochilus hexagonolepis (Mahseer Chocolate). As pesquisas foram conduzidas em três estados conhecidos por populações de Mahseer: Karnataka (bacia do Rio Cauvery), Assam (sistema Brahmaputra) e Uttar Pradesh (rios montanhosos do Himalaia).
A equipe realizou cerca de 160 entrevistas e vários grupos focais com diferentes grupos de pessoas, incluindo pescadores locais, líderes tribais, funcionários do governo e cientistas. O método de análise de conversas utilizado foi a análise temática reflexiva. Para entender as razões das dificuldades nos esforços de conservação, os pesquisadores integraram três bases conceituais: Quadros de Planejamento de Conservação (CPF), Teoria do Comportamento Planejado (TPB) e Valores Sociais (SV).
Análise das Abordagens de Conservação
O CPF serve como base estrutural da pesquisa, propondo uma abordagem faseada para o gerenciamento da conservação através de três estágios: avaliação da situação, tomada de decisões e implementação, bem como monitoramento e avaliação. Ele se concentra no 'o quê' e 'como' os grupos e instituições realizam atividades de conservação. A Teoria do Comportamento Planejado sugere que, para realizar uma ação, o indivíduo deve satisfazer três condições: ter uma atitude positiva em relação ao objetivo, sentir pressão social para agir e, o mais importante, sentir controle comportamental real, que inclui disponibilidade de tempo, recursos, condições favoráveis e autonomia de decisão.
O quadro de valores sociais define as bases normativas mais profundas das decisões humanas em relação à natureza. O estudo mostrou que os métodos tradicionais de conservação falham porque ignoram o fator humano. As pesquisas revelaram uma lacuna significativa: as comunidades locais que vivem perto dos rios e que melhor entendem os peixes frequentemente se sentem distantes da gestão centralizada. As decisões eram tomadas em escritórios governamentais distantes sem levar em conta a opinião daqueles afetados, o que gerava um sentimento de impotência e, às vezes, levava a conflitos abertos entre grupos.
Necessidade de uma Abordagem Integrada
Atualmente, os esforços de conservação se concentram exclusivamente nas necessidades biológicas do organismo, como qualidade da água, habitat ou hábitos reprodutivos, utilizando apenas o CPF e ignorando as pessoas que compartilham esse ambiente. Ao integrar a Teoria do Comportamento Planejado e a análise de Valores Sociais com o CPF, os pesquisadores conseguiram reformular o problema de forma mais eficaz. Em vez de apenas perguntar sobre a simpatia das pessoas pelo Mahseer, eles estudaram obrigações morais profundamente enraizadas e identidades culturais associadas a este peixe. Essa abordagem permitiu identificar problemas sistêmicos, como a falta de interação interdepartamental, devido à qual vários órgãos governamentais não conseguiam coordenar suas ações.
Os cientistas afirmam que, para salvar o Mahseer, a Índia deve mudar para um modelo de gestão compartilhada. Isso significa abandonar o sistema em que o governo simplesmente dá ordens, passando para um sistema onde as comunidades locais e tribais recebem poder legal e recursos para gerenciar suas próprias áreas do rio. Essa abordagem de baixo para cima transformará os moradores locais de observadores passivos em defensores ativos do ecossistema. Além disso, o estudo recomenda mudar a comunicação, sugerindo que as mensagens de conservação devem ser baseadas na cultura local e tradições de cada região, em vez de usar terminologia científica geral que pode não ressoar com as pessoas no local.
Ademais, a abordagem integrada utilizada neste estudo oferece uma ferramenta de conservação mais eficaz do que os métodos tradicionais. Ela proporciona uma compreensão detalhada dos motivos pessoais, identidades culturais e obrigações morais por trás do comportamento individual. Essa estrutura holística pode permitir o desenvolvimento de intervenções tecnicamente sólidas que sejam socialmente aceitáveis, promovam a coexistência entre humanos e vida selvagem e tenham maior probabilidade de servir como catalisador para mudanças comportamentais sustentáveis.